ESTATÍSTICAS DE ACIDENTES

As estatísticas de acidentes não são compiladas unicamente com fins de investigação e estudo da prevenção dos acidentes. Embora seja esta a razão principal, também é importante que todos os interessados conheçam devidamente qual a situação existente no tocante aos acidentes, para alertá-los e estimular seu interesse, ajudando-os a adquirir a consciência da segurança.

Para esses elementos pode ser conveniente apresentar os dados estatísticos não somente em cifras, mas também em forma gráfica, que indiscutivelmente chama-se melhora atenção que os números. Num país como o nosso, em que grande parte da população é desprovida de preparo adequado, a publicação de figuras que exponham informações sobre os acidentes e seus efeitos resulta em arma de grande eficácia para convencer os trabalhadores sobre a importância de sua segurança. As figuras que se seguem contém exemplos de representação gráfica de estatística de acidentes.

A CIPA, de acordo com a NR-5 da Portaria no 3214/78, e obrigada a preencher uma ficha com dados sobre o acidente (ver anexo II). Essa ficha deverá ser aberta quando da ocorrência de acidente com afastamento e será discutida em todas as reuniões até que as medidas propostas para evitar repetição do acidente tenham sido alotadas.

Ao tomar conhecimento da ocorreria o Departamento de Segurança deverá providenciar a investigação do acidente. Um elemento do Departamento dirigir-se-a ao local onde fará uma inspeção detalhada e colherá depoimentos dos operários da seção e, posteriormente, do encarregado. Quando houver vítima, esta deverá também descrever o ocorrido.

A descrição do acidente e a identificação de suas causas serão apresentadas pelo encarregado da investigação ao Departamento de Segurança, que verificará a conveniência de alguma medida já adotada em caráter provisório e procurara encontrar as soluções mais cabíveis.

Qualquer programa de Segurança deve incluir métodos de controle e avaliação dos resultados. A reunião das informações e dados relativos as ocorrências, a partir dos diversos formulários, tais como a Ficha de Comunicação de Acidentes (CAT) Ficha de Investigação de Acidentes e Ficha de Inspeção de Segurança, possibilita a fixação das metas e objetivos.

Para um resumo dos acidentes em tabelas e gráficos que possibilitem controle e avaliação mais rápidos e precisos, podem ser estimados resumos periódicos, por exemplo, mensais e anuais. Em termos gerais, considera-se o ano estatístico de 1o de janeiro a 31 de dezembro e o mês estatístico do 1o ultimo dia desse mês.

Vários coeficientes e taxas podem ser utilizados. Os índices citados a seguir são os mais comuns, e embora alguns autores critiquem uns em defesa de outros, acreditam que todos são válidos em termos estatísticos.

Aspectos Legais

A Portaria n.º 32, do Departamento Nacional de Segurança e Higiene do Trabalho, de 29 de novembro de 1968, no seu artigo 8, letra 1 diz que a C.I.P.A. deve analisar as estatísticas que deverão constar de atas das reuniões.

O artigo 16 da referida Portaria diz que das estatísticas deverão constar os seguintes dados:

1. Número de empregados.
2. Número de acidentes, com perda de tempo ocorrido no mês.
3. Número de dias perdidos com os acidentes.
4. Número de homens-horas trabalhadas.
5. Coeficiente de Freqüência
6. Coeficiente de Gravidade.

Parágrafo único: Os dias debitados serão calculados de acordo com a tabela anexa à Portaria.

O art.17 menciona que as estatísticas que acompanharem a documentação a ser enviada mensalmente às Delegacias Regionais do Trabalho obedecerão ao Modelo B.

Visto isso, devemos enumerar com exatidão, as lesões que se incluirão na determinação do grau de segurança de qualquer indústria. Incluiremos o acidente sem afastamento ou aquele com afastamento? A prática corrente é a de incluir, apenas os acidentes com lesões e entre estes, somente os chamados acidentes com afastamento.

Vários coeficientes e taxas podem ser utilizados. Os índices citados a seguir são os mais comuns, e embora alguns autores critiquem uns em defesa de outros, acreditam que todos são válidos em termos estatísticos.

Basicamente, são utilizados dois coeficientes: de freqüência, que nos dá idéia do número de acidentes, e o de gravidade, que nos dá idéia da extensão das lesões sofridas pelos trabalhadores. Para possibilitar comparações entre diversos períodos de tempo ou entre diversas empresas, os dados obtidos sobre os acidentes do trabalho são considerados em relação como tempo de exposição ao risco dos empregados da empresa ou a soma das horas efetivamente trabalhadas. Assim, temos:

Coeficiente de Freqüência (C. F.)

Suponhamos duas fábricas; uma que chamaremos de A e outra de B. No ano passado, 10 trabalhadores se acidentaram na fábrica A e 20 na B. Qual das duas fábricas teve uma proporção mais alta de acidentados? A fábrica B? Mas suponhamos, que na fábrica A trabalhem 100 pessoas e na B um número duas vezes maior. Cada fábrica, portanto, teve o mesmo número de acidentados para cada 100 trabalhadores. Mas, suponhamos agora que a fábrica A trabalhe 40 horas por semana e a fábrica B 44 horas. Isso, nos faz concluir, que em termos de prevenção de acidentes, a B é melhor do que a A, já que cada operário trabalhando mais horas, a exposição ao risco é maior.

Assim, com o objetivo de podermos fazer urna verdadeira comparação das lesões ocorridas na fábrica A e na fábrica B durante um mesmo período (ano passado) devemos levar em consideração o total de homens-horas trabalhadas (H.H.T.) em cada fábrica, no mesmo período. Isto se logra por meio do chamado coeficiente de freqüência. O coeficiente de freqüência (C. F.) expressa o número de acidentes com perda de tempo (a.c.p.t.) ocorridos em um milhão de horas-homens trabalhadas. Este é o número padrão adotado para possibilitar a comparação entre coeficientes de empresas que possuem diferentes números de empregados.

A expressão do coeficiente de freqüência é:

C. F. = _x_ x 106
              Y

onde x: número de a.c.p.t.

y: número de H.H.T.

Se na fábrica A, citada no caso acima, ocorreram 10 acidentes com perda de tempo, no ano passado e, se foram trabalhadas 200.000 horas-homens durante o ano, obtemos, aplicando a f6rmula:

C.F. = 10__ x 106 = 50,0

2 x105

Isto significa, que durante o ano os trabalhadores da fábrica A sofreram lesões que provocaram uma perda de tempo à razão de 50, por cada milhão de horas que trabalharam.

O coeficiente de freqüência indica apenas a quantidade de acidentes, mas não indica a gravidade das lesões. Assim por exemplo, numa empresa pode ter havido 50 acidentes com lesões de pequena importância, enquanto que numa outra empresa poderia ter havido apenas 5 acidentes com perda de falanges e perda de visão de um olho.

Portanto, como o número de acidentes não expressa realmente a gravidade dos acidentes, torna-se necessário levantar o coeficiente de gravidade.

Coeficiente de Gravidade (C.G.)

O coeficiente de gravidade, representa a perda de tempo resultante dos acidentes em número de dias, ocorridos em um milhão de horas-homens trabalhadas. A gravidade das lesões é, dessa forma, medida pelos dias de trabalho perdidos pelos trabalhadores, em decorrência de acidentes. Aos dias efetivamente perdidos pelo acidentado que sofreu lesão, incapacitado permanentemente, somam-se os dias debitados correspondentes à lesão. A expressão do coeficiente de gravidade é:

C.G. = (a + b) x106
                  y
onde:

a = número de dias perdidos
b = número de dias debitados
y = número de H.H.T.

Se no caso da fábrica A, as 10 lesões provocaram um total de 200 dias perdidos, obteremos empregando a expressão de coeficiente de gravidade:

C.G. = 200 x 106 = 1.000
              2 x105

Isto é, o tempo perdido devido aos acidentes ocorridos na fábrica A, no ano passado, foi de 1.000 dias para cada 1.000.000 horas trabalhadas. Supondo-se que cada trabalhador, trabalhou 2.000 horas por ano, a média de tempo perdido foi de 2 dias por homem, por ano.

Não devemos nos esquecer, que nesse exemplo, não levamos em consideração as incapacidade permanentes. É óbvio, que quando figura uma incapacidade permanente, como por exemplo perda de um dedo, perda de um olho, a perda real de tempo enquanto a lesão cicatriza, não constitui urna medida exata da gravidade. Para sanar esse problema, adota-se a chamada "tabela de dias debitados" que é um dos anexos da Portaria DNSHT - 32, de 29 de novembro de 1968.

Tabelas de Dias Debitados

A tabela de dias debitados permite a comparação de redução de capacidade devido ao acidente. Representa uma perda econômica, tendo a vida média do trabalhador, sido estimada em 20 anos ou 6.000 dias. E usada internacionalmente e foi organizada pela "Internacional Association of Industrial Accident Bord and Comissions".

Se no nosso exemplo incluirmos uma lesão da qual resultou a perda de 2 dedos da mão, a carga correspondente é de 750 dias, os quais acrescidos à perda de tempo proveniente das 9 lesões restantes, que eqüivalem a 180 dias, nos dá um total de 930 dias, e o coeficiente de gravidade será:

C.G. = (180 + 750) x 106 = 4.650
                2 x 105

COEFICIENTE DE GRAVIDADE

Expressa a perda de tempo (dias perdidos + dias debitados) por um milhão de homens-horas trabalhadas.

FORMULA

C = (dias perdidos + dias debitados) x 1.000.000
           número de homens-horas trabalhadas

Tabela de Dias Debitados

A tabela de dias debitados é uma tabela utilizada com o fim exclusivo de permitir a comparação da redução da capacidade resultante dos acidentes entre Departamento de uma mesma Empresa, entre diversas Empresas e entre Empresas de países que adotem a mesma tabela. A perda de tempo constante da tabela representa uma perda econômica tendo por base a vida média ativa do trabalhador, estimada em 20 anos ou 6.000 dias.

A tabela, que constitui o Anexo 1 da Portaria 32/68, é usada internacionalmente e foi organizada pela "International Association of Industrial Accident Bord and Commission".

TABELA DE DIAS DEBITADOS
 

                                                   NATUREZA

AVALIAÇÃO PERCENTUAL

    DIAS DEBITADOS

 Morte 

100 

       6.000

Incapacidade total e permanente 

100

       6.000

Perda da visão de ambos os olhos

                      100

       6.000

Perda da visão de um olho

                       30

       1.800

Perda do braço acima do cotovelo

                       75

       4.500

Perda do braço abaixo do cotovelo

                       60

       3.600

Perda da mão

                       50

       3.000

Perda do 1º quirodátilo (Polegar)

                       10

          600

Perda de qualquer outro quirodátilo (dedo)

                        5

          300

Perda de dois outros quirodátilos  (dedos)

12 1/2 

          750

Perda de tres outros quirodátilos  (dedos)

                       20

       1.200

Perda de quatro outros quirodátilos  (dedos)

                       30

       1.800

Perda do 1º quirodátilo (polegar) e qualquer outro quirodátilo (dedo)

                       20

       1.200

Perda do 1º quirodátilo (polegar) e dois outros quirodátilos (dedos)

                       25

       1.500

Perda do 1º quirodátilo (polegar) e três outros quirodátilos (dedos)

 33 1/2

       2.000

Perda do 1º quirodátilo (polegar) e quatro outros quirodátilos (dedos)

                       40

       2.400

Perda da perna acima do joelho

                       75

       4.500

Perda da perna, no joelho ou abaixo dele

                       50

       3.000

Perda do pé

                       40

       2.400

Perda do 1º pododátilo (dedo grande do pé) ou de dois ou mais podátilos (dedos do pé) 

                        6

         300

Perda do 1º pododátilo (dedo grande) de ambos os pés. 

                      10

         600

Perda de qualquer outro podátilo (dedo do pé)

                       0

           0 

Perda da audição de um ouvido

                     10

         600

Perda da audição de ambos os ouvidos

                     50

      3.000

VARIÁVEIS DOS COEFICIENTES SEGUNDO A A.B.N.T.

No Brasil, a norma NB-18, R, de 1951, da A.B.N.T. Associação Brasileira de Normas Técnicas, define as variáveis dos coeficientes que intervém nos cálculos. Assim temos:

Acidente sem perda de tempo (a. s. p. t.)

É o acidente em que o acidentado, segundo opinião do médico, pode exercer sua função normal no mesmo dia do acidente, ou no dia imediato ao dia do acidente, no horário regulamentar.

Nota: O a.s.p.t. não entra nos cálculos do C.F. e dos C.G.

Incapacidade Temporária

É a perda total da capacidade para o trabalho para um período limitado de tempo, nunca superior à um ano. Portanto, é aquela em que o acidentado depois de algum tempo afastado do serviço devido ao acidente, volta ao mesmo executando suas funções normalmente como as fazia antes do acidente.

Incapacidade Permanente

É a incapacidade temporária que ultrapassa um ano. Pode ser parcial ou total. Assim:

Incapacidade Parcial Permanente

Perda de qualquer membro ou parte dele, perturbação permanente de qualquer membro ou parte do mesmo.

Exemplo: 

perda de um dos olhos.

perda de um dedo.
 

Incapacidade Total e Permanente

 Perda anatômica ou impossibilidade funcional, em suas partes essenciais, de mais de um membro, conceituando-se como partes essenciais a mão e o pé.

Perda da visão de um olho e redução simultânea de mais da metade da visão do outro.

Lesões orgânicas ou perturbações funcionais graves e permanentes de qualquer órgão vital, ou quaisquer estados patológicos reputados incuráveis, que determinem idêntica incapacidade para o trabalho.

Nota: As incapacidades definidas e classificadas no item 6.3 referem-se à incapacidade profissional para o trabalho em que estava classificado.

Empregado

É toda pessoa física que presta serviço de natureza não eventual ao empregador sob a dependência deste e mediante remuneração.
 

COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES

QUADRO DE ESTATÍSTICA DE ACIDENTES
 

Número Médio de Empregados

Número médio de empregados num intervalo de tempo, é a relação entre a soma das durações do trabalho dos diversos empregados nestes intervalos, e a duração normal do trabalho no intervalo. Assim:

Número médio de empregados dias, por ano, é a relação entre a soma dos dias de trabalho no ano e duração normal do trabalho num ano, que é de 300 dias.

Dias Computados

Dias computados para cada acidentado: é o número de dias atribuídos a cada acidentado, num só acidente, conforme:

Acidente com incapacidade permanente parcial: os dias computados correspondem á soma dos dias debitados por Redução de Capacidade, até o máximo de 4.500 dias.

Acidente com incapacidade permanente total: os dias computados correspondem a 6.000 dias (dias debitados).

Acidente com morte: os dias computados correspondem a 6.000 dias (dias debitados).

Dias computados por acidentes: é o número que exprime a soma dos dias computados de cada acidentado no mesmo acidente.

Dias computados no mês: é o total de dias perdidos, dias debitados e dias transportados durante o mês considerado.

Dias computados acumulados: é a soma dos dias computados a contar. desde 1º de janeiro. Assim, os dias computados acumulados em fevereiro correspondem à soma dos dias computados em janeiro com os de. fevereiro; quando em marco, correspondem á soma dos dias computados em janeiro, fevereiro e marco.

Estatística Mensal

Corno o nome indica, é a estatística elaborada durante um mês, com a finalidade de obter dados comparativos que permitem confronto com as estatísticas de outros locais de atividades semelhantes.
 

Estatística Anual

 Tem a mesma finalidade da estatística mensal, mas abrange dados de todos os meses do ano.

 Data de Encerramento da Estatística

O mês estatístico se encerra no último dia de cada mês.
O ano estatístico se encerra no dia 31 de dezembro.

Número médio de empregados dias por mês é a relação entre a soma dos dias de trabalho num mês e a duração normal do trabalho num dia que é de 8 horas.

Esse número médio referir-se-à totalidade dos empregados de uma empresa devendo-se, em caso contrário, mencionar a seção da empresa.

homens-horas Trabalhadas

É o número que exprime a soma de todas as horas efetivamente trabalhadas por todos os empregados do estabelecimento inclusive do escritório, de administração, de vendas ou de outras funções; são horas em que os empregados estio sujeitos a se acidentarem em trabalho.

Notas:

no número de horas/homens trabalhadas devem ser incluídas as horas extras e excluídas as horas remuneradas não trabalhadas tais como as decorrentes de faltas abonadas, licenças, férias, enfermidades e descanso remunerado.

número de horas/homens trabalhadas referir-se-à totalidade dos empregados da empresa, devendo-se em caso diferente, mencionar a seção ou o departamento a que se referir.

para o empregado cujas horas efetivamente trabalhadas sejam de difícil determinação, serão consideradas 8 horas por dia de trabalho.

Dias Perdidos:

É o total de dias em que o acidentado fica incapacitado para o trabalho em conseqüência de acidente com incapacidade temporária.

os dias perdidos são dias corridos contados do dia imediato ao dia do acidente até o dia da alta médica, inclusive.

portanto, na contagem dos dias perdidos se incluem os domingos, os feriados ou qualquer outro dia em que não haja trabalho na empresa.

conta-se também qualquer outro dia completo de incapacidade, ocorrido depois do retorno ao trabalho e que seja em conseqüência do mesmo acidente.

contar-se-ão os dias de afastamento do acidentado, cujo acidente fora inicialmente considerado sem afastamento e que, por justa razão, passar a ser incluído entre os acidentes com afastamento.

no caso do item anterior, a contagem dos dias perdidos será iniciada no dia da comunicação do agravamento da lesão.

Dias Perdidos Transportados

São os dias perdidos durante o mês por acidentado do mês anterior (ou de meses anteriores).

Dias Debitados por Redução de Capacidade ou Morte:

É o número de dias que convencionalmente se atribui aos casos de acidentes de que resulte morte, incapacidade permanente total ou incapacidade permanente parcial, representando a perda total ou a redução da capacidade para o trabalho, conforme a tabela anexa á Portaria 32.

Tabela Comulativa
 

MÊS

HORAS HOMEM TRABALHADAS

ACIDENTE COM PERDA DE TEMPO

DIAS PERDIDOS DO MÊS ATUAL

DIAS PERDIDOS DO MÊS ANTERIOR

DIAS DEBITADOS

COEFICIENTE DE FREQUÊNCIA

COEFICIENTE DE GRAVIDADE

JAN.

890.000

  20 

310

--

--

22,47

348

FEV

850.000

25

350

80

900

29,41

1.470

AC.

1.740.000

45

740

--

900

25,88

942

MAR

910.000

18

240

50

--

19,78

318

AC.

2.650.000

63

1.030

--

900

23,77

728

ABR.

965.000

15

405

20

3.000

15,54

3.549

AC.

3.615.000

78

1.455

--

3.900

21,57

1.481

PRINCÍPIOS QUE NÃO DEVEM SER ESQUECIDOS

Para que as estatísticas de acidentes tenham o maior grau possível de comparabilidade com fins preventivos, torna-se necessário aplicar os seguintes princípios:

Representação gráfica do coeficiente de freqüência


Fig 12.10

 

                      Representação gráfica do coeficiente de gravidade


Figura 12.11

As estatísticas de acidentes devem ser compiladas partindo de uma definição uniforme de acidente de trabalho, em geral, para efeitos de prevenção, e em particular, para medir a grandeza ou importância dos diferentes riscos. Todos os acidentes definidos desta forma devem ser notificados e tabulados uniformemente.

Os coeficientes de freqüência e de gravidade devem ser compilados utilizando-se métodos uniformes. Deve haver uma definição uniforme para acidentes, métodos uniformes para calcular o tempo de exposição ao risco.

A classificação das indústrias e ocupações para efeitos das estatísticas de acidentes deve ser uniforme em todas as partes.

A classificação das causas e dos acidentes deve ser uniforme, e deve aplicar-se mesmos princípios em todos os casos para determinar as causas de acidentes.

Não é absolutamente indispensável que as estatísticas nacionais sejam comparáveis em seus mínimos detalhes, porém devem sê-lo no essencial. Cada país pode reunir os dados requeridos para as comparações internacionais e outros ainda destinados a satisfazer suas próprias necessidades.

Embora a norma NB-18 não mencione, é recomendável fazer uma estatística à parte para os acidentes de trajeto, adotando-se porém as mesmas recomendações mencionadas na referida norma.

INTERPRETAÇÃO DOS COEFICIENTES DE UMA EMPRESA:

Distribuição dos acidentes segundo o tempo de serviço

Figura 12.12

Os valores acima mostrados vem de certa forma confirmar um conceito de há muito conhecido em matéria de segurança. Entre outros fatores que entram na sua eclosão, os acidentes derivam ou da falta de prática e desconhecimento dos perigos ou do excesso de confiança de que se imbui um trabalhador muito experiente em seu serviço. O quadro nos mostra exatamente isso: As maiores porcentagens situam-se em pólos opostos, relativamente ao tempo de serviço dos acidentados (21% com empregados de menos de 1 ano e 29% com empregados com mais de 10 anos de firma). É possível ao trabalhador acidentar-se porque "não sabe" ou por "saber demais", julgar-se a salvo dos acidentes. Dai a conveniência de se ter por principio o seguinte:

1o) Inicialmente procurar conhecer todos os riscos do serviço e as regras de segurança a ele pertinentes;

2o ) De posse desses conhecimentos, jamais desprezar as regras. aprendidas.

O argumento dos que desprezam regras básicas de segurança, sob a alegação do "Eu faço isto desse jeito há mais de 20 anos e nunca me aconteceu nada" é irrelevante, pois num trabalho executado de forma insegura sempre persistirão riscos danosos. E a prova disso é a grande incidência de acidentes ocorridos com trabalhadores com mais de 10 anos na mesma atividade.

Pelo quadro anterior podemos observar quais foram as principais causas dos acidentes com afastamento. E podemos reparar talvez até com espanto e surpresa - que os corpos estranhos e conjuntivites oculares ocupam o primeiro lugar entre as causas de acidentes. superam inclusive o próprio trabalho com máquinas também com apreciável parcela de acidentes, a exemplo do que sucede em todos os anos.

A julgar por esse quadro, quase a metade dos casos poderia ser eliminada se protegêssemos melhor os olhos (esses maravilhosos órgãos condicionadores da normalidade da vida e da nossa felicidade pessoal), bem como se fossem observa dás todas as regras de segurança relativa ao trabalho com máquinas.

UM CONTROLE MAIS EFETIVO DA PREVENÇÃO DE ACIDENTES:

O registro dos acidentes ocorridos em urna empresa pode fornecer um grande número de informações ao pessoal que trabalha na segurança. Ao administrador, no entanto, interessa saber se as medidas preventivas adotadas estão conduzindo ou não a resultados satisfatórios. Para o administrador, o fato de perceber que o número de acidentes diminui em um mês, para o mês seguinte novamente aumentar e a seguir diminuir novamente é insatisfatório, já que o real interesse está em saber se há um critério que permita chegar-se a conclusão de uma melhora ou piora.

Sabe-se que a variabilidade de um produto acabado provém da variabilidade dos diversos fatores que influem na produção tais como: trabalho humano, máquinas, matéria prima, umidade, voltagem, etc. A variabilidade destes fatores se decompõe em duas parcelas:

  1. uma variabilidade estável no tempo, isto é, o fator varia dentro de uma distribuição de probabilidades, conservando, pois, a média e o desvio padrão. A variação que resulta para o produto, devido á esta primeira parcela, denomina-se ocasional e é inerente ao processo.
     

    Só pode ser eliminada se este for alterado.
     

Só pode ser eliminada se este for alterado.
 

  1. uma variabilidade instável no tempo, como por exemplo a falta de tremo de um operário ou ainda a uma queda na voltagem.Com relação aos acidentes em uma fábrica, podemos considerá-los como o resultado de um determinado processo de trabalho, e a sua variabilidade provém de fatores como: tipo de indústria, máquinas utilizadas, matéria prima usada, etc. Da mesma forma, como no caso de um produto acabado, a variabilidade destes fatores se decompõe em duas parcelas:

  2.  

a)  uma variabilidade estável no. tempo, que se denomina ocasional e que é inerente, ao processo, utilizado.

b) uma variabilidade estável no tempo, que se denomina assinalável e que pode ser resultado por causas externas ao processo utilizado. Estamos portanto induzindo a que aceitem que os acidentes em urna determinada indústria estão' sujeitos a dois tipos de variabilidade: a ocasional e a assinalável.

Dizemos que os acidentes estão em estado de controle estatístico quando a variabilidade assinalável for eliminada, permanecendo apenas a variabilidade ocasional. Em outras palavras, apesar de variar o número de acidentes mês a mês, a média e o desvio padrão permanecem constantes. Os gráficos de controle são instrumentos para garantir a permanência do estado de controle estatístico. O número de acidentes pode ser facilmente controlado usando a Distribuição de Poisson dos eventos raros.

Por esta lei sabemos que o desvio padrão é igual á raiz quadrada da media. Assim, se for o número médio de acidentes por unidade de tempo, ocorridos no passado, o gráfico por um sistema americano, será o da figura a seguir.


Figura 12.16

A zona acima da média indica piora das condições de segurança, finalmente pontos da zona abaixo da média, melhora nestas condições. Antes de explicarmos a mecânica do processo de controle estatístico, vamos contornar mas algumas dificuldades que podem ocorrer: a mesma empresa pode em meses consecutivos aumentar sua forca de trabalho, seja pelo aumento do número de operários, seja pelo aumento de número de horas trabalhadas por dia através das horas extras. Dessa forma, comparar pura e simplesmente o número de acidentes ocorridos mês a mês poderá não refletir a medição da freqüência real dos acidentes. Por isso é que se divide o número de acidentes ocorridos pelo total de horas trabalhadas no mês, obtendo-se assim a freqüência de acidentes em uma hora para uma certa e em determinada fábrica.

Outra dificuldade diz respeito ao não levantamento e registro de todo, e qualquer acidente, mas classificar e selecionar apenas os acidentes que acarretem o afastamento do trabalhador do serviço. Pelo que se descreveu nesse parágrafo, estamos quase que chegando á própria fórmula do coeficiente de freqüência de acidentes, restando apenas multiplicar esse valor de freqüência horária de acidentes por uma certa e bem determinada constante, que foi estabelecida pela própria Associação Brasileira de Normas Técnicas e que é a de 1.000.000, o que representaria o número de acidentes que ocorreriam em milhão de horas trabalhadas.

Pelo que se viu, a possibilidade de se contornar as dificuldades apontadas está no uso dos gráficos de controle para os Coeficientes de Freqüência de Acidentes. Sabendo-se pois que a ocorrência de acidentes obedece urna determinada lei estatística ou probabilística, dita distribuição de Poisson, e que empregaremos gráficos de controle e que os gráficos de controle serão aplicados aos coeficientes de freqüência, passemos a descrever como iremos ou como podemos proceder:

Suponhamos que uma empresa tenha apresentado os seguintes valores de coeficientes de freqüência:

COEFICIENTE DE FREQUÊNCIA

Janeiro ............50
Fevereiro.........17
Marco..............52
Abril ...............14
Maio ................0
Junho ................0
Julho ...............28
Agosto ............52
Setembro ..........0
Outubro ............0
Novembro ........0
Dezembro ......75

Em primeiro lugar vamos estabelecer o coeficiente de freqüência (média) e o desvio padrão desse coeficiente. Assim, a média é de 288 :12 = 24; o desvio padrão é 

3 :240.5 = 14,6.

Feito o cálculo, podemos iniciar a construção do gráfico colocando o valor da média e estabelecendo os limites superior e inferior de controle que serão:

limite superior = 24 + 14,6 = 38,6.
limite inferior = 24 - 14,6 = 9,4.

Obtemos dessa forma (em: escala) o seguinte:


Figura 12.17

A seguir, caso estejamos querendo estudar a eficiência do sistema de prevenção de acidentes, vamos analisar como se comportam os resultados do ano seguinte, mês a mês, em relação ao gráfico estabelecido.

MÊS COEFICIENTE DE FREQUÊNCIA

Janeiro ........................................... 36
Fevereiro ....................................... 24
Marco ........................................... 16
Abril .............................................. 0
Maio .............................................. 0
Junho.............................................. 0
Julho .............................................. 0
Agosto ........................................... 18
Setembro ....................................... 16
Outubro ......................................... 0


Figura 12.18

Pelo que pode ser observado acima, os valores dos coeficientes de freqüência apresentam 5 valores abaixo do limite inferior o que já não denota apenas uma variação assinalável, mas na realidade uma verdadeira alteração no valor da média para o ano atual, já que todos os pontos, à exceção do 1o , apresentam-se abaixo do valor da média do ano passado. Está claro e evidenciado que o programa de prevenção está surtindo resultados benéficos. Suponhamos, agora, apenas para efeito de raciocínio, que tivéssemos obtido os valores de coeficiente de freqüência que se seguem:

Mês Coeficiente de Freqüência

Janeiro....................................................... 52
Fevereiro .................................................. 40
Março ....................................................... 38
Abril ......................................................... 40
Maio ......................................................... 0
Junho ........................................................ 36
Julho ......................................................... 45
Agosto ...................................................... 50
Setembro .................................................. 40
Outubro .................................................... 45

 Colocando-se no gráfico de controle teríamos:


Figura 12.19

Pelo que pode ser observado, o ponto relativo ao mês de junho é uma exceção ao restante do ano e não pode ser encarado como um indicativo de melhora no programa de prevenção, e sim um indicativo de piora ao se observar o conjunto do ano atual, que fatalmente apresentará coeficiente de freqüência maior do que para o ano passado.

Podemos acrescentar que, ao que tudo indica, o resultado de junho deve-se a uma variação assinalável, e que no cálculo da média do ano deverá ser eliminada.

MÉTODO N.S.C RELATIVO AO CÁLCULO DO COEFICIENTE DE GRAVIDADE

No que se respeita ao cálculo mensal do coeficiente de gravidade, uma dificuldade que surge, não raras vezes, resulta do fato de um trabalhador que se acidente em certo mês não poder retornar ao trabalho no mesmo mês. As perguntas que se impõem são: quantos dias serão atribuídos àquele acidente para o cálculo do coeficiente de gravidade?

Serão contados apenas os perdidos no mês da ocorrência para o cálculo referente àquele mês? Em que cálculos serão computados os dias perdidos pelo acidentado no más ou meses subsequentes ao acidente?

Geralmente, no cálculo do coeficiente de gravidade, casos como esse entram nas estatísticas nos vários meses em que os acidentados estiveram afastados do trabalho até o encerramento do caso. Essa maneira de proceder é causa do erro, por vários motivos: por gravar erroneamente meses que não foram afetados pelo acidente em causa; por estabelecer uma relação de dias perdidos para horas-homens trabalhadas, quando no número dessas horas o trabalhador acidentado não foi incluído; pelo fato de, em geral, trabalhador acidentado, afastado do serviço, não entrar na folha de pagamento da empresa.

Para solucionar essas dificuldades, pode ser adotado o plano recomendado pelo National Safety Concil dos Estados Unidos da América do Norte (Industrial Accident Records and Analysis:. Safe Practices Pamphlet nº.21), devidamente adaptado à norma brasileira do cadastro de acidentes.

Os casos de acidentes de trabalho ocorridos em cada mês são transcritos em um quadro, referente á fábrica toda ou a cada um dos seus departamentos.

Do quadro VII constam

- Número de acidentes sem perda do tempo ocorridos durante o mês.
- Numero de horas-homens trabalhadas.
- Número médio de trabalhadores em serviço durante o mês.
- Número de acidentes com perda de tempo, acarretando:

a) morte ou incapacidade total permanente;
b) incapacidade parcial e permanente;
c) incapacidade temporária.

As colunas correspondentes a cada uma dessas três espécies de acidentes são subdivididas em duas, uma correspondente ao mês em curso e outra intitulada "acréscimo", cuja finalidade será esclarecida adiante.

Nas linhas horizontais tem-se uma linha correspondente a cada mês seguida dos totais até esse mês.

Quando um caso de acidente não é encerrado por ocasião do fechamento das estatísticas do mês, deve-se escrever na coluna correspondente debaixo do título "mês", o número de dias que, de acordo com o médico que atendeu o caso, o acidentado irá perder. Se o acidentado volta ao serviço antes ou depois da data prevista, o número de dias perdidos a menos ou a mais é transcrito no mês em que o operário volta ao trabalho, procedido do sinal - ou + respectiva mente. Entretanto esse número não é computado da estatística desse mês ou de qualquer Outro em particular, mas apenas no número total acumulado até esse mês. O mesmo pode ser feito em relação a dias debitados.

Quando um caso passa de uma categoria para outra, por exemplo, dá incapacidade temporária para permanente parcial, procede-se do seguinte modo: no mês em que ocorre a alteração adiciona-se à coluna "acréscimo" uma unidade à nova categoria e subtrai-se também na coluna "acréscimo", urna unidade á categoria a que o caso deixou de pertencer entretanto, esses novos números não são adicionados aos totais desse mês, mas apenas aos totais até esse más (vide exemplo no anexo 3).

Em fevereiro, três operários sofreram acidentes resultando em incapacidade temporária; dentre eles, um operário que, de acordo com O prognóstico médico deveria voltar ao serviço a 9 de março retornou no dia 5, havendo assim 4 dias perdidos a menos; -4 são inscritos na coluna correspondente de março, de modo que o total de dias perdidos, por incapacidade temporária até esse mês em lugar de ser igual a 40 (dias perdidos até o mês anterior) mais 42 (dias perdidos por acidente ocorrido em marco), torna-se igual a 40 + 42-4 = 78 dias.

O acidente ocorrido em marco causou um ferimento no braço de um operário, o qual continuava afastado do serviço ao ser encerrada, a estatística desse mês. O médico assistente julgou que seria necessária a perda de 42 dias de serviço, considerando o caso como de incapacidade temporária.

Com efeito, O operário voltou ao trabalho na data prevista. No entanto, em setembro foi notado que permanecera um certo grau de perturbação funcional (dificuldade de movimentação do braço ferido). Assim, o caso passou de incapacidade temporária para incapacidade permanente parcial com direito a 900 dias debitados. Foram feitas alterações na tabela do mês de setembro: nas colunas de acréscimo anotou-se + 1 entre as incapacidades permanentes parciais e - 1 entre as incapacidades temporárias..

Devido a restrição de mobilidade acrescentou-se 900 dias à coluna de acréscimo para os dias debitados por incapacidade permanente parcial. Como é fácil de ver, nenhum desses dados entra nas estatísticas do mês de setembro; vão afetar unicamente os totais acumulados até esse mês.

No mês de dezembro Ocorreu um caso fatal sendo que a morte se deu imediatamente após o acidente: assim sendo, foram incluídos 6.000 dias debitados, não havendo dias perdidos a computar.

O quadro possui todos os elementos necessários para o cálculo do coeficiente de freqüência, que foi omitido por não interessar ao assunto em estudo.

Quando da análise final, deveria ser relembrado que, enquanto o objetivo imediato do programa de segurança é o de eliminar os riscos até que os acidentes não mais ocorram, um objetivo imediato desse programa deve ser a identificação e o controle dos riscos que podem causar e estão causando prejuízos graves a indústria, e danos aos empregados.

O progresso no sentido desses objetivos merece continua avaliação através dos melhores meios disponíveis - o plano organizado constitui o rumo a seguir para atingir esses objetivos.