O Vazado do Bronze

 

Capítulo

4


O vazado do bronze

A

 técnica do vazado em bronze supõe uma atitude nova perante a escultura.. Em primeiro lugar é preciso transformar vários materiais, a fundição do cobre, do estanho, do zinco, do aço, para conseguir a liga apropriada; é necessário construir moldes; depois  a figura nasce no interior do molde sem que  possamos intervir durante o ato de sua criação, é preciso confiar no ato realizado antes: a correta fundição do material, a temperatura adequada, os moldes de boa qualidade, uma coação bem realizada; finalmente, a estátua que surge do molde pode, conforme o sistema empregado, ser reproduzida várias vezes com o mesmo modelo, já não é uma obra única, e por isso a condição de obra de arte periga: pode se transformar num objeto industrial semelhante a um machado, ou a um utensílio doméstico .

Na técnica do vazado do bronze a liga é fundamental, dela depende não apenas o resultado de uma escultura dos detalhes preciosos que reproduz fielmente a modelagem no molde, mas mantém a cor do bronze. O cobre em estado de fusão tem um escasso grau de fluidez, não sendo muito apropriado para ser coado em moldes; no entanto a adição de metais brancos como o estanho, o zinco e o aço são obtidas ligas bastante fluídas e homogêneas que permitam sua introdução no molde. Quanto maior a adição do metal branco maior fluidez, mas ao mesmo tempo mais frágil no estado sólido. Os vazados em bronze realizados com ligas ricas em cobre, precisam de um acabamento em frio com lixas finas e cinzéis. Isto é de grande importância pois permite diferenciar os tipos de esculturas.

A cor do bronze também depende da liga, embora atualmente não se veja a cor original dado que as esculturas antigas foram cobertas por uma patina,. Depende da percentagem de estanho para que o  

Apolo de Piombino. Bronze   image008.jpg (11455 bytes)             bronze tenha uma cor ou outra: 5% o bronze conserva a cor vermelha, típica do cobre; com 10% se transforma em amarelo escuro; entre 10 e 25%, amarelo claro e mais de 25% branco prata. Se na ligação intervém o zinco, se obtém o latão, de boa fluidez, menor fragilidade e uma bela cor amarelo ouro. Esta porcentagem era muito utilizada pelos romanos.

A técnica do vazado do bronze apresenta três sistemas de realização: duas técnicas à cera perdida( método direto e indireto), o modelado em areia e a galvanotipia.

As primeiras peças de bronze, armas e utensílios, foram realizados pelo método simples de coar o metal fundido em dois moldes abertos de pedra ou argila cozida. Para conseguir objetos  modelados em três dimensões foi necessário descobrir um sistema novo, tecnicamente mais complexo: a fundição a cera perdida. Construía-se um modelo em cera que era coberto por um molde de argila de uma única peça, depois que a cera era derretida e em seu lugar se vertia o bronze, que preenchia totalmente o oco interior. Com este processo obtinham-se peças maciças de bronze, o que impedia que fossem de tamanho muito grande, pois teriam um peso excessivo e um grande consumo de metal, originando imperfeições e fraturas.. As primeiras peças com este processo são datadas  do terceiro milênio A. C. : um leão de bronze de Uruk, uma dançarina de Mohenjo-Daro. Para aperfeiçoar esta técnica foi feito a elaboração de dois moldes, um côncavo e um convexo, colocados frente a frente com um vazio entre ambos e eram fixados através de pregos metálicos; na concavidade se vertia o bronze. No entanto era um processo muito complicado e imperfeito. Surgiu então na Ásia e Egito , a partir do método anterior. Preparava-se um núcleo de argila reforçado com uma armação de ferro; sobre o núcleo modelava-se em cera a figura que seria reproduzida em bronze; a seguir se cobria com uma camada de terra grossa, que era fixada ao núcleo com pregos metálicos e dotada de canais de coação e respiradeiros para sair o ar. Através da fundição, elimina-se a cera do interior consolidado o molde de argila; uma vez conseguindo isto, se verte no vazio que ocupava a cera a liga fundida, se espera que se solidifique e esfrie, então se parte o molde liberando a peça em bronze.

No fim do período arcaico a estatuária grega toma novo rumo. Era uma técnica nova para um novo estilo. Finalmente a perfeição na técnica de cera perdida foi obtida com o método indireto, através de moldes por peça. O método indireto necessitava a modelagem em barro. A partir deste modelo era obtido um molde em gesso em várias peças que se repunham por separado. O interior do molde era recoberto por uma fina camada de cera, por último o vazio era preenchido  com terra para formar o interior. A continuação desmontava-se as peças de gesso, descobrindo o molde em cera, este era retocado e cobria-se com molde definitivo em argila, com sistema de canais. As operações finais eram iguais ao método direto.

Ainda durante o Renascimento a técnica permaneceu primitiva, com o abandono do método indireto.

A modelagem em areia foi empregado durante os séculos XVIII e XIX para fundição de pequenos bronzes decorativos e em série. Utilizava-se armações de ferro fundido onde uma forma esculpida é coberta com arei muito fina, conseguindo-se isto as partes são separadas e é retirado o molde original, na areia são feitos canais e respiradouros e as armações são unidas novamente, finalmente se realiza o coado.


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