PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES: A LUTA DE CLASSES NA ARGÉLIA É A NOSSA LUTA!

Nota dos tradutores: Este texto foi publicado na revista Comunismo nº 48, em espanhol, pelo GCI (Grupo Comunista Internacionalista). O original está disponível, na internet, em: http://www.reocities.com/icgcikg_comunismo/c48_argelia.htm

Os primeiros assaltos proletários em abril de 2001 em Cabila

Em 18 de abril de 2001, explodiram os primeiros distúrbios em Beni-Douala (região de Tizi-Ouzou, na Grande Cabila, 100 km a leste de Argel), depois do assassinato de um jovem estudante como conseqüência da repressão da polícia. Segundo a versão oficial, o estudante foi morto "por uma rajada de metralhadora, disparada acidentalmente por um agente".

Nos dias seguintes, "os distúrbios se estendem a muitos povoados de Cabila, causando dezenas de feridos e importantes danos materiais". (1) "A manifestação de protesto contra o espancamento e prisão de 3 estudantes onde se gritavam palavras de ordem hostis ao poder de Amizour, explodiu em confrontos que se estenderam a toda a região denominada Pequena Cabila". (2)

No sábado, 21 de abril, já "são centenas, muito jovens, freqüentemente estudantes secundaristas, os que manifestavam sua raiva lançando pneus queimando, pedras e coquetéis molotov contra as delegacias de polícia sitiadas de Beno-Douala, El-Kseur e Amizour". (3)

No domingo 22, em Amizour, apesar dos apelos à calma lançados pelas famílias das vítimas e os dirigentes da FFS (Frente das Forças Socialistas, atualmente partido de oposição), "os manifestantes atacam a brigada à pedradas, incendeiam dois veículos da delegacia, assim como a sede da daira [´subprefeitura´] e as dependências do estado no município, e saqueiam os tribunais." (4)

A ação do proletariado na Argélia é, desde os primeiros dias, diretamente violenta e dirigida contra "sua própria" burguesia. A partir de um acontecimento particular e local, como uma gota d’água que faz transbordar o vaso, o proletariado consegue afirmar de imediato sua existência. Ocupa a rua por todos os lados. Em seguida a delegacia deixa de ser o alvo exclusivo, e a vingança proletária se generaliza contra o conjunto de instituições do estado, tanto civis quanto militares. A violência de classe contra a burguesia se produz sem concessões: incêndios, destruições, saques, reapropriação direta das mercadorias, combate à repressão...

Como sempre, diante desses acontecimentos, a burguesia trata de acalmar como pode a efervescência proletária, utilizando simultaneamente a porrada e o suborno. Desde segunda, 23 de abril, as unidades antidistúrbios são deslocadas de Tizi-Ouzou (capital de Cabila) até Beni-Douala, situada a 20 km. No dia 24, as autoridades, manifestando seus "desejos de apaziguamento", anunciam a suspensão do chefe adjunto da segurança da wilaya ("prefeitura") de Bugía, a detenção do milico autor dos disparos mortais em Beni-Douala e a colocação em funcionamento de um "programa especial de ajuda econômica a essa região". Além do mais difundem chamados à calma efetuados pelos familiares do estudante assassinado, que se dizem decididos a "iniciar os procedimentos judiciais para que se julguem os responsáveis".

Mas nem as promessas, nem os chamados à calma que os parentes das vítimas fazem, assim como os partidos e organizações social-democratas (RCD, FFS, MCB...) (5), nem tampouco a ação das forças repressivas conseguem impedir que o conflito se generalize. Ao mesmo tempo se produz um novo ataque ao edifício dos tribunais, que reflete a pouca ilusão que têm os proletários nos resultados das "perseguições ou processos judiciais". Os partidos social-democratas se mostram incapazes de modificar esta determinação e orientação violenta dos proletários, que escrevem em suas bandeiras: "Vocês não podem nos matar porque já estamos mortos". A indigência total em que foram jogados pelo capitalismo os impulsiona a lutar sem concessões.

Alguns números podem dar uma idéia da situação. De 1991 a 1999, em oito anos, o "poder de compra" do proletariado na Argélia baixou 60%. Entre 1999 e 2001, o número de pessoas declaradas "vivendo em condições de pobreza" passou de 10 para 14 milhões, dos 30 milhões de habitantes que tem a Argélia. Cerca da metade da população vive com menos de 50 dólares por mês, enquanto os aluguéis de apartamentos privados nos distritos populares oscilam entre 130 e 170 dólares por mês. Não surpreende que a taxa média seja de mais de sete pessoas por domicílio.

As negociações com o Fundo Monetário Internacional para renovar os créditos concluíram com um acordo que implicava a reestruturação do setor público e a indústria. Essa reestruturação produtivas impôs a supressão de 400.000 empregos. Dado o declínio industrial nessa região, aos operários concernidos não lhes restava nenhuma esperança de encontrar outra solução laboral.

Anteriormente aos distúrbios, a taxa de desemprego havia alcançado oficialmente 40% da população ativa. Um fato revelador da tensa situação social é que o único setor em que se encontrava trabalho era o das empresas privadas de segurança. Na Argélia existem mais de 80 sociedades desse tipo, nas quais às vezes trabalham até 1.500 pessoas. O que resulta mais sintomático é que as mais numerosas sejam as sociedades de segurança industrial.

Na Argélia, as necessidades mais elementares dos proletários, como a água potável, a moradia e a eletricidade, não estão cobertas. Os mais afetados por estas condições de vida são os jovens de menos de trinta anos, que constituem 70% da "população ativa". A cada ano, chegam cerca 300.000 jovens a um mercado de trabalho que não necessita deles. Agredidos até o limite de não ter possibilidades próprias para sobreviver, inventam estratégias para se arranjar. Visto preço dos aluguéis, é impossível sair do núcleo familiar e viver por sua conta. Esta é a razão pela qual os jovens repetem voluntariamente anos escolares para adiar a data em que ingressarão no serviço militar e em que passarão seu primeiro dia como desempregados. Compreende-se assim o papel que a juventude desempenha na revolta. Mas não nos deve assombrar que os jornalistas aproveitem a situação para expressar seus clichês sociológicos favoritos. Partindo da realidade do dilema entre o exílio e o desemprego, os jornais fomentam a imagem do "mal-estar dos jovens" e sua "sede se justiça e democracia", negando e escondendo que é o proletariado de todas as idades que enfrenta a justiça e a democracia.

Varrendo toda terapia cidadã, os proletários, que não têm nada a perder senão seus grilhões, empregam a única arma de luta eficaz para a nossa classe, a ação direta: "Os jovens manifestantes não querem falar com um poder que os despreza. Eles mesmos desprezam o poder. Então se rompe tudo aquilo que é símbolo do estado. Os manifestantes não querem dialogar" (6), se lamenta um desses escrevinhadores.

Esta cólera não se concretiza verdadeiramente em torno de reivindicações particulares. O fastio é geral e se desenvolve sobre os aspectos "econômicos", "políticos" e "sociais" da sobrevivência que lhes é imposta. A ausência de reivindicações precisas, concretas ou de proposições positivas torna mais árdua a tarefa de liquidação que os reformistas de toda laia sempre procuram efetuar. Só a contraposição à tudo o que vem do poder em geral é explícita. A negação do existente constitui indubitavelmente a força elementar do movimento. Desde o início dos distúrbios, e apesar de todas as tentativas burguesas de chamar para a calma e enquadrar o movimento em polarizações ideológicas, conciliações, reformas e negociações, os proletários se afirmam terminantemente no terreno da luta de sua classe, assumindo diversas necessidades e interesses, e combatendo por impô-los no desenrolar da luta.

Em uma semana de enfrentamentos, a luta se estende por toda Cabila. O número de objetivos não deixa de se ampliar. As expropriações da propriedade burguesa se multiplicam. os proletários tomam as mercadorias que necessitam e destroem voluntariamente tudo que para eles sempre simbolizou repressão e miséria (incêndio do Escritório Central de Impostos, da prefeitura, assim como das sedes dos partidos pela identidade nacional...). Em alguns dias, a ebulição toma todas as cidades de Cabila.

No sábado, 28 de abril, "uma maré humana invade as ruas de Bugia, apesar de os confrontos mais sangrentos ocorrerem em cidades novas e em pequenos povoados... Uma vez mais, os edifícios públicos foram saqueados. Em Bugia, os manifestantes destruíram a casa de cultura, a Repartição da Fazenda, a estação de ônibus". (7) A jornada do sábado, 28 de abril, é a mais sangrenta, com uma trintena de vítimas, momento a partir do qual a relação de forças tendeu globalmente a inverter-se a favor do proletariado. Um jornalista anota que "entre 40 e 60 membros das forças de segurança foram mortos na quinta-feira, 26 de abril, numa escaramuça ao sul de Tébessa". (8) Destaque-se que vimos esta informação uma única vez... Este dado revelaria um armamento mais conseqüente do proletariado

A burguesia desconcertada

A angústia e a surpresa que suscitou na burguesia local o rápido desenvolvimento do movimento foram tão grandes, que ela oscila em sua ação e até se mostra relativamente paralisada. Tendo tentado diferentes tipos de réplica sem êxito, mostra não ser capaz de se dotar de uma linha clara e precisa de resposta.

As estruturas de enquadramento e mediação social foram completamente ultrapassadas. Mais ainda, nas lutas, estas estruturas foram denunciadas cada vez mais explicitamente, como testemunham os ataques aos tradicionais partidos independentistas. Esses fatos demonstram claramente que nenhuma formação política deste tipo consegue canalizar os transbordamentos e, além do mais e sobretudo, que a luta dos proletários em Cabila não é nem nacionalista, nem independentista, como toda luta realmente proletária. A palavra de ordem de "libertação nacional" é sempre uma manobra da burguesia mundial para romper nossa luta, para isolá-la e isolar o proletariado em cada país, e fazer possível assim sua derrota, país por país, frente à "sua" burguesia nacional. (9) Se bem que, na atualidade, esta ideologia foi superada pelo movimento da Argélia, o contexto mundial, marcado por uma grande debilidade internacionalista, faz com que esta luta não seja reconhecida, vivida, compartilhada e assumida como tal, pelo proletariado em outros países. Na França, em particular, a não-luta global do proletariado levou a ver o movimento proletário da Argélia só através de imagens que a burguesia cria, o que provoca uma reação de indiferença, de rechaço ou de defesa de pútridas bandeiras social-democratas. Graças a isso, o estado francês pôde continuar apoiando e enquadrando para as forças da ordem na Argélia impunemente.

Sobre o terreno, não obstante, a capacidade de repressão e controle militar da situação se viu reduzida pela amplitude que tomou o movimento. Os distúrbios não cessam de explodir em outras regiões, separadas por muitos quilômetros de distância, o que dificulta a ação das forças da ordem que não podem estar materialmente presentes em todas as frentes de luta. Os proletários aproveitam a topografia acidentada da região para travar por todos os meios o deslocamento das tropas repressivas, bloqueando as estradas de acesso. Ademais, as autoridades das cidades onde ainda se mantém a paz social temem que a extensão do movimento ganhe essas cidades, e por isso têm grandes reticências a responder favoravelmente aos chamados de reforço lançados pelas zonas onde a luta é forte.

Em meados de junho, a burguesia constata que perdeu todo controle da situação em Cabila; a insurreição vence nas ruas e assedia as forças repressivas que se vêem obrigadas as entrincheirar-se dentro de campos fortificados: "Em Tadmït, Ouadhias, Boghni, Akbou, Aïn el-Hamman, Mekla, Larbaa-Nath-Irathen, Azazga, Bugia..., todas as brigadas da polícia nacional oferecem o mesmo espetáculo de fortins assediados, pórticos bloqueados, muros destroçados, fachadas incendiadas, portas arrombadas e, nos arredores, restos de pneus queimados, postes caídos e árvores tombadas, bloqueando todos caminhos que conduzem às brigadas. Por todos os lados, os comerciantes se negam a servir aos policiais. O boicote é total. As 36 brigadas de Cabila são aprovisionadas por Argel, mediante helicóptero ou rotas de comboios fortemente armados. Um jovem de Tigzirt, por ter lançado um pacote de cigarros para um policial, por cima do muro do quartel da brigada, quase foi linchado. O levantamento se transformou em insurreição generalizada. [...] Há três semanas não existe um só policial nas ruas de Cabila. Entrincheirados, a missão dos policiais é defender sua brigada e suas vidas. A região está nas mãos dos insurrectos". (10)

Contra o "particularismo cabilista", a luta se estende a outras regiões

Como sempre, quando a burguesia se encontra diante da radicalização de uma luta num território determinado, faz todo o possível para encerrá-la e evitar sua extensão.

"As autoridades temem que o movimento se espalhe como uma mancha de azeite. Os enfrentamentos já se estendem até as imediações de Sétif e os confins do leste de Cabila. No sábado, 28 de abril, houve uma tentativa de manifestação em Oran e Bourmedés, próximo de Argel, enquanto uma forte tensão reina na capital" (11), constatava um "enviado especial". A tática do governo é então apresentar a luta dos proletários em Cabila como um "combate pela identidade bérbere", mas ao mesmo tempo esse jornalista assinala com dedo prudente: "O medo de que o movimento ultrapasse Cabila levou o poder a tentar enquadrá-lo como uma reivindicação estritamente lingüística, escondendo o conjunto das reivindicações sociais e políticas que se expressam e que são comuns a todo o país. Isolando Cabila, Argel espera dispor o resto da população contra o particularismo de Cabila, com o objetivo de impedir toda unificação na contestação." (12) As frações burguesas instaladas no governo esperam utilizar os 250 km que separam Argel da província insurgente, para sufocar os riscos de "contaminação".

Mas o que se produz é o contrário, por muitos fatores:

· As condições de sobrevivência miseráveis impostas pela burguesia não são monopólio de Cabila, mas de toda Argélia, o que claramente constitui uma condição favorável para a generalização.

· Os proletários em Cabila atacavam alvos que, por seu significado, tornava difícil esse tipo de falsificação burguesa de que se trataria de uma reivindicação bérbere. Até os jornalistas reconheceram "que o incêndio que Cabila hoje conhece não tem comparação com as tensões que agitam regularmente a região. Desta vez não se trata em absoluto de reivindicações culturais e lingüísticas [...], mas de uma verdadeira explosão social. [...] Inclusive as formações políticas com forte inserção em Cabila, que controlavam e enquadravam não há muito tempo as reivindicações de identidade, já não são consideradas pelos manifestantes. Estes já não querem nem ouvir falar de reivindicações pacíficas e não têm dúvidas comunicar isso aos responsáveis da Frente de Forças Socialistas (FSS)" e, sobretudo, aos dirigentes da União pela Democracia e a Cultura (RCD), que pagam com isso sua participação no governo." (13)

Em 25 de abril, "as cidades de Sidi Aïch, El-Kseur, Tazmalt, Barbacha, Seddouk e Timezrit são presas dos saques de jovens exaltados que gritam palavras de ordem antigovernamentais. Os carros particulares não são respeitados, do mesmo modo que os tradicionais partidos que defendem a causa bérbere e de Cabila, que também foram destroçados e saqueados. [...] Os manifestantes incendeiam o edifício central da coleta de impostos, de Akbou e Barbacha, na Pequena Cabila. A estrada nacional entre Bugia e Argel foi bloqueada com barricadas levantadas pelos amotinados, impedindo toda circulação nuns 60 quilômetros." (14)

Ao atacar os partidos nacionalistas e expressar com clareza suo rechaço aos chamados "pela identidade", ao denunciar diretamente o "poder assassino", os proletários estão lutando concretamente pela extensão e o reconhecimento universal de sua luta. De fato, a carta da luta autonomista ou de identidade nacional não conseguiu se impor. Desde fins de abril, o conjunto da classe dominante foi tomado como alvo e reconhecido pelo que é: inimiga do proletariado. Esse reconhecimento inclui expressamente tanto frações autonomistas quanto frações governamentais, tanto as socialistas quanto as que não o são, tanto as oficiais quanto as de oposição. No 1º de maio, a RCD anunciava a retirada de seus dois ministros do governo de Argel, mas tal gesto não bastou para voltar a dar credibilidade a este partido frente aos proletários.

Durante os meses de maio e junho, aconteceram manifestações por toda Argélia (entre elas, duas em Argel), apesar de que muitas delas haviam sido proibidas pelas autoridades. Segundo os organizadores, as manifestações deviam ser pacíficas; como já é costume, as frações social-democratas organizam manifestações com o objetivo de subir no carro do movimento que lhes escapa. Isso parecia ter dado resultado durante um "período de calma", no qual os manifestantes seguiam docilmente os organizadores que patrocinavam como ação levar cartas de petições dirigidas ao governo. Mas a calma desse período resultou muito relativa e finalmente durou pouco tempo. A tentativa desmobilizadora fracassou e desde meados de junho, os confrontos recomeçaram com maior vigor, assumindo traços semi-insurrecionais. Além disso, o movimento se estende agora a novas regiões da Argélia.

Na sexta-feira, 1 de junho, os distúrbios explodem em Khenchela (550 km a leste de Argel), Aurès (um morto), Aïn Fakroun (500 km a leste de Argel) e El Ghozlane (130 km ao sul de Argel).

Duas semanas depois, na quinta-feira, 14, na mesma Argel, violentos enfrentamentos explodem, cerca das 13 horas, em torno da praça 1º de Maio entre proletários e a polícia antidistúrbios: "As pedras e os projéteis lançados pelos manifestantes são respondidos com granadas lacrimogêneas, canhões de água e balas reais. Alguns hangares do porto de Argel são saqueados. Esta parece ser a ação mais importante desde o início da revolta nascida em 18 de abril em Cabila. [...] Nas ruas de Argel, os nomes das cidades [são] pronunciados como as notícias de uma frente de que ninguém chega a prever suas chamas. [Em] ‘Kenchela, um morto – diz um -. [Em] Skikda, atrás das barricadas’, responde outro. ‘Souur El Gozlan destruído. E ‘Annaba, também’. Agora, a revolta ultrapassou amplamente Cabila, cujas zonas não se apaziguam há uns quarenta e cinco dias." (15) A manifestação de 14 de junho reuniu na capital entre 500.000 e 2.000.000 pessoas segundo as fontes. Todas as manifestações que se haviam sucedido durante os dois meses precedentes tinham seguido um único itinerário, imposto pelo estado. Esta foi a primeira ilegalmente desviada, sob a determinação dos proletários, para a sede da presidência da república.

Forças e debilidades do movimento

É necessário se remontar a 1988 para achar uma explosão similar na Argélia (de que falaremos a seguir). Num contexto mundial ainda globalmente marcado pelas debilidades das lutas de nossa classe, os últimos movimentos importantes a escala do continente africano datam igualmente de vários anos (16). Como em outros lugares do planeta, as ilhotas de intensa valorização do capital (extração de ouro, diamantes, urânio, mas também petróleo e gás...) e de pólos de concentração industrial coexistem na África com amplas zonas abandonadas pelos capitais, que constituem verdadeiras reservas internacionais de mão de obra barata, castigada por "recordes" de miséria absoluta. Se, para a eliminação do proletariado excedente (para as necessidades de valorização do capital, evidentemente), as mal denominadas catástrofes naturais não bastam (na realidade, penúria, fome, enfermidades diretamente ligadas ao modo de produção, entre as quais está a destruição do sistema imunológico, catalogada sob o nome de AIDS), os massacres e as guerras imperialistas, exoticamente atribuídas aos "ódios tribais" e os "conflitos interétnicos", complementam a imunda tarefa. Como em todos os lugares, as quimeras do "crescimento" e do "desenvolvimento" não são mais do que chamamentos disfarçados para se sacrificar aos interesses do capital. Por isso, contra toda ideologia que baseia sua análise na teoria de "países pobres e países ricos", nós afirmamos que a miséria mundial do proletariado não tem outra solução que não seja mundial e revolucionária.

Uma das maiores forças do movimento atual na Argélia consiste justamente em que é uma negação viva do mito derrotista burguês, segundo o qual a luta do proletariado não teria atualidade. A situação descrita aqui corrobora além do mais em diversos pontos a "caracterização geral das lutas atuais" (17), que nós pusemos em relevo numa de nossas revistas anteriores, a saber:

• O proletariado sofre hoje, sem uma resposta geral digna desse nome, a degradação extrema de sua situação, assim como grandes massacres.

• Quando o proletariado manifesta sua existência o faz repentinamente e de forma diretamente violenta, com base na sua ação direta, e tende a se afirmar fora de todo terreno particular ou setorial (locais de trabalho, bairros...). Essa afirmação violenta nega as divisões mantidas pela burguesia (trabalho, idade, origem, gênero...) e tende a se generalizar com um rechaço global ao estado e todo enquadramento social-democrata e reivindicativo (contra toda mediação do estado, dos partidos burgueses, contra as palavras de ordem legalistas, pacifistas, eleitorais...).

Estes traços essenciais de afirmação da luta proletária caracterizam também hoje o movimento proletário que se desenvolve em Cabila, em particular, e na Argélia, em geral:

• O velho arsenal social-democrata não tem nenhum efeito frente à ação determinada e violenta do proletariado.

• A revolta não proclama objetivos precisos e explícitos e não propõe nada de positivo.

• Os proletários expropriam diretamente a propriedade burguesa para satisfazer imediatamente as suas necessidades.

Além desses "traços característicos das lutas atuais", a luta apresenta forças que denotam um nível de enfrentamento ao capital superior ao geralmente alcançado pelas lutas atuais do proletariado.

A primeira impressão dessas forças reside no fato de que aqui, inclusive quando superada a rápida surpresa, a burguesia não foi capaz de levar adiante, de forma eficaz, sua contra-ofensiva. Contrariamente ao que se passou, por exemplo, nos distúrbios em Los Angeles (18), todas as tentativas burguesas de destruir o movimento, separando a maioria dos proletários de sua vanguarda, fracassaram.

É um fato real que na cabeça de tais ações se encontram majoritariamente "juventudes proletárias" (60% da população têm menos de vinte e cinco anos e, além disso, é o grosso da população mais afetada pelo desemprego); também é certo que podem às vezes levar suas lutas sob bandeiras islâmicas, mas as tentativas burguesas de particularizar a ação direta do proletariado, com base nessas realidades parciais, não tiveram até o presente peso real no movimento. A prática do amálgama, que consiste em apresentar a luta da vanguarda do proletariado como uma luta de "jovens amotinados", assaltantes, bandidos e "muçulmanos radicais", não teve o efeito esperado no resto do proletariado na Argélia. O movimento se mostra mais forte do que todas as divisões que a burguesia tenta impor e, como temos visto, quem luta hoje na Argélia é o conjunto do proletariado.

Certas "divisões do trabalho" que a burguesia nos apresenta como políticas não são mais do que técnicas e organizativas. Até agora, a solidariedade e a unidade foram realidades concretas do movimento. Ressaltamos que as ações, como o bloqueio das estradas, pressupõem um certo nível de organização e centralização do movimento. Inclusive se elas fossem hoje realizadas por um punhado de solitários proletários, estas ações constituiriam um esboço da assunção incipiente de aspectos militares de luta.

No período atual, outra especificidade do movimento na Argélia é sua excepcional duração e extensão. Contrariamente à maioria das expressões atuais do proletariado, que aparecem como um simples relâmpago num céu sereno, aqui, o movimento perdura desde o mês de abril... os sinais de tempestade continuam enchendo a burguesia de medo! Desde 18 de abril, o movimento proletário não cessou de se estender, tanto em longitude como em profundidade, e ainda hoje a luta continua:

• Estendeu-se por diversas regiões da Argélia.

• Os alvos atacados são de caráter cada vez mais global; todo símbolo do estado é um objetivo potencial.

• A ação direta se afirma cada vez mais como a única arma do proletariado contra o estado.

• O proletariado tende a traçar, cada vez com maior clareza, sua fronteira de classe com relação ao conjunto da burguesia e, muito particularmente, com as frações de esquerda (FFS, RCD).

Esta força, esta persistência do movimento atual, se situa em continuidade a respeito da força manifestada em lutas passadas. Faz mais de uma década, nós já assinalávamos em nossas revistas centrais que o movimento de 1988 na Argélia tinha sido um movimento de negação da sociedade atual, de ataque ao capital e seus defensores.

Em 1988...

• Os proletários tomaram os edifícios e os bens oficiais (prefeituras, veículos de representantes do governo, diferentes sedes do FLN, delegacias, palácios de justiça e lugares centrais da acumulação capitalista e da administração da mais-valia como bancos e centrais de arrecadação de impostos).

• Fartos das condições de sobrevivência, os proletários em luta não formularam nenhuma reivindicação precisa. Não exigiram reformas, mas, pelo contrário, a revolta esteve ligada às expropriações diretas, evidenciando que o objetivo não podia ser outro que o de se reapropriar do produto social de que os proletários são privados.

• O movimento de 1988 foi obra da rua e se desenvolveu na rua e não de empresas ou setores concretos, o que não deixa lugar para o enquadramento social-democrata, cujos sindicatos não tiveram a possibilidade de jogar o papel de sempre de recuperadores, canalizadores e destruidores da luta.

Está claro que o movimento que abrasa hoje muitas regiões da Argélia apresenta flagrantes similaridades com as lutas de 1988. Voltemos a extrair parágrafos do comentário de Libération de abril de 2001: "Erigindo barricadas, eles destroem os símbolos do estado e os postos de polícia. ‘é a revolta de uma juventude radicalizada [categoria aclassista!] que não tem nada a perder, pois já se encontra esmagada pela miséria e sem esperança’. ‘Vocês não podem nos matar, nós já estamos mortos’, gritam os manifestantes. Lançando pedras, incendiando pneus, com coquetéis molotovs; escapam totalmente do controle de todos os partidos políticos e demonstram uma raiva que ninguém parece poder canalizar: três sedes da FFS e numerosos locais da RCD foram, por outro lado, incendiados".

O processo de negação prática desde abril de 2001 renovou três aspectos que foram a força do movimento de 1988:

• Ataque a instituições e forças do estado.

• Ausência de reivindicações precisas, expressão de esgotamento generalizado de paciência dos proletários conscientes de não terem nada a perder, e de tampouco terem algo a ganhar negociando com o estado.

• O escasso resultado do tradicional enquadramento social-democrata do movimento (19).

Esta breve incursão histórica é suficiente para mostrar que o rechaço às estruturas de enquadramento social-democrata, como as lutas pela identidade, não cai do céu nem provem unicamente das condições de exploração imediatas. Aprender das lições de lutas passadas tem suma importância, e esta continuidade é infelizmente mal assumida hoje. Nós não dispomos de expressões claras ou textos de minorias provenientes da região, mas sabemos que as manifestações aconteceram em torno dos "monumentos" postos pelos proletários de fins de 1988. Nossa classe conseguiu assim manter viva a memória operária apesar das múltiplas tentativas de eliminar seus vestígios. Em todo caso, o desgaste progressivo das ideologias burguesas no transcurso de cada uma dessas lutas levou o proletariado a recusá-las cada vez mais abertamente.

Nestas bases, o movimento atual superou em certos pontos o seu predecessor:

• A "afirmação pela identidade cultural" e a "libertação nacional" já não são mais as portadoras da esperança dos proletários, para os quais quarenta anos de independência (dos quais vinte de governo do FLN) não trouxeram mais do que miséria e massacres suplementares.

• A ideologia islâmica perdeu seu peso, ao mesmo tempo que perdeu credibilidade a fração social-democrata que a representa, a FIS (20). "Hoje os muçulmanos não conseguem explorar as reivindicações dos jovens argelinos", ressaltou um historiador (21). Os próprios proletários denunciam as "concessões do presidente Bouteflika aos muçulmanos" como a recente diretiva governamental que proíbe o beijo nos bancos públicos e parques.

• Os movimentos independentistas parecem desacreditados quanto a sua capacidade de fazer mudanças reais. Apesar dos acentos "bérberes" de seu programa, a chegada do RCD ao governo não significou nenhuma mudança nas condições de vida em Cabila. Ao contrário, o proletariado denuncia sua participação nos planos de austeridade.

Cada onda de luta passada prepara assim diretamente as condições de um enfrentamento de classe futuro cada vez mais violento. Cada enfrentamento entre revolução e contra-revolução é um momento de exacerbação das contradições de classe, no curso do qual as máscaras caem, as ideologias desmoronam, as ilusões se dissipam..., abrindo-se assim a via da expressão cada vez mais clara do proletariado para a qual o empurram suas determinações históricas.

Da mesma maneira, o papel do exército na repressão feroz de 1988 (encarcerando, torturando, assassinando...) o faz aparecer hoje minado por contradições, pelo fato de que muitos soldados atuais participaram nos distúrbios da época. A exacerbação das contradições em seu seio constitui um limite para a repressão militar, ao menos quanto à amplitude que a mesma poderia tomar se o movimento continuar seu desenvolvimento. Inclusive um sociólogo ressalta: "Eu não penso que eles disparem contra o povo argelino. Os serviços especiais ou a polícia podem atirar. O exército de base, não o dos generais, têm primos e irmãos que vivem numa situação de merda. E se há mortos, os jovens vão romper com tudo, e isso seria uma aventura." (22) Se bem que esta realidade parece surgir como produto da continuidade histórica da luta de classes, isso não significa nunca que tudo estivesse disposto de antemão. Com efeito, até agora não conhecemos nenhum sinal sério de fraternização ou de derrotismo interno contra o mesmo exército, nem tampouco chegaram até nós sinais de que o proletariado tenha tentado tomar as armas que havia nos edifícios que atacou. Além disso, não se deve esquecer o papel que ainda podem ter as forças contra-revolucionárias, como as frações "direito humanitárias", que também preparam a repressão sob uma máscara de denúncia, tentando de fato encerrar o proletariado numa "luta pela democracia contra os generais sanguinários". Convém, segundo os apóstolos do pacifismo e do parlamentarismo, libertar Bouteflika da influência dos onze generais maiores (entre eles nove antigos oficiais do exército de libertação) que dirigem a Argélia, para permitir que o "processo democrático se desenvolva com normalidade". Isto significaria, mais uma vez, que a guilhotina parlamentar corte a cabeça do proletariado. Está claro que entre o sabre e o rochabus as urnas podem ter ainda um lugar honorável!

As soluções democráticas propostas pela burguesia

É evidente que a burguesia tenta também aprender as lições das lutas passadas. Por exemplo, como em 1988, a imprensa fala de uma "desesperança argelina", como um efeito específico do governo atual. Mas é óbvio que as condições às quais está submetido o proletariado não são exclusivas de um governo particular nem de uma nação particular.

Historicamente, todas as frações burguesas que governaram participaram na gestão sangrenta da Argélia colonial e pós-colonial, com o apoio permanente do estado francês que tanto se vangloria de ser "a pátria dos direitos do homem". Debilitado pela luta ascendente dos proletários na região, desde 1944, o espaço de valorização argelino foi, desde o princípio cimentado por diversos massacres efetuados na região de Magreb (Sétif, Fez...), depois, pela "independência nacional" e, por fim, pelo reforço do papel do exército na boa marcha dos negócios capitalistas. Ou seja, há décadas, na Argélia, os proletários excedentes são massacrados de forma direta, cruel e brutal. Aldeias e povoados inteiros são regularmente incendiados, a tortura como instrumento administrativo é moeda corrente, só muda a justificação invocada. Há dez anos, a continuidade dos massacres está assegurada graças a imposição da polarização "governo contra fundamentalismo islâmico" com a aparição da FIS, organização islâmica que desempenha o papel de uma clássica fração social-democrata.

Confrontada sucessivamente com a fração colonial (sempre presente), independentista, logo islâmica, os proletários tendem progressivamente a identificá-los globalmente como "sua própria" burguesia. Contrapondo-se ao mesmo tempo ao estado francês, a Bouteflika, aos generais, ao FIS, ao FFS, ao RCD e ao FMI, os proletários afirmaram na prática um reconhecimento cada vez mais claro de seu inimigo de classe: o estado do capital em geral, sob todas as suas formas e em todos os seus níveis de organização.

De fato, a sucessão das frações burguesas no governo repousa na sua incapacidade relativa para organizar as condições de produção que maximizam a valorização do capital, especialmente com base no aumento incessante das taxas de exploração dos proletários. A manutenção ou a substituição dessas frações depende não somente de sua capacidade de se impor e se manter dentro da guerra permanente que travam entre si, a fim de incrementar seus capitais respectivos, mas também de sua eficácia na gestão do antagonismo de classe, mais ou menos expresso conforme as circunstâncias históricas. Estes dois aspectos são indissociáveis do papel social da burguesia como classe dominante. A permanente presença, direta ou indireta, do estado francês se inscreve assim dentro da necessidade internacional de manutenção da coesão social na região.

O FIS é o produto de uma centralização de grupos estruturados em torno da ideologia islâmica. Adquiriu sua força como organização do descontentamento geral dos proletários na Argélia desde princípios dos anos oitenta. A prática desta canalização foi, desde o seu nascimento, canalizar a combatividade proletária para o terreno religioso: só o combate pela soberania de Alá permitirá recobrir de alegrias a vida, arrebatada pelos pagãos. O FIS enquadra as lutas reais do proletariado, desnaturando seu conteúdo. A vantagem que apresenta o enquadramento religioso, para a reprodução da dominação burguesa, é reconhecida inclusive dentro do governo do FLN (Frente de Libertação Nacional), que durante esses mesmos anos não cessou de financiar a construção de novas mesquitas e escolas muçulmanas, favorecendo de fato o desenvolvimento do FIS.

Sua complementaridade é evidente. Foi graças ao FIS que a combatividade proletária de outubro de 1988 foi desviada para a guilhotina parlamentar. Como bom partido social-democrata, o FIS clamava que a hora havia chegado para que a "soberania de Alá" se instalasse igualmente no parlamento. Participou ativamente no fortalecimento da ilusão que muitos proletários tinham quanto à organização das primeiras eleições livres desde "a independência". Mas a "livre escolha" entre candidatos verdugos não pode fornecer outra perspectiva senão a de sempre: repressão de sua luta e manutenção da exploração burguesa! O FLN, partido único até então, sofreu uma derrota única, em proveito dos dirigentes do FIS, partido em que os proletários, despossuídos de sua luta, investiram suas melhores esperanças. O FIS ganhou as eleições municipais em 1990, e o primeiro turno das gerais, em dezembro de 1991.

Entretanto, o segundo turno das eleições legislativas, previstas para janeiro de 1992, nunca ocorreu. Foram anuladas depois da tomada de direção dos aparatos centrais do estado pela fração burguesa unificada em torno do estado maior do exército.

A persistência de uma forte combatividade proletária durante este período nos permite compreender que, na realidade, o FIS foi superado pelos acontecimentos (os distúrbios de 1991). Desde então, a fração burguesa unificada em torno do estado maior do exército, sabendo que não tinha nenhuma credibilidade a defender frente ao proletariado, estimou que só podia restabelecer a ordem burguesa. A situação, que escapava também do controle do FIS, podia então repolarizar-se dentro de uma guerra interburguesa entre o FIS e os militares.

Uma participação no governo poderia ter sido fatal para o FIS. Sua composição é demasiado heterogênea para que pudesse, sem risco de deserção massiva, assumir concretamente as tarefas da região, a saber:

• Conduzir abertamente a necessária repressão dos elementos mais combativos de outubro de 1988.

• Continuar com a destruição do proletariado excedente.

• Executar os inevitáveis planos de austeridade futuros.

A aplicação deste programa provavelmente teria conduzido o FIS a perder toda credibilidade frente ao proletariado.

O "golpe de estado militar" permitiu impor assim a ordem aos proletários na Argélia preservando o FIS. A fração burguesa reagrupada em torno do estado maior do exército, que jogou o papel de partido da ordem, pôde exercer sua repressão, como sempre, devido à combatividade do proletariado ter sido previamente deslocada pelas frações social-democratas. É essencial ver aqui que, apesar de não participar (oficialmente) do poder, o FIS havia preparado o enquadramento parlamentar dos proletários, o que de fato foi decisivo na restauração da ordem burguesa.

Assim, as frações social-democratas conseguiram preservar quase intacta sua imagem, apesar da real colaboração repressiva. Mais ainda, a fração islâmica podia se apresentar como mártir e continuar seu papel de catalisador do descontentamento proletário. Se não se pode excluir que certas frações islâmicas tenham inclusive empurrado certos proletários a efetuar atos de terror burguês, é inegável que a maioria - senão a totalidade - dos massacres, habitualmente atribuídos ao "islamismo armado", são pura e simplesmente atos do exército argelino, e portanto também do estado francês, através do enquadramento e aprovisionamento das forças repressivas argelinas que este não deixou de proporcionar. Enfim, quando, sob a bandeira islâmica ou não, o proletariado desenvolve seu terror de classe contra o exército ou outras milícias organizadas pelo estado, nada mais normal do que a burguesia colocar as qualificações ideológicas de "fundamentalismo muçulmano" e "massacre cego de inocentes". Este amálgama e a "luta contra o terrorismo" constituem as coberturas ideais para a aplicação sistemática, por parte da burguesia, de seu próprio terror de classe, "o terrorismo de estado". Assim, se justifica a militarização crescente do regime como "esforço nacional", em que o proletariado paga sempre o pato. A polarização burguesa entre FIS e militares, "terrorismo versus antiterrorismo", fez possível a desarticulação de toda verdadeira luta sob bandeiras proletárias e a imposição de condições de vida ainda piores, sempre pautadas além disso por novos massacres.

 

As "arch"

Uma debilidade importante, que constatamos e que na realidade é recorrente em todos os movimentos atuais que sucedem através do mundo, é que o conteúdo proletário é afirmado pelo próprio curso da luta, mas não é reivindicado explicitamente. O objetivo comunista não é identificado, não é assumido conscientemente.

Em escala internacional, as minorias que praticamente atuam na vanguarda do movimento quase nunca reivindicam as determinações classistas. A bandeira revolucionária que corresponde ao conteúdo das lutas aparece assumida muito rara e confusamente. Esta inconseqüência apresenta diversos aspectos nefastos:

• Contribui para o isolamento extremo da luta do proletariado na Argélia com relação à luta do resto do proletariado internacional.

• Permite à burguesia utilizar esta falta de clareza para transformar a luta em conflitos interburgueses.

Uma crítica militante e responsável destas debilidades deve se inscrever imperativamente numa perspectiva revolucionária e diretamente internacionalista. É neste sentido que nós nos esforçamos aqui em:

• Mostrar as determinações históricas que o movimento em seu desenvolvimento contém, ainda que o mesmo não consiga afirmá-lo explicitamente.

• Criticar as debilidades atuais da luta dos proletários na Argélia.

• Superar a fragmentação do movimento proletário em escala mundial, não somente criticando as debilidades de nossa classe, mas também difundindo internacionalmente a presente contribuição.

É certo que um movimento não pode ter essa duração e profundidade sem que se desenvolva um processo de organização e autonomização (isso se dá muitas vezes antes da explosão). As formas de desenvolvimento no transcurso deste processo, as bandeiras que levanta, nos parecem, entretanto, pouco precisas. Nenhuma estrutura do movimento parece, até o presente, ter dado provas de uma atividade internacionalista conseqüente, fazendo contatos com minorias proletárias do resto do planeta. A ausência de redes proletárias de difusão da luta nos impõe, no momento, uma dependência quase total da informação (desinformação) que a burguesia nos dá, o que significa ter uma informação deturpada e incompleta, que oculta as forças da luta (em particular no que concerne à sua autonomia), fabricando a apologia de suas debilidades.

A imprensa menciona tão somente como estrutura organizativa do movimento o "comitê de tribos", as archs. Estas teriam sido iniciadoras dos diversos "chamados para manifestar". A imprensa os descreve como "estruturas ainda nebulosas"; nós sabemos muito pouco sobre estes "comitês". Trata-se do renascimento de uma antiga estrutura social aldeã, que teria desaparecido há mais de um século, depois do massacre de uma revolta em Cabila, em 1871. Esse "grande levante de Cabila" foi afogado em sangue pelos mesmos generais franceses que tinham massacrado a Comuna de Paris. Segundo a imprensa, sua ressurreição se explicaria "pela vontade de extrair da cultura local as modalidades de representação que permitem atravessar as divisões administrativas. A referência aos laços de sangue constitutivos da arch permite reagrupar as aldeias pertencentes à mesma linhagem, mas dispersas entre as diversas comunas e subprefeituras.[...] Uma dupla necessidade presidiu a ressurreição dessas estruturas sociais tradicionais; primeiro, a firme recusa pelos amotinados de todas as formas de organização políticas legais, seguida pela necessidade de transcender as divisões partidárias." (23) Além da linguagem e do particularismo cultural, podemos captar que esta ressurreição das estruturas inter-aldeãs, até então proibidas, expressa ao menos a realidade de uma luta contra o isolamento e contra as organizações políticas legais.

Como geralmente é o caso de todas as plataformas que emergem das lutas atuais, a dos comitês confunde reivindicações baseadas nas necessidades reais de nossa classe com outras que mantém as polarizações burguesas e os particularismos locais: "Exigem, em desordem, a retirada imediata da polícia, o socorro estatal às vítimas da repressão, a anulação dos processos contra os manifestantes, a consagração do tamazight como língua nacional e oficial, direitos de liberdade e justiça, a adoção de um plano de urgência para Cabila e o pagamento de uma indenização a todos os desempregados." (24)

Na atualidade, "a função desses comitês de aldeias é essencialmente defensiva", dizia um comentarista preocupado em denunciar a imaturidade política do movimento. Depois, agregava desdenhosamente, comentando os êxitos das archs: "Como poderiam não aderir a um discurso que exige reparação pela agressão sofrida? É um recheio total de reivindicações diversas, que não estão fundadas em nenhuma idéia de programa político." (25) Esta estrutura (que reagrupa 2000 delegados) afirma na realidade que "nada é negociável" e é justamente isto que julgamos como a sua força. A ausência de projeto político no sentido burguês significa para nós o rechaço de cair nessa farsa de sempre da social-democracia de se responsabilizar enquanto gestores do capital. As arch recusam assim todo processo eleitoral dentro da repartição das responsabilidades.

No entanto, é difícil avaliar a expressão dessas contradições no seio das archs, pois este aspecto escapa às informações filtradas pelas agências de imprensa e seus zelosos comentaristas. Do que estamos seguros é que não se pode reduzir ou julgar, em função de certos chamados a se manifestar "pacificamente" (quando a violência proletária se afirma na menor oportunidade), nem em função das declarações de um ou outro de seus "representantes" ou dos eventuais candidatos a interlocutores do estado, quando os proletários que se reconhecem nas archs não só incendiaram os edifícios dos partidos autonomistas e as "casas de cultura bérbere", como também rechaçaram, com coquetéis molotovs, o "programa especial de ajuda econômica à região", que foi proposto pelas autoridades no dia seguinte das primeiras jornadas de distúrbios.

Do que podemos estar seguros também é que as reivindicações de identidade e democracia constituem objetivamente o programa que a burguesia local, nacional e internacional, procura impor. O proletariado não tem nada a ganhar com este programa... mas tudo a perder! Na Argélia, dado o conteúdo real das ações diretas, é um fato que o movimento proletário afirma concretamente sua luta contra o programa democrático, dentro de suas variantes parlamentares, de identidade nacional... – ainda que, como sempre, seja uma minoria de proletários que afirma essa ruptura. É evidente que em toda luta do proletariado se encontram presentes programas que estão muito abaixo das rupturas reais que o movimento afirma em sua prática, assim como os meios de difusão burgueses sempre acentuarão as expressões mais confusas do movimento, visando a desapropriar o proletariado dos aspectos mais potentes de sua luta.

Contra o mito da invencibilidade do estado

De maneira geral, a social-democracia nos apresenta atualmente a luta de classes como uma luta "aparato contra aparato", "policiais contra manifestantes", "jovens subversivos argelinos contra exército argelino"..., ou seja, o enfrentamento entre aparatos em si; mas este tipo de postulado dualista não enfoca mais do que a potência de cada aparato em si, tomado isoladamente. Se, no fim do combate, o aparato contestador se reconhece vencido, se deduzirá que a potência do estado era superior desde o início. Frente à derrota, as frações social-democratas declararão que não era o momento de lutar, enquanto algumas frações do proletariado vão proclamar o voluntarismo armado como único meio de atacar o estado todo poderoso (26). É neste quadro de análise não dialético que emerge o mito da onipotência do aparato estatal. A ideologia do reformismo armado (em particular, o foquismo) pretende que cada nova força adquirida pelo "aparato militar proletário" (células combatentes, guerrilhas...) corresponde a uma diminuição da potência do aparato burguês, até a maturidade completa do "estado proletário". A ideologia do derrotismo burguês, por seu lado, afirma que cada derrota do proletariado implica um reforço seguro da invencibilidade do estado. Entre estas duas ideologias há uma simples inversão de pontos de vista. O postulado de que a luta permanece sendo um enfrentamento "aparato contra aparato", que implicaria que a força perdida por um dos campos se transfere ao outro, até gerar um "campo vitorioso", continua sendo o mesmo.

Em oposição a esta incompreensão da natureza dialética das relações sociais, nós afirmamos que:

• O mito da "onipotência" atual do estado não tem outra realidade efetiva senão como conjunto de idéias cristalizado em matéria contra-revolucionária, como meio para desanimar o proletariado de toda luta, considerada de todas as formas perdida por antecipação, frente ao invencível colosso estatal.

• O desenvolvimento do poder do estado burguês é sempre resultante da luta de classes, da correlação de forças entre proletariado e burguesia. Falar de invencibilidade da burguesia, de desaparição da perspectiva revolucionária, revela uma incompreensão do modo de desenvolvimento real da luta de classes; este imediatismo encobre que a luta de classes se desenvolve sempre através de saltos quantitativos, entrecortada por períodos de paz social mais ou menos longos. E, evidentemente, a duração dessa paz social pode fortalecer o mito do triunfo definitivo da burguesia ou a busca idealista de outro motor da história que não seja a luta de classes.

• Em cada nova onda de luta importante, o enfrentamento entre classes se faz cada vez mais tenso. É dialeticamente no movimento de confronto entre revolução e contra-revolução que o proletariado afirma e desenvolve sempre com maior clareza seu projeto revolucionário. É no transcurso mesmo da luta que os antagonismos se revelam e que o proletariado faz as rupturas necessárias frente às forças contra-revolucionárias que freiam o desenvolvimento de sua luta, tendente à abolição da sociedade de classes.

É por isso que nós não vemos, na eventual paralisação do movimento proletário na Argélia, uma "derrota" de nosso movimento. Como Marx dizia, referindo-se à "derrota da revolução de 1848": "Mas o que sucumbia nestas derrotas não era a revolução. Eram os tradicionais apêndices pré-revolucionários, resultado de relações sociais que ainda não tinham se intensificado o bastante para tomar uma forma bem precisa de contradições de classe: pessoas, ilusões, idéias e projetos dos quais não estava livre o partido revolucionário antes da revolução de fevereiro e dos quais a ´vitória de fevereiro´ não podia libertá-lo, mas só uma série de derrotas. Numa palavra: o progresso revolucionário não se realizou com suas conquistas diretas tragicômicas, mas, pelo contrário, engendrando uma contra-revolução cerrada e potente, engendrando um adversário, em luta contra o qual o partido da subversão amadureceu, convertendo-se num partido verdadeiramente revolucionário." (Marx, A Luta de Classes na França, de 1848 a 1850)

A crítica revolucionária pode também esgrimir resolutamente a atual luta do proletariado na Argélia como portadora da perspectiva revolucionária, como prova viva da potência que a classe proletária contém quando enfrenta diretamente o estado.

A luta contra o isolamento

A questão que nós queremos colocar agora é tratar de compreender o que condiciona a atual paralisação, evidentemente provisória, das lutas proletárias tão perspicazes e profundas que se desenvolvem na Argélia. Parece-nos totalmente insuficiente explicar isso só pelas debilidades internas do movimento. Parece-nos, pelo contrário, que devemos insistir na cruel falta de internacionalismo proletário em outras partes, na solidariedade com a luta dos proletários na Argélia. Com efeito, se a repressão ou o esgotamento conseguem parar momentaneamente o movimento, isso não demonstra em absoluto a onipotência do estado em si, mas sim, e para além das debilidades internas do movimento, uma primeira conseqüência da falta atual de manifestações de internacionalismo proletário.

É uma necessidade vital para o proletariado acabar com a separação, o isolamento, o não-reconhecimento de suas próprias lutas em qualquer parte do mundo. É necessário compreender que é, em última instância, a ausência de solidariedade proletária internacional que hoje permite à potência repressiva do estado se sobrepor frente e contra nossas lutas. Isto aconteceu na Albânia, Iraque... e, em última instância, em cada grande explosão proletária das últimas décadas. Na hora de escrever estas linhas, não vemos como poderia ser de outra forma com relação ao movimento proletário na Argélia. O reconhecimento da luta dos proletários na Argélia pelo resto do proletariado internacional, seu prolongamento com base na luta dos proletários do resto do mundo contra sua própria burguesia, é a única maneira de apoiar praticamente o movimento na Argélia.

A burguesia é plenamente consciente desse fato. Por isso, faz o que pode para evitar esse reconhecimento. Sua primeira tática consiste invariavelmente em estabelecer "cordões sanitários" para isolar o proletariado em luta do resto de sua classe, no mundo.

Na Argélia, o primeiro cordão que a burguesia estabeleceu foi isolar a luta em Cabila como se fosse uma "luta pela identidade bérbere". Mas tal cordão sanitário foi rompido graças ao reconhecimento por parte dos proletários do resto da Argélia, que em sua prática expressaram esse reconhecimento e desenvolveram uma "luta comum" contra o "poder assassino" que sofrem cotidianamente todos os proletários. A extrema e flagrante comunidade de interesses foi o motor da extensão do movimento e do nível de generalização alcançado.

O segundo cordão sanitário, eficaz desta vez, consistiu em isolar a luta do proletariado da Argélia do resto do mundo. A facilidade com que a burguesia consegue isolar as revoltas proletárias é uma característica importante do período atual. Isso é possível, antes de tudo, pela falta de organizações proletárias internacionalistas no mundo. Graças a seu monopólio da informação, a burguesia consegue particularizar, desnaturar, amalgamar e até negar o caráter classista das lutas. Os meios de comunicação assumem assim um nível estatal essencial na organização do capital como força de dominação. Com um movimento de varinha mágica, os meios de desinformação transformam assim em espetáculo compassivo os massacres cometidos na Argélia. Transformam o enfrentamento violento de nossos irmãos de classe contra sua própria burguesia numa "luta pela democracia". Aos olhos do proletariado internacional transformaram a luta contra o sistema numa luta pela "democratização das instituições". Nos apresentam a luta que opõe na Argélia o proletariado à "sua própria" burguesia como uma luta que confronta "maus generais" (cruéis, corruptos, responsáveis por todos os males, a inflação e até os massacres) a "bons voluntários pela democracia" . Estes últimos teriam as "mãos atadas" por generais, que "só dirigem realmente o país há quinze anos".

A solução proposta pelos meios de comunicação e pelas empresas humanitárias de todo tipo é reclamar, fazendo petições e mais petições, "uma comissão de investigação internacional sobre os abusos do regime"! Preparam assim um enquadramento da gestão do capital pelas estruturas estatais em sua concreção mais internacional. Este tipo de política participa também na construção do "cordão sanitário". A respeito, mostramos numa revista precedente o papel mal disfarçado que a OTAN desempenha, evitando por todos os meios que se desintegre a paz social em escala internacional. Com o aumento dos subsídios à OTAN, busca-se reforçar os "cordões sanitários" de proteção das "zonas sãs" contra todo risco de que as mesmas sejam "contaminadas" pelas lutas proletárias. Isolando as zonas em luta, a OTAN permite a indispensável restauração da coesão social interna de cada estado frente a seu respectivo proletariado. Enquanto essa ordem social não é restabelecida, não há vitória para nenhuma das frações da burguesia internacional! É diretamente em escala mundial que se prepara o massacre de nossos irmãos de classe em luta na Argélia e que se leva a cabo a perpetuação deste sistema de exploração.

É igualmente em escala internacional que se determina o fim da capacidade de intervenção do aparato repressivo do estado argelino, francês ou qualquer outro. A capacidade repressiva de todos os níveis de organização do estado está, antes de tudo, determinada pela combatividade do proletariado que lhe faz frente em cada país. Assim como a paralisia atual do estado argelino revela um nível de luta do proletariado da região, a reestruturação do poder nesse país só poderá se realizar com base na passividade do proletariado no resto do mundo, diante desses acontecimentos. Não existe a "onipotência" nem de um estado nacional particular, nem de nenhuma coalizão internacional burguesa!

A decisão de uma repressão militar de envergadura é um perigo para a burguesia. A natureza contraditória do exército, composto também de proletários com uniforme, é sempre um ponto sensível do modo de produção capitalista. Historicamente, se sabe e se teme a rapidez com que se decompõem os exércitos burgueses quando os proletários que o constituem fraternizam com os proletários aos quais são obrigados a reprimir. Na Argélia se viu claramente que a burguesia é consciente da fragilidade de seus exércitos, compostos majoritariamente por proletários que viveram os distúrbios de 1988. Ao contrário da luta "aparato contra aparato" ou do enfrentamento de "policiais contra manifestantes", a ação derrotista revolucionária, tanto na frente como na retaguarda, atormenta sem cessar o mito da "onipotência" do estado!

A generalização da luta se impõe ao proletariado como uma necessidade vital. Contra o mito da "onipotência" do estado, a luta de nossos irmãos de classe na Argélia nos mostra que é graças ao fato de que a luta não deixou de se estender que eles se mantêm em pé. Mas também nos mostra que a ausência completa de solidariedade proletária internacional significa sua paralisação.

Só afirmando nossa força, em todo mundo, poderemos realizar a negação mortal deste sistema que nos mata!

Só a generalização da luta permitirá a superação revolucionária da sociedade de classes, dando nascimento a uma sociedade que satisfaça realmente as necessidades humanas!

Estendamos a luta!

Classe contra classe!

Retomemos a bandeira da revolução mundial!

Outubro de 2001

***

Notas :

1. Le Monde, 24 de abril de 2001.

2. Yahoo! Actualites, 26 de abril de 2001.

3. Libération, 24 de abril de 2001.

4. Libération, 24 de abril de 2001.

5. Rassemblement pour la culture et la démocratie" (União pela Cultura e a Democracia), "Front des forces socialistes" (Frente de Forças Socialistas) e "Mouvement Culturel Berbère" (Movimento Cultural Bérbere).

6. Comentário do enviado especial de Rádio França, informativo da Rádio Televisão Belga, 17 de junho de 2001.

7. Libération, 30 de abril de 2001.

8. Libération, 30 de abril de 2001.

9. Essa política burguesa de libertação nacional foi apregoada pela dita Internacional Comunista desde seu II Congresso, em 1920.

10. Le Soir, 16 e 17 de junho de 2001.

11. Libération, 30 de abril de 2001.

12. Libération, 30 de abril de 2001.

13. Libération, 30 de abril de 2001.

14. Le Monde, 26 de abril de 2001.

15. Libération, 14 de junio de 2001.

16. Recomendamos ao leitor nossos artigos, em espanhol e francês, sobre a luta dos proletários, em Marrocos, em Comunismo número 7, junho de 1981; Túnis e Marrocos: Comunismo números 15 e 16, fevereiro de 1984; África do Sul: Le Communiste número 21, dezembro de 1984 e número 23, novembro de 1985; Nigéria, em Comunismo número 37 de agosto de 1995 e número 14, outubro de 1983. Ademais, desde as insurreições no Iraque, em 1991, aconteceram lutas importantes no Egito e Máli.

17. Ver Comunismo, número 33, julho de 1993.

18. Ver Comunismo, número 32, novembro de 1992.

19. Depois de dez dias de distúrbios, a mesma imprensa estabelecia a relação: "Esta revolta se parece como duas gotas de água a que sacudiu o país, em outubro de 1988, e na qual houve 500 mortos em conseqüência dos disparos do exército contra a multidão". Libération.

20. "Frente Islâmica de Salvação".

21. Le Figaro, 5 de julho de 2001.

22. Libération, 14 de junho de 2001.

23. L’Intelligent [sic] - Jeune Afrique, número 2113, 10-16 julho de 2001. A propósito das archs, ver também Le Monde Diplomatique, julho de 2001.

24. L’Intelligent [sic] - Jeune Afrique, número 2113, 10-16 julho de 2001.

25. L’Intelligent [sic] - Jeune Afrique, número 2113, 10-16 julho de 2001.

26. Com respeito a este tipo de ação do proletariado recomendamos ao leitor nosso artigo "Critique du Réformisme armé" (Crítica do reformismo armado), Communisme número 17, julho de 1983, assim como outros dois artigos sobre o tema do "terrorismo": Contra el terrorismo de estado, de todos los estados existentes, Comunismo número 23, outubro de 1986 e "Discussion sur le terrorisme" (Discussão sobre o terrorismo), Communisme, número 3, setembro de 1979 e número 5, janeiro de 1980.



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