Tópicos de Sociologia Geral

Max Weber, Karl Marx e Émile Dürkheim

 

Por Julian Szymański, Julho/2005

 

Max Weber

 

A que se dedica a sociologia compreensiva ou interpretativa de Max Weber ?

   Dedica-se a buscar compreender o significado, sentido e motivação das ações sociais. Weber vê como objetivo primordial da sociologia a captação da relação de sentido da ação humana, ou seja, chegamos a conhecer um fenômeno social quando o compreendemos como fato carregado de sentido que aponta para outros fatos significativos. As ciências naturais procuram explicar as relações causais entre os fenômenos, enquanto que as ciências humanas precisam compreender processos da experiência humana que são vivos, mutáveis, que precisam ser interpretados para que se extraia deles o seu sentido. Ao aplicar o método da compreensão aos fatos humanos sociais, Weber elabora os fundamentos de uma sociologia compreensiva ou interpretativa. Abandona-se abordagem positivista para estudar ciências sociais

 

Qual o fundamento da sociologia compreensiva postulada por Weber ?

   O homem pode compreender suas próprias intenções pela introspecção. As condutas humanas são singulares, em oposição à explicação causal dos fatos sociais em Dürkheim.

 

O que Weber entende por ação social ?

Conduta ou atividade humana que tem um sentido subjetivo dado pelo próprio sujeito ou agente que espera um reconhecimento social. Ex. Por que se comete um ato terrorista ?

 

Quais os tipos de ação social estabelecidas por Weber ?

Os tipos são : (1)Ação racional com relação afins (ex. engenheiro que constrói uma estrada, onde a racionalidade é medida pelos conhecimentos técnicos do indivíduo visando alcançar uma meta); (2) Ação racional com relação a valores (ex. indivíduo que prefere morrer a abandonar determinada atitude, onde o que se busca não é um resultado externo ao sujeito mas a fidelidade a uma convicção); (3) Ação tradicional (motivada pelos costumes, tradições, hábitos, crenças, quando o indivíduo age movido pela obediência a hábitos fortemente enraizados em sua vida); (4) Ação afetiva (reação emocional do sujeito quando submetido a determinadas circunstâncias). Ao contrário de Durkheim, Weber não pensa que a ordem social tenha que se opor e se distinguir dos indivíduos como uma realidade exterior a eles, mas que as normas sociais se concretizam exatamente quando se manifestam em cada indivíduo sob a forma de motivação.

 

O que Weber entende por dominação legítima e por que toda dominação precisa de uma legitimidade ?

   O legítimo para Weber é aquilo que é aceitável, aquilo que o povo consente. A dominação precisa de legitimidade porque não se mantém apenas por força bélica. A dominação legítima é aquela permitida pelo povo dominado, ou aceitável, ou justificada ou consentida.

 

Quais são os tipos puros ou ideais de dominação legítima, segundo Weber ?

   Dominação racional-legal (crença nas leis e no Direito), dominação tradicional (crença na hereditariedade) e dominação carismática (crenças nas qualidades extraordinárias do governante, em sua capacidade seduzir, encantar os governados).

 

Que relação Weber estabelece entre racionalidade instrumental e o “desencantamento do mundo” ?

   Quanto maior a racionalidade e tecnicidade, menor a capacidade de criar e sonhar. Quanto maior a perda da ‘humanidade dos homens”, mais freqüente o “desencantamento do mundo”.

 

Para Weber a religião tem papel fundamental ma maneira pela qual a sociedade se organiza. Religião, para Weber, é uma visão do mundo. Influencia a economia, o direito, a política, a cultura, etc.

 

O que é dominação para Weber ?

   Dominar é impor seus interesses e vontade a outro indivíduo ou grupo de indivíduos.

 

O que dá legitimidade à dominação ?

   Dão legitimidade as leis, a tradição e o carisma, bem como a mistura dos três.

 

Max Weber nunca diria, como Durkheim, que a curiosidade histórica deve subordinar-se à investigação de generalidades. Quando o objeto do conhecimento é a humanidade, é legítimo o interesse pelas características singulares de um indivíduo, de uma época ou de um grupo, tanto quanto pelas leis que comandam o funcionamento e o desenvolvimento das sociedades (...) A ciência weberiana se define, assim, como um esforço destinado a compreender e a explicar os valores aos quais os homens aderiram, e as obras que construíram

 

Karl Marx

 

O que provoca as mutações na sociedade são os interesses conflituosos entre seus membros, especialmente o conflito de interesses de classes.

 

Concepção de Estado. O Estado nem sempre existiu e não existiria para sempre. É o resultado de um processo histórico, produto do conflito entre as classes sociais. Destina-se a assegurar a exploração de uma classe por outra. O Estado deixará de existir quando desaparecerem as funções para as quais ele foi criado (comunismo). Tipos de Estado: escravista, feudal, capitalista, socialista e comunista (extinção do Estado).

 

Dialética, segundo Marx, é a idéia segundo a qual tudo está em constante mutação, inclusive a sociedade.

 

Classe social, segundo Marx, é o lugar que a pessoa ocupa na produção ou na sociedade. O principal critério para definir a classe social é a propriedade ou não dos meios de produção.

 

Mais valia é aquilo que o trabalhador produz além do que recebe em salário. A absoluta é a que se obtém quando o trabalhador trabalha mais tempo possível. A relativa é a que se obtém quando o trabalhador produz mais em menos tempo (depende de ciência e tecnologia).

 

Alienação é a perda de consciência da realidade ou do grupo (classe)  ao qual se pertence. Como os trabalhadores recuperam a consciência ? Através da práxis (prática) que é uma ação consciente, intencional para modificar uma situação. Os tipos de alienação são : (a) econômica, o trabalhador não é mais dono dos meios de produção; (b) política, há a perda da consciência de que o trabalhador é a parte mais importante do processo produtivo.

O marxismo, a partir do materialismo histórico-dialético, postula que a consciência (e portanto as representações sociais) é determinada, em última instância, pelas relações materiais da sociedade. A relação entre a vida material e o mundo das idéias se dá dialeticamente, ou seja, os homens são determinados pelas circunstâncias, mas igualmente, as determinam. Assim, os homens não são sujeitos passivos de um processo histórico, mas agentes que influenciam coletivamente seu processo

 

Premissas para a Existência do Capitalismo. (1) existência de um capitalista, i.e., pessoa que tenha acumulado dinheiro e queira mais (os primeiros foram comerciantes, e praticantes da usura); (2) existência de trabalhadores disponíveis (que surgiram pela desapropriação das terras em conseqüência da industrialização); (3) aperfeiçoamento tecnológico e avanço científico, por ser um modelo de concorrência; (4) destinação dos bens produzidos ao mercado.

 

Estrutura Social → Segundo Marx, sociedade é uma totalidade complexa e indivisível composta de uma infraestrutura e de uma superestrutura. A infraestrutura é o arcabouço econômico ou base material. É onde ocorre a produção, a exploração e os conflitos de classe. A superestrutura é o arcabouço jurídico, político e ideológico da sociedade. É onde se situam instituições que se prestam a resolver os conflitos que ocorrem na infraestrutura.

 

O papel do Estado, do Direito e da Ideologia. Segundo Marx, o papel principal do Estado é assegurar a continuidade da exploração da burguesia sobre os trabalhadores. O papel principal do Direito é dar legitimidade à ação do Estado. O papel principal da Ideologia é fazer com que cada indivíduo reconheça seu papel na sociedade como sendo normal e natural.

 

Revolução Social ocorre quando quando nem o Estado, nem o Direito, nem a Ideologia conseguem mais resolver os conflitos na sociedade.

 

Fontes do Marxismo → Filosofia Idealista Alemã (Hegel), de onde Marx desenvolve sua idéia de dialética materialista, e a Economia Política Britânica (Adam Smith e David Ricardo), de onde cria a idéia da mais-valia.

 

 

 

Émile Dürkheim

 

Fato Social, de acordo com Dürkheim, é o fenômeno produzido pela sociedade que exerce uma pressão sobre os indivíduos. Ex. língua, moral e lei. Suas características são a exterioridade (não depende do indivíduo para existir), coerção social (causa constrangimento ao indivíduo), generalidade (é comum a todos). A sanção aplicada ao indivíduo pela falta de adesão a fatos social aceitos pela comunidade pode ser legal ou espontânea (plano moral).

 

Sociedade Simples → consciência coletiva, direito repressivo, solidariedade mecânica.

 

Sociedade Complexa → consciência individual, direito restritivo, solidariedade orgânica.

 

Divisão Social do Trabalho → Nas sociedades simples há mais homogeneidade de crenças e valores, há mais coesão. Indivíduos estão unidos pelo fato de serem muito semelhantes. Há um padrão de conduta. Nas sociedades complexas não prevalece a consciência coletiva (cada qual pode ter suas crenças, valores, preferências). A solidariedade orgânica implica cada indivíduo depender do outro (o médico depende do engenheiro, que depende do advogado, que depende do comerciante, que depende do médico).

 

Estados da Sociedade → a sociedade é como se fosse um “organismo vivo”. Pode passar por vários “estados” dependendo da força ou efetividade das leis e da moral (normalidade, patologia e anomia – estado extremo em que não há leis que funcionem).

 

 

Marx x Dürkheim x Weber

 

Marx e Dürkheim consideram que pessoas estão freqüentemente envolvidas em um turbilhão de acontecimentos, os quais elas próprias não são capazes de analisar.

 

Marx e Weber em suas teorias, cada um à sua maneira, refletem o mesmo caráter crítico com respeito às pretensões absolutistas e universalistas das teorias econômicas de corte liberal.

 

Marx, Dürkheim e Weber Embora, distintos em quase tudo, os três concordam com a idéia de que o individualismo é uma criação da cultura capitalista ou industrial, conforme a designação de cada autor. as configurações institucionais contemporâneas seguiram um curso diverso das previsões analíticas dos clássicos da sociologia, fossem as de Marx, Durkheim ou Weber. As revoluções socialistas, quando ocorreram, se passaram de forma muito distinta da imaginada pelo socialismo científico de Marx e Engels,  da mesma forma que a ampliação das liberdades individuais, do hedonismo e da cultura individualista acabou de vez  com a idéia de que as pessoas têm um comportamento passível de ser apreendido por normas, conforme o pensamento de Durkheim.