HISTORIA DO TIMÃO
Como conta muito
bem em seu livro Coração corinthiano, o cronista alvinegro
Lourenço Diaféria, em 1910 o mundo simplesmente ia acabar.
O cometa Halley trazia o anúncio do fim do mundo com brilho jamais
visto. O bairro paulistano do Bom Retiro tremia diante da expectativa do
choque inevitável do cometa com o planeta. Antes que acabasse, portanto,
seria formidável plantar a idéia de alguma coisa que ultrapassasse
os tempos, o caos, o que fosse. Algo que se perpetuasse além da
Terra, que mudasse seu destino para sempre, de forma tal que o mundo nunca
mais fosse igual. Para tanto, um grupo de cinco jovens operários
começou a se reunir a fim de criar um clube de futebol. A idéia
da fundação de um clube no Bom Retiro era assunto preferido
dos funcionários da estrada de ferro São Paulo Railway e
moradores, sem exceção do bairro. E isso começou a
amadurecer quando Joaquim Ambrósio, Carlos Silva, Rafael Perrone,
Antônio Pereira e Anselmo Correia foram juntos, assistir no campo
do Velódromo a estréia do time inglês Corinthian (sem
o s final) Team, na tarde de 31 de agosto de 1910. Os ingleses derrotaram
o A.A. Palmeiras (nenhuma ligação com o Palestra Itália),
por 2 a 0. Voltaram do jogo maravilhados e com o pensamento mais forte
na criação de um time de futebol no Bom Retiro.
Os cinco quase
não dormiram nessa noite. Cada qual traçava seu plano de
argumentação para sustentar a idéia. Assim, às
20:30m do dia 1o de setembro de 1910, à luz do lampião de
gás que iluminava a rua José Paulino, treze pessoas sacramentaram
a fundação do Sport Corinthians Paulista. A homenagem ao
Corinthian inglês, ganhou um s no nome e derrotou o palpite de alguns
fundadores que lançaram sugestões de nomes como Santos Dumont
ou Carlos Gomes.
Imagine qualquer
dificuldade que pudesse atrapalhar o plano dos cinca e tenha certeza :
apareceram todas as possíveis e imagináveis. O clube não
tinha dinheiro, não tinha sede, não tinha jogo de camisa,
bola, o que fosse. Que dirá jogadores.
O clube só
tinha idéias. Idéias, como se sabe, movem céus e terras.
E moveram. No céu o cometa se aquietou, foi perdendo a luminosidade,
e seu imenso rastro deixado pelo rabo de fogo desapareceu na imensidão.
São Jorge 1, dragão 0. Na terra não foi diferente.
Bons ouvidos tomavam conhecimento do que tramavam os cinco rapazes.
A primeira Diretoria
ficou constituída da seguinte forma : Miguel Bataglia (presidente);
Salvador Lapomo e Alexandre Magnani (vice-presidentes); Antônio Alves
Nunes (secretário); João da Silva (tesoureiro) e Carlos Silva
(procurador geral).
O local onde se
confirmou a fundação do Corinthians, foi a residência
do Sr. Miguel Bataglia; mas onde o clube foi sonhado e que deve ser considerado
seu berço foi o salão de barbeiro de Salvador Bataglia, irmão
de Miguel, e que existia à rua Júlio Conceição,
esquina da rua dos Italianos. As reuniões continuavam sendo no salão
de barbeiro de Salvador, mas ficou pequeno e a sede foi transferida para
a confeitaria de Antônio Desidério, na rua dos Imigrantes,
no 34, esquina com a rua Cônego Martins. No dia 10 de setembro, o
Corinthians fez seu primeiro jogo da história. Foi contra o União
da Lapa, considerado o bicho-papão da várzea paulistana.
O Corinthians perdeu por 1 a 0. A equipe jogou assim : Valente, Perrone
e Atílio; Lepre, Alfredo e Police; João da SIlva, Jorge Campbell,
Luiz Fabi, César Nunes e Joaquim Ambrósio. O dia da realização
desse jogo, provocou uma certa confusão quanto à fundação
do clube, mas ficou mesmo registrado o dia 1o de setembro de 1910 como
a data oficial de fundação do Corinthians.
Duas partidas,
ambas com o Palestra, marcaram a inauguração do primeiro
campo oficial do Corinthians, na Ponte Grande, construído no terreno
arrendado da Prefeitura. Ficava ao lado da Associação Atlética
das Palmeiras, na Floresta. Empatou a primeira e perdeu a segunda. A inauguração
aconteceu no dia 17 de março de 1917. Mais de 10 mil pessoas estavam
presentes, torcendo pelo Corinthians, que já possuia a fama de clube
operário