Nunca neguei a ninguém que GERALDO VANDRÉ é o meu ídolo máximo na música. Insubstituivel. Nunca neguei a ninguém discutir a postura de VANDRÉ. Um homem, que ao contrário dos Caetanos da vida, achou que não tinha motivos para fugir. Um homem que, errado ou certo, foi o pai dos Chicos e Caetanos. Um homem que foi esquecido pelos filhos, pela intelectualidade que o apontou como capacho da ditadura. Ah! Esta eterna vontade de se fazer ANTÔNIOS CONSELHEIROS! VANDRÉ recusou duas coisas: Primeiro a opção que os militares lhe deram de ir-se em "paz"; Segundo a opção da sociedade intelectualizada que o queria como um mártire. E é exatamente por causa da segunda negação que passou a ser odiado pelo que se convencionou chamar de esquerda.O slogan na sua volta, VANDRÉ MORREU, VIVA VANDRÉ, não foi aceito. VANDRÉ voltou e não cantou mais. Primeiro por ser proibido, depois por decisão pessoal quando declarou(todos já esqueceram, ele tinha de fazer o que a esquerda queria e quando queria: "SÓ CANTO NESTE PAÍS QUANDO HOUVER DEMOCRACIA." Porque não canta agora ? Porque não há democracia quando o presidente da república é eleito pelas redes de TV. VANDRÉ se acha, ainda, um auto-exilado.Mora num pequeno apartamento no centro de São Paulo. Não quer usar telefone, nem atender campanhia. O mártire não mentiu para vender discos. Foi claro. Numa reportagem à VIP EXAME disse que nunca foi torturado, e nunca sofreu lavagem celebral. E é de se pensar: Os livros que tratam dos torturados não falam de VANDRÉ. Nem mesmo o BRASIL NUNCA MAIS. Fazer uma relação de 20.000 torturados e não achar VANDRÉ é o mesmo que fazer o levantamento dos 100 melhores jogadores do mundo e não achar GARRINCHA nem PELÉ.Ser preso, como a esquerda sabe, era motivo de orgulho, louvação, venda e voto. E GERALDO não quiz.Declara VANDRÉ: "A sociedade me declarou anistiado político, quando nem mesmo era processado pelo regime militar. Quando voltei ao Brasil em 73 ainda nem existia a anistia.Os processos de abertura de inquérito sobre mim, Dias Gomes e Plínio Marcos foi arquivado em 15 de julho de 1970". "A SOCIEDADE CIVIL É QUE ME TRATOU COMO CRIMINOSO" Canta-se e decanta-se CAMINHANDO. Mas GERALDO VANDRÉ nunca recebeu seus direitos autorais. Nem dessa nem de outras músicas cantadas pelos Chicos e Caetanos da vida. É na "loucura" de GERALDO que vem o texto na VIP: A sociedade merece a ignorância sobre as minhas músicas. Privá-la da arte é um dever pois que é em função do "processo de mass media", a massificação do consumo que destroí o indivíduo, sobre-tudo o que faz arte.Constroem-se imagens para serem consumida. Imagens que fogem ao controle de quem as encarna. Mas tudo isso é minha loucura. A loucura de quem nunca foi cantor popular.Nunca quiseram que eu o fosse. Eu fui um cantor vulgarizado. E fui banido do círculo de protestos que não existe mais. Não existe porque TODOS ESQUECERAM O PASSADO, COMO FERNANDO HENRIQUE. EU NÃO. Não faz tempo comemorou-se a abertura do Festival de Cinema. Escolhe-se o filme que representaria o evento: A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA que tem a trilha sonora de VANDRÉ. Lá estavam, Marcos Marciel, Fernando Henrique, Roberto Marinho e alguns ministros. Entre eles o do exército. Depois de tantos discursos alguém, lá na frente, grita: VANDRÉ! VIVA VANDRÉ DO PASSADO! GERALDO sai do seu lugar, anda pelo meio da sala ( APLAUSOS! APLAUSOS DE FHC A ROBERTO MARINHO). E VANDRÉ pega o microfone, declama o poema FABIANA que fez para a aeronáutica e que como disse, e ninguém entendeu, vinha da CAPITANIA DE WANMAR. VANDRÉ resume um poema em outro que diz: "Do riscado do raio a fortaleza No semblante das praias a beleza Bem distintos, distantes do bonito Que se compra e se vende na pobreza De não ser popular nem erudito Numa feira qualquer da redondeza." Acaba o poema, olha em volta e diz: "QUEM NÃO TEM PASSADO NÃO TEM PRESENTE E JAMAIS TERÁ FUTURO." Desce do palco olhos fixos no chão. A mim parece que VANDRÉ aceita tudo calmamente, sem movimentos bruscos. VANDRÉ me parece como a conivente do estupro que o 45 na cabeça silencia. Letras da Música "Pra não dizer que não falei das Flores" Saiba mais um pouco sobre Vandré Se quiser falar de Geraldo Vandré comigo ( Marcelo )... UIN: 7559262 ou pelo email... marcelo3@gold.com.br
VANDRÉ recusou duas coisas: Primeiro a opção que os militares lhe deram de ir-se em "paz"; Segundo a opção da sociedade intelectualizada que o queria como um mártire. E é exatamente por causa da segunda negação que passou a ser odiado pelo que se convencionou chamar de esquerda.O slogan na sua volta, VANDRÉ MORREU, VIVA VANDRÉ, não foi aceito. VANDRÉ voltou e não cantou mais. Primeiro por ser proibido, depois por decisão pessoal quando declarou(todos já esqueceram, ele tinha de fazer o que a esquerda queria e quando queria:
Canta-se e decanta-se CAMINHANDO. Mas GERALDO VANDRÉ nunca recebeu seus direitos autorais. Nem dessa nem de outras músicas cantadas pelos Chicos e Caetanos da vida. É na "loucura" de GERALDO que vem o texto na VIP:
Acaba o poema, olha em volta e diz:
Desce do palco olhos fixos no chão. A mim parece que VANDRÉ aceita tudo calmamente, sem movimentos bruscos. VANDRÉ me parece como a conivente do estupro que o 45 na cabeça silencia.