TÍTULOS DO
TIMÃO
O PRIMEIRO TÍTULO
O primeiro título a gente nunca esquece. E como esquecer um título
obtido de maneira invicta, logo no começo da vida corinthiana, no
segundo campeonato que disputava ? Como já foi dito, a conquista
de 1914 veio sem derrotas, até mesmo sem empates, fato até
então inédito nos 15 campeonatos já disputados anteriormente.
E teve mais. O Corinthians foi o time que mais marcou (34), menos sofreu
(8) e foi seu o artilheiro do campeonato, Neco, com 12 gols. Amílcar
Barbuy era o capitão
dos campeões e o mundo, perplexo com a ascensão corinthiana,
entrou em guerra, a Primeira Guerra Mundial.
O Corinthians sempre foi um clube marcado pelas grandes conquistas,
sobretudo no futebol. Tanto que, ainda hoje, o clube é respeitado
e aceito pelos adversários como o Campeão dos Centenários,
uma honraria conquistada por mérito e não por favor. Em 1922,
ano do Centenário da Independência do Brasil, o clube venceu
o campeonato paulista derrotando o Paulistano na final por 2 a 0. O América,
que havia ganho o campeonato carioca do mesmo ano, também pleiteava
a glória de ser chamado de Campeão do Centenário e
propôs um duelo tira-teima com o Corinthians. Resultado: Corinthians,
o campeão dos campeões do Centenário, 2 x América
0.
A glória ficou fortalecida 32 anos depois, quando o Corinthians,
comprovando sua vocação para grandes façanhas, conquistou
também o título de campeão paulista de 1954, ano do
Quarto Centnário de fundação da cidade de São
Paulo. O último jogo do torneio foi disputado em 6 de dezembro de
1967, 1 a 1 contra o Palmeiras, com gols de Luizinho e Nei. O time da época
entrou para a história com a seguinte formação-base:
Gilmar, Homero e Olavo; Idário, Goiano, e Roberto; Cláudio,
Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário. O técnico era o saudoso
Osvaldo Brandão, que mais tarde iria levar o clube a outro título
histórico (o de campeão paulista de 77).
Após a conquista de 1954, o Corinthians amargurou 22 anos de
fila, até que no dia 13 de outubro de 1977, outra vez com Osvaldo
Brandão como técnico, o Timão quebrou o tabu, voltando
a ser Campeão Paulista.
Foram três jogos na decisão com a Ponte Preta de Campinas.
No primeiro, o mineiro Palhinha, que viera do Cruzeiro, fez um gol literalmente
com a cara e a coragem, no rebote de uma defesa do goleiro campineiro Carlos,
e o Timão ganhou de 1 a 0. Estava tudo pronto para a festa que deveria
acontecer no domingo seguinte.
Moumbi lotado por mais de 140 mil corinthianos, recorde que jamais
será batido nesse estádio. Vaguinho, outro mineiro, este
vindo do Atlético, faz 1 a 0 para o Corinthians. Ele havia acabado
de entrar no lugar de Palhinha, desgradaçamente machucado no começo
do jogo. A ponte vira para 2 a 1 e adia a festa. Nunca o Morumbi se parecera
tanto com o Maracanão de 1950. Mas tinha o terceiro jogo.
Na segunda-feira, em clima de velório e tensão no Parque
São Jorge, o técnico Osvaldo Brandão vai ao departamento
médico para verificar o estado de Palhinha e o encontra já
de saída após ter feito o tratamento. "Como é, Palha,
dá pra jogar ?", pergunta o velho mestre. "Acho que não,
seu Brandão. Dói até pra andar", responde o craque.
"Se dá pra andar, dá pra jogar. Pior é a minha dor,
que não consegue nem levantar da cama, Palha", replicou Brandão,
cujo filho, paixão de sua vida, se encontrava em estado terminal,
tomado por um câncer.
No último jogo, o gol milagroso foi marcado aos 36 minutos do
segundo tempo por Basílio que recebeu da torcida o apelido de Pé
de Anjo . O pé direito de São Basílio, o Libertador,
pegou aquela bola... Foi assim : Zé Maria, o Super-Zé, cobrou
uma falta na altura do bico direito da grande área, pondo ali pela
marca do pênalti. São Basílio subiu aos céus
e cabeceou para Vaguinho, quase na pequena área. Vagão Vaguinho
pegou de esquerda e mandou a danada contra o travessão. Gol vazio,
Wladimir cabeceou de volta e a bola foi de encontro à cabeça
de Oscar, zagueiro-central da Ponte Preta, voltando em direção
ao pé direito de São Basílio e... não queira
saber mais. O embaçamento é total. Impossível descrever
o que aconteceu dali por diante.
Palhinha, de fato, não conseguiu entrar em campo para a finalíssima.
Mas o que ele jogou a partir daquele momento para que o time fosse campeão
ficou registrado como um dos momentos mais comoventes e grandiosos da história
do futebol. Ele conseguiu contagiar a equipe inteira com o relato da cena
que vivera com Brandão e tirou de cada um a promessa de que o título
viria e seria dedicado ao pai e ao filho, que, logo depois, faleceu.
A festa do título foi alguma coisa jamais vista. O país
inteiro saiu às ruas para comemorar a conquista que tardara mas
não falhara. Valia tudo. A massa ensandecida tinha um só
refrão : "Corinthians campeão, pau no cú do meu patrão!"
Porque no dia seguinte ninguém foi trabalhar.
Árbitro : Dulcídio Vanderlei Boschilia.
Corinthians : Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir Gonçalves
e Vladimir; Russo, Luciano e Basílio; Vaguinho, Geraldão
e Romeu. Técnico : Osvaldo Brandão.
Ponte Preta : Carlos, Jair Picerni, Oscar, Poloi e Ãngelo; Vanderlei,
Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei e Tuta (Parraga).
Técnico : Zé Duarte.
Renda : CR$ 3.325.470,00 (moeda da época)
Público Pagante : 86.677
Expulsões : Rui Rei, Oscar e Geraldão.
A maior conquista até o momento do Corinthians foi o título
de Campeão Brasileiro, inédito no clube. A decisão
aconteceu no dia 16 de dezembro de 1990, no Morumbi. O Corinthians venceu
o São Paulo por 1 a 0, gol marcado por Tupãzinho, aos 8 minutos
do segundo tempo.
Árbitro : Edmundo Lima Filho
Corinthians : Ronaldo, Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio,
Wilson Mano, Tupãzinho e Mauro (Dinei); Fabinho e Neto (Esequiel).
Técnico : Nelsinho Batista.
São Paulo : Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ivan e Leonardo;
Bernardo, Flávio e Raí (Marcelo Conte); Mário Tilico,
Zé Teodoro e Eliel. Técnico : Telê Santana.
Renda : CR$ 106.347.700,00 (moeda da época)
Público Pagante : 100.858
Expulsões : Bernardo e Wilson Mano.