Familia Maximo de Souza
CASA DOS ANDARAHYS



Pesquisa sobre a origem dos Andarahys




Pesquisa de Pedro Nioac de Souza recopilada e revisada por Antonio Herculano Lopes para Dr. Armando de Souza Faria Castro em Julho de 1998


Introdução

A Familia Máximo de Souza

Séculos 15 e 16:
época de D. Manuel, (1495-1521) e D. João III, (1521-1557)

Século 18

Século 19

Militão Máximo de Souza

Os sitios dos Andarahys

Militão Máximo de Souza Jr.

Século 20: o casamento de Ana Teresa e do filho Armando



Introdução

O presente texto é fruto de uma pesquisa encetada por Pedro Nioac de Souza, com o auxílio do Barão de Funchal, ambos descendentes de ramos nobres da família Máximo de Souza. Tendo ouvido desde a infância histórias que se perpetuavam por tradição oral, resolveram averiguar em fontes fidedignas a sua procedência. Pedro era neto pelo lado paterno do 2º Barão de Andarahy e pelo materno dos Viscondes de Nioac. Ele residiu toda a sua vida em Paris, mas manteve uma forte ligação familiar e com seus laços seculares com o Brasil e com Portugal. Do Barão de Funchal apenas sabemos ser aparentado a uma dama da corte portuguesa, Dona Urraca Máximo de Souza, que obteve o título de Condessa de Funchal. Uma parte numerosa dos Máximo de Souza era ligada às ilhas portuguesas do Atlântico. No começo de seu relato, Pedro enumera as principais fontes que consultou, o que achamos importante reproduzir na íntegra, para dar a dimensão de seriedade com que a pesquisa foi realizada. Para o nosso estudo, extraímos fatos e dados constantes em certidões de batismo, de casamento e de óbito; documentos oficiais de inventários, procurações, nomeações e registros; cartas da Condessa de Andarahy, do 2º Barão de Andarahy, do Visconde de Andarahy, de João Francisco Vieira Braga, do Conde de Piratinim, do Barão de Antonina, do Conde de Nioac, de Ana Joaquina Fernandes Braga, de Antônio Rodrigues Fernandes Braga, Governador da Província do Rio Grande do Sul, de Otávio da Silva Prates, de Elisa Guimarães, do Comendador José Afonso Guimarães, de Leocádio Máximo de Souza e outros. Consultamos também Rheingantz, no seu livro "Titulares do Império", Salvador de Moya, no "Anuário Genealógico Brasileiro", H. Sanceau, em "Capitães do Brasil", assim como a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, do Instituto de Geografia e Estatística. E ainda o Arquivo Nacional; o Instituto Histórico; documentos da Torre do Tombo, em Lisboa; as "Cartas dos Governadores, maço único", publicadas por Souza Viterbo; a História da Colonização Portuguesa do Brasil, relatos de Frei Luís Máximo de Souza; a "Brevissima e Summaria Relaçam que fez da sua viagem e obras o grande Martim Afonso de Souza", publicada por Eugênio de Castro no Diário de Navegação de Pero Lopes de Souza, vol. II, 2ª ed., e de outros relatos publicados em livro sobre a História de Portugal.

A Familia Máximo de Souza

O sobrenome da família Máximo de Souza aparece pela primeira vez documentado na fidalguia portuguesa do fim do século XV (Torre do Tombo) e em princípios do século XVI, durante o reinado de D. Manuel, o Venturoso, e de D. João III (1495-1557).

É um sobrenome do século XIII e deve ser de um dos ramos das famílias fidalgas da Terra dos Souzas, que se dividiam em Souzas e Souzões. Assinala-se a existência nesta época de um Martim Afonso Chichorro de Souza, filho bastardo de Afonso III de Portugal e que recebera deste soberano terras no Minho, às quais dera o seu nome e que portanto teria sido o fundador do ramo fidalgo dos Souzas. Dos Souzões, é possível que um dos seus membros tenha sido apelidado com o nome de Máximo, seja por ter sido o maior da família em estatura ou em dotes guerreiros. Estranho que apareça um seu homônimo no século XV, Martim Afonso Máximo de Souza, de quem trataremos posteriormente.

Não há, contudo, pelo menos da nossa parte, conhecimento da existência de documentos escritos que possam determinar e caracterizar com exatidão a continuidade ou a ligação das famílias dos Souzas do século XIII com aquelas outras que aparecem nos séculos XV e XVI e com as mais recentes do século XVIII, já radicadas no Brasil, das quais um dos ramos deu origem à casa dos Andarahys.

Os períodos compreendidos entre Afonso III e D. Manuel, assim como de D. João III a D. João VI, são escassos em documentos manuscritos. Há uma xilogravura na Torre do Tombo representando uma mulher de nome Urraca del Maximus y Souza, do século XIV, além de mais alguns poucos documentos de interpretação duvidosa. Sobre o apelido de Máximo, predominam relatos e histórias, todas verbais e romanceadas, que se têm repetido de geração para geração nestes últimos séculos. Nelas, sente-se haver parcelas de verdade pelas repetições de certos fatos em fontes diversas, sem distorções de relevância, o que nos faz crer que o atual ramo dos Andarahys tem todas as probabilidades de descender de um dos ramos dos Souzas, da Terra dos Souzas, do século XIII e especificamente de um dos ramos dos Souzões, os Máximos de Souza.

Os dados que serviram às pesquisas para situar a família Máximo de Souza nas suas diversas épocas foram extraídos em sua maior parte de documentos oficiais ou oficiosos. Aqueles que foram extraídos de livros e de relatos de viagens, publicados em Portugal e no Brasil, podem oferecer dúvida, pois fatos relatados em forma de diários ou de romances estão sujeitos a distorções ou a omissões que variam segundo uma maior ou menor imaginação dos seus autores. Por isso, aproveitamos mais os dados extraídos de documentos oficiais, assim como cartas, diários e manuscritos, sem desprezar a parte romântica daqueles que escreveram sobre histórias de alguns membros dessa família.

Séculos 15 e 16:
época de D. Manuel, (1495-1521) e D. João III, (1521-1557)


Em 1520, o rei D. Manuel, o Venturoso, mandou chamar à Corte D. Martim Afonso Máximo de Souza, que se achava em Pávia, na Itália, guerreando ao lado de Carlos V, onde haviam derrotado Francisco I, da França. O período passado por Martim ao lado de Carlos V foi relatado pelo próprio Imperador em cartas enviadas a Portugal, que, lidas no pátio do palácio pelo escriba Lameiro das Quintas, enchiam de orgulho a raça portuguesa. Verdadeiro Capitão da Renascença, viajado, valente, culto, senhor de si e orgulhoso, Martim, durante toda a sua vida, nunca deixou passar uma oportunidade que lhe pudesse dar fama de cavaleiro.

Teria o Conde da Castanheira aproveitado a ausência de D. Martim de Portugal para indicá-lo ao Rei como a pessoa mais capaz do reino para colonizar o Brasil, ou essa escolha teria sido feita pelo próprio monarca? O fato é que a indicação teve a aprovação dos dois homens mais importantes do reino, D. Manuel e o Conde e viria satisfazer a ambos. Ao Conde da Castanheira, porque temia a influência de D. Martim junto ao Príncipe D. João, o que poderia vir a prejudicá-lo na sua posição de Ministro da Corte. A D. Manuel, porque não poderia confiar missão tão relevante e de interesse do seu reino a pessoa que não fosse de sua inteira confiança, como de príncipe de sangue ou pelo menos fidalgo de estirpe. Se Castanheira tinha interesse em afastar da Corte o nobre fidalgo pelo maior tempo possível, de preferência para terras de ultramar, D. Manuel necessitava de um homem cuja bravura não tivesse limites, a fim de defender os interesses da Corte.

Para se entender certas posições tomadas na Corte de D. Manuel, é necessário voltar-se à infância de D. Martim e de D. Antônio de Ataíde, futuro Conde da Castanheira.

O Príncipe D. João, filho das segundas núpcias de D. Manuel, havia encontrado em Martim e Antônio os seus melhores amigos. Formavam um trio inseparável na Corte de D. Manuel onde viviam em grande intimidade e eram sempre vistos juntos em folguedos e brigas com outros jovens da mesma idade, quando não com os animais de grande porte da coleção do Rei, vindos da Africa e da India, cujo conjunto era considerado como o maior Jardim Zoológico da Europa.

À essa trinca de jovens fidalgos veio juntar-se mais tarde um quarto elemento, D. Pero Lopes Máximo de Souza, irmão mais moço de D. Martim, que apelidou este de “Capitão-Irmão”, por ser sempre quem inventava ou conduzia as aventuras dos jovens.

Entretanto, dentro desta grande amizade que unia esses 4 mosqueteiros, nunca deixou de haver entre Martim e Antônio uma surda rivalidade que se manifestava em forma de desafios por quaisquer pretextos, com o objetivo talvez inconsciente de disputarem a preferência ou a admiração de D. João. As discussões acabavam sempre em brigas, sob o olhar interessado do Príncipe, que servia sempre de árbitro ou de apaziguador.

Por que essa grande amizade e ao mesmo tempo essas rixas constantes entre os jovens? Era a pergunta que se fazia na Corte de D. Manuel. Alguns ousavam mesmo acreditar que a afinidade entre D. João e D. Martim tivesse uma origem de sangue, e que este seria filho de D. Manuel, portanto meio irmão de D. João. Ao que diziam, seria filho de Dona Urraca Lopes, irmã de Pero Lopes (pai), casada com Leocádio Máximo de Souza, por sua vez irmão ou primo do historiador Frei Luiz Máximo de Souza, que se supunha originário dos Souzas e dos Souzões, das terras do Minho.

Se esta filiação bastarda de D. Manuel for verídica, o que não podemos confirmar pois não há documentação a respeito, poderia ser explicada a grande afinidade existente entre os dois fidalgos e aquela posterior de D. Pero com D. João.

Fossem ou não verdadeiros os laços sangüíneos que ligavam o Rei a D. Martim e este a D. João e a seu irmão Pero, a vida que o jovem levava na Corte não deixava dúvidas quanto à intimidade que usufruía junto a D. Manuel. As admoestações deste ao jovem fidalgo eram como se fora seu filho. A amizade fraternal existente entre D. Martim e D. João existiu por toda a sua vida. D. Manuel sempre teve uma especial atenção com D. Martim. Era ele sempre o primeiro a ser incumbido de qualquer missão de confiança do Rei. Foi ele o escolhido para acompanhar a Castela a irmã do Rei para casar-se com Carlos V. Nesta viagem, D. Martim conheceu a jovem Ana Pimentel, com quem também se casou. Este casamento apressado não trouxe vantagens para D. Martim, e vamos tornar a ver D. Ana como administradora da Capitania de S. Vicente, de propriedade do casal, quando Martim Afonso é enviado à India como Vice-Rei de Portugal. D. Ana ficou no Brasil e se revelou com absoluta falta de conhecimentos de administração diante dos seus auxiliares, que então causaram imensos prejuízos à Capitania, apossaram-se de terras e estabeleceram desordem administrativa.

Seja por interesse do reino ou do Conde de Castanheira, o fato é que Martim foi escolhido para comandar uma expedição ao Brasil. Não iria somente como Capitão General da armada. Iria como um enviado do Rei de Portugal com amplos poderes para guerrear, explorar as terras acabadas de ser descobertas e delas tirar todos os proveitos possíveis.

A escolha do seu estado maior e demais pessoas incumbidas de tarefas especiais coube em grande parte a Martim e a Pero, por quem Castanheira tinha especial admiração, achando-o “mui honrado, ativo e inteligente e enérgico”.

A 3 de dezembro de 1530, já no reinado de D. João III, Pero Lopes embarcava na nave do “Capitão-Irmão”, cuja armada zarpava de Lisboa para a aventura. Nesta armada, D. Martim levou também seus primos Heitor e João Máximo de Souza, que vão aparecer em vários feitos.

Os feitos de D. Martim nos mares do Sul são conhecidos e históricos e não interessam ao nosso relato, uma vez que este procura, apenas, com a ajuda de alguns fatos e documentos, situar as diversas épocas onde apareceram membros da família Máximo de Souza, procurando dar uma seqüência genealógica desta família.

Em 29 de outubro de 1532, D. João III envia a Martim Afonso uma carta por intermédio do seu primo João Máximo de Souza, que regressara a Portugal em 1531, com um dos navios franceses aprisionados nas costas de Pernambuco, quando de uma feita Pero combatia um navio pirata conduzindo pau-brasil e aguardava a chegada de seu irmão para abordá-lo. Heitor de Souza, que vinha na nave de D. Miguel, acostava um outro navio a bombordo, enquanto que João, já de posse de uma terceira caravela, rumava com a mesma para Portugal, carregada que fora pelos franceses de papagaios, pau-brasil e micos.

Na carta de D. João III a Martim Afonso, publicada por Caetano de Souza, outro primo de Heitor, na sua História Genealógica, volume VI das Provas, o Rei pede a D. Martim que volte a Portugal, pois tinha interesse de fazê-lo Vice-Rei das Indias. D. Martim parte e não volta mais ao Brasil. Pero Lopes também deixa o Brasil em 1532, não voltando mais, nem para tomar posse de suas três capitanias. Dele fala-se alguns anos mais tarde, em 1539, ao lado do seu primo Tomé de Souza, na conquista da Tunísia, já então como Capitão-Mor da armada que deveria levá-lo às Indias. Neste trajeto, desaparece no Oceano Indico a nave que comandava, tragada pelas ondas, não tendo havido sobreviventes. Pero deixou viúva Isabel de Gamboa, que então largou Lisboa e tentou organizar as capitanias herdadas, não conseguindo também fazê-lo a contento, como acontecera com sua prima Dona Ana na Capitania de S. Vicente.

Quanto a Tomé de Souza, filho ilegítimo do Prior de Rates com Dona Eleonor Máximo de Souza, irmã de D. Urraca, depois de ter sido o primeiro Governador-Geral do Brasil, em 1540, volta a Lisboa em 1553, onde, após longa ausência, revê sua mulher Dona Isabel e sua filha Helena.

A partir desta época, encontramos esparsos o nome dos Máximo de Souza na Corte, nas Indias e em algumas colônias na Africa, sem grandes detalhes de feitos guerreiros.

Reaparecem, entretanto, em meados do século XVIII, já ligados com o Brasil, política e economicamente.

Século 18

Assim é que em 1764 várias famílias portuguesas de Lisboa e dos Açores fogem da cidade do Rio Grande à invasão de Zeballos e vão se radicar em Triunfo. Entre os fugitivos encontramos um fidalgo português, D. Carlos Afonso Máximo de Souza, com 2 filhos menores, que se dizia parente de Tomé de Souza e de D. Martim Afonso, e que portanto seria descendente de um dos ramos dessa família.

Em 1765, seus filhos Diogo e Francisco voltam a Portugal. De Diogo, vai se ter notícias novamente em 1807, habitando a Corte e com a patente de Capitão. Com a fuga de D. João (futuro João VI) para o Brasil, passa a Capitão-General e é nomeado Governador da Capitania do Rio Grande de São Pedro do Sul.

Quanto a D. Francisco, sabemos que se casa em Lisboa com Dona Emerenciana Angélica, em 1772. Deste casamento, nasceram 4 filhos. O primogênito, Leocádio, nasce no Rio de Janeiro, por ocasião da primeira viagem de D. Francisco e de Dona Emerenciana ao Brasil em 1773. Voltam pouco tempo depois a Portugal, pois temos notícia do nascimento em Lisboa dos outros seus três filhos: Militão, Leonor e Emerenciana. Em 1798, D. Francisco vem com a família radicar-se definitivamente no Brasil. Nesta época, encontra seu irmão morando em S. Cristóvão e vai com a família ocupar uma habitação nas fraldas dos Tijucos, numa sesmaria dos jesuítas, entre o rio Maracanã e o Pico do Andaraí, tendo acesso por uma estrada carroçável, com um ponto de muda de cavalos no fim do Andaraí Pequeno. Parte desta sesmaria fora vendida a Pacheco da Cunha, um estancieiro sulino conhecido como “Cunha do Moinho” e vizinho de D. Carlos em Triunfo. Posteriormente, essas terras foram objeto de barganha entre netos dessas duas famílias, conforme veremos mais tarde. Em 1798, morrem de febre Dona Emerenciana Angélica e seus três filhos mais jovens, Militão, Leonor e Emerenciana. D. Francisco, viúvo e só, transfere-se para Triunfo, deixando no Rio o seu único filho sobrevivente, D. Leocádio. Em Nossa Senhora do Rosário de Rio Pardo, recebe do então Governador da Província, General Gomes Freire de Andrade, futuro Conde de Bobadela, “direitos sobre a sesmaria de Pontal” nas circunvizinhanças de Triunfo, que teria sido arrendada ao seu pai em 1765.

Em 1799, portanto um ano após a morte de sua mulher e 3 filhos, D. Francisco falece em Triunfo, deixando os direitos sobre a sesmaria do Pontal nas mãos de D. Leocádio, que virá a casar-se em 1804 com Dona Ana Joaquina da Encarnação. A 10 de março de 1806, nasce o seu primogênito, Militão Máximo de Souza, batizado na Paróquia de Nossa Senhora do Rio Pardo, na Província do Rio Grande de São Pedro do Sul, e que viria a ser o primeiro Barão de Andarahy, fundador da Casa deste nome.

Século 19

Em 1807, a Província é elevada a Capitania-Geral e, em 1809, o Capitão-General D. Diogo Máximo de Souza, futuro Conde do Rio Pardo, toma posse do cargo de Governador Geral da Capitania. Assim, D. Diogo deixa Lisboa e vem assumir o seu cargo, ocasião em que se encontra com o seu sobrinho Leocádio. Este deixa a sua família em Guaraí e acompanha o tio nas suas diversas missões.

Logo que as colônias espanholas romperam seus grilhões com a Espanha, constituindo-se em repúblicas independentes, o Príncipe Regente de Portugal, D. João, pensa incorporar à sua Coroa a República Cisplatina. As tentativas vinham de longe, desde 1680. A nomeação de D. Diogo de Souza para governar a capitania do sul seria a oportunidade para realizar seus intentos, uma vez que D. Diogo, de absoluta fidelidade ao seu Rei e valoroso soldado, seria a pessoa indicada para tal conquista.

Assim, em 1810, o Príncipe Regente coloca poderosas forças nas mãos de D. Diogo, que acampam às margens de um rio e ali fundam Bagé. Em 1811, as suas tropas acantonam às margens do rio Inhanduí, onde permanecem todo o inverno, aguardando a primavera para invadir o Uruguai. É um acampamento alegre onde “havia fanfarras e fartura”, com suas tropas otimistas, certas de uma fácil vitória. Esse aglomerado de gente alegre toma o nome de Alegrete. Leocádio acompanha seu tio em todas essas fundações e movimentos de tropas. Artigas, o general uruguaio que garante a independência do país, toma, entretanto, a dianteira de D. Diogo e este retira-se com suas tropas para as margens do rio Guaraí. Com receio de uma invasão mais profunda dos uruguaios, os parentes de D. Diogo e D. Leocádio são enviados para Triunfo e vão residir na fazenda do Pontal, onde, D. Leocádio termina seus dias. D. Diogo volta a Portugal, mas ao morrer é enterrado na Igreja-Matriz de Bagé. Em 1837, na fazenda do Pontal, morreria em batalha, na Guerra da Farroupilha, o tenente Diogo Máximo de Souza, sobrinho de D. Leocádio, perdendo em combate os seus soldados e toda a cavalhada.

Militão Máximo de Souza

Militão Máximo de Souza foi negociante e abastado capitalista. Muda-se ainda bem jovem para o Rio de Janeiro, onde é caixeiro na rua do Rosário. Em 1822, compra a loja. Em 1828, compra dois navios, o “General Abreu” e o “Saudade”, com que começa lucrativo negócio de exportação. Depois da morte do seu primo o tenente Diogo na Guerra da Farroupilha, barganha com um neto do Cunha do Moinho as terras de Triunfo pelas do Andaraí. Mais tarde, ocupa cargos de prestígio, como Presidente da Comissão da Praça do Comércio do Rio de Janeiro, Tesoureiro da Santa Casa da Misericórdia e Presidente do Banco do Brasil. Em 1872, D. Pedro II o agracia com o título de Barão de Andarahy; em 1874, recebe a Comenda da Ordem da Rosa e em 1888 a Princesa Isabel o torna Visconde.

Em 1831, aos 25 anos, casa-se com Dona Guilhermina Rabelo, que falece apenas seis anos depois. Deste casamento, nascem Militão Máximo de Souza Júnior, que vem a ser o 2º Barão de Andarahy, e Carlos Máximo de Souza, que se casa com Dona Ludovina Andrews, com quem tem cinco filhos. Apenas um era homem e não se casa. Assim, do ramo de Carlos Máximo de Souza, extingue-se a linha varonil e nenhum dos descendentes continuou a usar o nome Máximo de Souza.

No ano seguinte à morte de Dona Guilhermina, Militão casa-se pela 2ª vez, com Dona Maria Cândida Rook. Sobre o segundo casamento, viria a declarar: “Foi este o passo mais errado que dei durante toda a minha vida. Sirva isto de lição a meus filhos para que nunca dêem madrasta a seus filhos”.

Militão Máximo de Souza morre três meses depois de receber sua última honraria, o título de Visconde, deixando como herança terras do Andaraí, desde a raiz da serra da Tijuca, parte do morro do Andaraí até as vertentes do morro das Laranjeiras e grande extensão de terras adjacentes, além de 5 mil contos. Dona Maria Cândida, depois da morte do esposo, torna-se Condessa de Andarahy.

Os sitios dos Andarahys

Dos quatro sítios do Visconde de Andarahy, que faziam parte da sesmaria dos Tijucos, um chamava-se Portão, pois fazia-se acesso a ele por um largo portão de madeira pintado de vermelho. Em 1848, foi arrendado, com 6 escravos e um fogo, aos Barões de Bonfim, para plantações de café e de cana cayenne.

Os sítios eram vizinhos uns aos outros. Campinho, vizinho ao Portão, mantinha uma habitação de escravos e suas terras eram plantadas de cana cayenne, que abastecia o sítio do Engenho. Este foi a residência do 2º Barão de Andarahy e a Casa Grande era situada nas duas fraldas dos Tijucos, com acesso por alameda de árvores. Na encosta existia uma moenda de cana e um moinho d’água construídos lá pelo ano de 1812 por Cunha do Moinho. Este local foi conhecido depois pelo nome de Usina, hoje situado no fim da rua Conde de Bonfim.

O outro sítio chamava-se Solar e foi a residência do 1º Barão de Andarahy. A Casa Grande continha 18 quartos e capela própria, onde se celebravam a missa, batizados e casamentos. A casa depois veio a tornar-se o colégio dos padres maristas. Neste sítio faleceu a Baronesa de Bonfim, que para lá fora transportada em carruagem do sítio do Portão, onde se achava acamada.

Posteriormente, o Visconde de Andarahy foi morar no sítio situado na atual rua Barão de Mesquita, em residência construída no alto de um morro, e que também foi chamada de Solar dos Andarahys.

Militão Máximo de Souza Jr.

O segundo Barão de Andarahy, Militão Máximo de Souza Jr., nasceu em 1831 e, aos 22 anos se casou com Dona Ana Joaquina Fernandes Braga, que tinha 18 anos e descendia do último Vice-Rei do Brasil. Tiveram oito filhos, dos quais quatro se casaram: Isabel, com Otávio Prates, neto do Conde de Piratini; Militão, 3º Senhor da Casa dos Andarahys, casado com Leonor de Castro, a quem abandonou para ir morar em Londres, onde morreu sentado num banco de praça, de fraque, cartola e bengala; Alfredo, casado com sua prima-irmã Dona Cecília da Rocha Faria, filha dos Viscondes de Nioac, com quem teve quatro filhos: Carlos Alfredo, Pedro — autor desta pesquisa e que passou sua vida em Paris — Rafael e Sílvia; e finalmente a filha mais nova do Barão, Ana Teresa.


Século 20: o casamento de Ana Teresa, de Armando e de Haroldo

Ana Teresa casou-se com Jonas de Faria Castro, neto dos Barões de Abadia, da Bahia. Deste casamento, nasceram quatro filhos, dos quais apenas dois se casaram: Elsa, casada com Inácio Tomé, e Armando.

Armando de Maximo de Souza Faria Castro, nascido em 30 de julho de 1904 e atualmente residindo em Teresopolis, Estado do Rio de Janeiro, foi o único filho que deu contuidade ao nome dos Andarahys ao casar-se com Eleonora Corrard Trombetta, de nacionalidade francesa, e terem um unico filho, Haroldo de Andarahy Faria Castro. Haroldo, nascido em 24 de março de 1952, na cidade de Roma, cresceu no Rio de Janeiro e cursou a universidade em Paris, onde conheceu sua futura esposa. Em 27 de julho de 1973, Haroldo casou-se com Maria Flavia de German-Ribon, de nacionalidade norte-americana e de origem brasileira e colombiana por parte materna e paterna, respectivamente. O casal teve três filhos: Tamino (nascido em Teresopolis, RJ, em 1979), Mayra (nascida em 1981) e Mikael (nascido em S. Paulo em 1983). Esses jovens são os descendentes da família Máximo de Souza e da Casa dos Andarahys. Como exemplo da globalização do mundo atual, os atuais descendentes da Casa dos Andarahys possuem tri-nacionalidade: brasileira, francesa e norte-americana.



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