Situações de emergência

As informações contidas nesta página, foram retiradas do livro:

O grande livro das mães ( Dr. Jacob Renato Woiski - Editora Melhoramento ).

 

 

Afogamentos

 

 

Desmaio

 

 

Intoxicações

 

 

 

 

 

 

Arranhões

 

 

Distensão

 

 

Luxação

 

 

 

 

 

 

Asfixia

 

 

Entorse

 

 

Manchas rochas

 

 

 

 

 

 

Choque elétrico

 

 

Fraturas

 

 

Picadas e mordidas

 

 

 

 

 

 

Convulsões

 

 

Hemorragias

 

 

Queimaduras

 

 

 

 

 

 

Corpos estranhos

 

 

Inconsciência

 

 

Ruptura do tendão

 

 

 

 

 

 

Cortes

 

 

Insolação

 

 

Técnicas especiais

 

 

 

 


Afogamentos

Ver Asfixia.


Arranhões

São lesões superficiais mas, se não forem tratadas, podem infeccionar. Lave sempre o local com água para retirar eventuais impurezas, como terra, poeira, graxa, e remova espinhos ou farpas. Passe um anti-séptico (mercúrio-cromo ou mertiolate) e proteja com gaze e esparadrapo. Não exagere no tamanho ou na vedação do curativo pois isso atrapalha a oxigenação do ferimento e retarda a cicatrização.


Asfixia

Se os pulmões receberem por certo tempo menos oxigênio do que necessitam, a criança ficará azulada nos lábios, dedos, asas do nariz e lóbulos das orelhas. Os batimentos cardíacos serão acelerados e ela fará também grandes esforços para conseguir respirar.

Nos casos mais simples - quando a criança engasga com comida ou fica com alguma coisa "entalada" na garganta - ocorre apenas um início de asfixia. Sentados, devemos colocar a criança de bruços sobre nossas pernas, com a cabeça mais baixa que o corpo, e tentar retirar o objeto de sua boca com o dedo mínimo. Para ajudar dê uns tapinhas nas costas, com a mão em concha. (Se o objeto for pontiagudo ou tiver cantos salientes que possam ferir os órgãos internos, leve a criança imediatamente ao pronto-socorro).

Às vezes a asfixia é mais séria e suas causas não se mostram tão evidentes. Pode ter havido inspiração excessiva de fumaça de automóvel - por exemplo, enquanto alguém deixou o carro ligado dentro da garagem para esquentar o motor - , ou a criança pode ter ingerido alguma substância que alterou o reflexo da respiração. Nesses casos, retire a criança do local, deite-a de costas e aplique respiração artificial (Veja em técnicas especiais). Se ela demorar para voltar a si, leve-a ao pronto-socorro, onde receberá oxigênio. Continue aplicando a respiração no trajeto e tente identificar exatamente a causa da asfixia - se for o caso, levando junto com você o produto que ela ingeriu - para poder informar o médico.

A asfixia pode ser causada também por inalação de vômito. Às vezes, ao vomitar, a criança inala sem querer um pouco do material. Pode-se tentar retirá-lo deitando a criança de lado, com a cabeça mais baixa, apertando suas narinas e tentando, boca-a-boca, sugar os resíduos do vômito. De qualquer forma, convém levá-la ao pronto-socorro, pois a permanência de material nos brônquios pode trazer complicações.

No afogamento, deve-se antes de mais nada tentar retirar a água inalada. Sente-se, debruce a criança sobre os joelhos com a cabeça tombada para baixo e aperte seu estômago e tórax para forçar a saída do líquido. Depois, aplique respiração artificial. Agasalhe bem a criança e leve-a ao hospital.

A inalação acidental de talco é bastante comum nos primeiros meses da criança. Aparentemente inofensiva, a asfixia que ela provoca pode trazer sérias complicações, incluindo reações alérgicas como o choque anafilático. Encaminhe a criança ao pronto-socorro o mais urgente possível.


Choque elétrico

Quando você encontra a criança em contato com a corrente elétrica, deve, antes de mais nada, interromper o circuito. Se ela está em contato com algum aparelho elétrico desigue o fio da tomada. Se ficou com o dedo preso na tomada, desligue a chave geral. Nunca tente retirar a criança usando apenas as mãos pois, dependendo da intensidade do choque, você também poderá ficar presa. Use algo que não seja condutor de eletricidade - uma colher de pau, uma vassoura, um chinelo ou tapetinho de borracha, sempre absolutamente secos.

Se a criança desmaiou após o choque, verifique se ela ainda respira e aplique respiração artificial (Veja em técnicas especiais), se for o caso. Se estiver sem sentidos mas respirando, deite-a de bruços, com a cabeça virada de lado e chame o médico imediatamente.


Convulsões

São quase sempre provocadas por febre muito alta. A criança perde a consciência, os olhos se reviram, a respiração torna-se ruidosa e geralmente ela treme ou se movimenta desordenadamente. Em alguns casos, pode também ficar imóvel, com o corpo enrijecido, durante a convulsão.

As convulsões normalmente duram de 1 a 2 minutos e não há nada que possa ou deva ser feito para interrompê-las. Desabotoe as roupas da criança, tire seus sapatos e proteja sua cabeça com o travesseiro. Não lhe dê água ou medicamentos, nem tente inibir seus movimentos durante a crise.

Quando as convulsões são provocadas por febre, é esta que se deve ser tratada. Se não houver febre, provavelmente trata-se de algum distúrbio neurológico. Qualquer que seja o caso, comunique-se imediatamente com o médico.


Corpos estranhos

Podem penetrar pela pele ou pelos orifícios do corpo. Uns são mais fáceis de remover, outros menos. E alguns não podem nunca ser removidos em casa: só o médico saberá fazer isso sem danificar ainda mais os tecidos afetados, ou o órgão envolvido.

Na pele => Os joelhos, as mãos e os pés são as partes mais expostas à penetração de espinhos, pregos, farpas e cacos de vidro. Se a penetração for superficial, você mesma poderá tentar remover o objeto. Só procure o pronto-socorro se o objeto tiver penetrado muito fundo na pele, ou danificado os tecidos a ponto de exigir sutura da pele, ou se a hemorragia for abundante.

Para remover o objeto, use uma pinça e uma agulha de costura. Esterilize-os por 10 minutos em água fervendo ou na chama de uma vela, e espere que esfriem. Desinfete o local e remova o objeto lentamente e delicadamente. Se houver sangramento, passe água oxigenada. Depois, desinfete novamente mecúrio-cromo e faça um curativo com gaze e esparadrapo.

No olho => Todo corpo estranho que se instala no olho provoca irritação e lacrimejamento. Examine de perto o olho da criança. Se o cisco, farpa ou corpo estranho estiver sobre a córnea (membrana transparente que recobre a parte colorida do olho) vá até o oculista. Não tente remover você mesma, pois a córnea é exatamente delicada e se for danificada pode comprometer seriamente a visão.

Se não conseguir identificar o objeto, simplesmente oriente a criança para que não esfregue a mão sobre o olho e faça com que descanse por alguns minutos; em geral, o lacrimejamento natural expulsa o corpo estranho.

Evite colocar pontas de lenço no olho para retirar ciscos e cílios. Em poucos minutos eles saem naturalmente. Se isso não acontecer, pode ser que o cisco esteja retido na parte interior da pálpebra. Examine-a. Se o cisco estiver lá, deite a criança de lado, encha uma pêra de borracha (ou seringa de injeção sem agulha) com água esterilizada e dê uma leve esguichada de água sob a pálpebra.

No ouvido => Nunca use pinças, cotonetes ou qualquer outro tipo de objeto para remover corpos estranhos do ouvido. Você poderia romper ou danificar o tímpano da criança e torná-la parcialmente surda. O que às vezes dá certo - principalmente no caso de pequenos insetos, areia ou objetos minúsculos - é lavar o canal do ouvido com água morna e um pouco de sal. Deite a criança de lado e bombeie suavemente essa solução no seu ouvido, usando uma pêra de borracha ou seringa de injeção sem agulha. Espere um minuto e vire a cabeça da criança, fazendo o líquido escorrer para fora. Repita isso algumas vezes, até que o objeto seja arrastado para fora do ouvido, junto com a água. Se ele não sair, leve a criança ao pronto-socorro.

Nos órgãos genitais => Nunca tente retirar corpos estranhos introduzidos nos órgãos genitais - procure o pronto-socorro. É importante agir com naturalidade e discreção ao dar entrada no pronto-socorro. Trata-se de uma situação um pouco constrangedora para a criança, principalmente se ela já tem noções de sexo, e é sempre bom atenuar o impacto de experiências negativas associadas com essa área. O mesmo vale para corpos estranhos introduzidos no reto.

Nas vias nasais => A melhor maneira de retirar um corpo estranho das vias nasais é pedir à criança que tampe a narina livre e assoe com força. Se isso não resolver, leve a criança ao pronto-socorro. Quando um corpo estranho se instala nas vias nasais, a criança continua a respirar normalmente pela boca. Mas, apesar de não ocorrer asfixia, deve-se remover o objeto imediatamente, antes que ele penetre mais e se aloje em local de acesso mais difícil, ou que comprometa diretamente a respiração.

Pela boca => A maior parte dos objetos que a criança engole acidentalmente segue seu curso normal pelo tubo digestivo, até ser eliminado pelas fezes. Cabe a você decidir se é caso de levar a criança ao pronto-socorro ou simplesmente verificar as fezes para confirmar a expulsão do objeto. Merecem maior atenção os casos de objetos pontiagudos, que podem ferir os órgãos internos, ou de objetos volumosos que podem ficar obstruindo a passagem do alimento.


Cortes

Toda vez que um objeto cortante - vidro, faca, pedaço de lata - penetra com alguma profundidade nos tecidos, o sangue jorra abundantemente, fazendo escoar do local do corte a maior parte dos germes e impurezas trazidas pelo objeto. Se o corte for superficial, o próprio sangue coagula e tampa o ferimento em alguns minutos. Se o corte for mais profundo, o sangue deverá ser estancado com água oxigenada, ou aplicando-se gaze ou lenço limpo várias vezes sobre o local. Se houver hemorragia persistente é provável que o objeto tenha cortado também alguma artéria. Nesse caso o sangue terá uma cor vermelho-vivo - ao contrário do vermelho-escuro do sangue venoso - e sairá em esguichos seguidos. Em todos esses casos, após estancar a hemorragia, verifique se o objeto que feriu seu filho está muito sujo, enferrujado ou cheio de terra. Se seu filho tomou vacina contra tétano há mais de 2 anos, é bom fazer o curativo e levá-lo a uma farmácia ou posto de saúde, para receber uma dose de reforço de soro antitetânico. Para o curativo, limpe com água oxigenada, passe mertiolate ou mercúrio-cromo e cubra com gaze e esparadrapo. Se o corte for extenso, razoavelmente profundo, ou houver danificação dos tecidos que dificulte a junção das partes, leve a criança ao pronto-socorro.


Desmaio

Ocorre quando há diminuição da quantidade de sangue e de oxigênio no cérebro, provocada por dificuldades de respiração - em locais enfumaçados ou muito cheios de gente -, calor excessivo, ou quando a criança fica muito tempo sem comer ou leva uma pancada muito forte na cabeça.

Os primeiros sintomas de desmaio são palidez, suor frio, escurecimento da vista, respiração profunda. Sente a criança numa cadeira, com a cabeça para baixo e peça-lhe que tente levantá-la (isso ajuda a normalizar o fluxo de sangue para o cérebro). Em seguida, dê-lhe um copo de água.

Se a criança já estiver desmaiada, afrouxe suas roupas, deite-a em local bem arejado e coloque dois travesseiros debaixo das suas pernas (a irrigação do cérebro melhora quando a cabeça fica mais baixa que o corpo). Friccione as têmperas e os pulsos da criança com álcool ou água-de-colônia. Se a criança cheirar um pouco dessas substâncias poderá se reanimar mais rapidamente.


Distensão

Trata-se de rompimento de fibras musculares devido a contração violenta ou movimento pouco usual de algum músculo. A distensão atinge em geral os músculos mais longos - da coxa e da barriga da perna, por exemplo -, principalmente no início da atividade física, quando o músculo ainda não está suficientemente "aquecido". A criança sente dor ao fazer movimentos que envolvam o músculo distendido, e é comum aparecer inchaço depois de 1 a 2 horas. Pode ser tratada em casa mesmo, com aplicação de compressas de água fria ou bolsa de gelo, de meia em meia hora. Repouso no primeiro dia e pouca movimentação nos dias seguintes auxiliam a recuperação.


Entorse

O entorse ocorre normalmente nos punhos, ombros, joelhos e tornozelos, e é conhecido também como " mau jeito" ou "tocedura". Pode ser provocado por um tombo ou um movimento mais brusco dos membros, o que faz com que alguns ligamentos fibrosos da articulação se distendam ou se rompam. O local do entorse fica razoavelmente dolorido e pode inchar. Às vezes, fica também arroxeado. Verifique se o osso permanece em sua articulação, movimentando suavemente o membro afetado. Se notar algo de anormal ou se a criança sentir uma dor insuportável, encaminhe-a para o pronto-socorro, pois pode ter havido uma lesão mais séria. Aplique compressas de água fria que diminuem a dor e o inchaço e dê um relaxante muscular que alivia a tensão no local e, consequentemente, a dor (faça isso, mesmo que a suspeita seja de luxação). Não massageie o local. Providencie um enfaixamento e oriente a criança para que evite movimentar a articulação.


Fraturas

Choques ou pancadas violentas podem provocar diversos tipos de fraturas, cuja gravidade vai desde o trincamento do osso, visível apenas por meio de radiografia, passando por fraturas mais evidentes, onde o membro adquire uma angulação anormal ou fica pendendo, até a chamada fratura exposta, quando o osso rompe os tecidos que o envolvem e se projeta para fora. Nos casos menos evidentes, os sintomas de fratura são principalmente a maior intensidade da dor, o inchaço e a rigidez e imobilidade que o membro adquire espontaneamente - um tipo de reação de defesa para evitar a movimentação, que nesses casos é extremamente dolorosa.

Antes de remover a criança ao pronto-socorro, devem ser estancadas eventuais hemorragias e o membro fraturado deve ser imobilizado por meio de talas improvisadas. Se não for feita a imobilização, a oscilação da parte fraturada, além de provocar dor insuportável, poderá danificar tecidos, músculos e vasos sangüíneos, desencadeando hemorragias e complicando o quadro.

As talas só servem para impedir que a parte fraturada se movimente: não tente colocar o osso de volta para o lugar, ou corrigir sua posição pois poderá piorar o problema. Para fazer a tala você precisará de ripas de madeira (ou um cabo de vassoura), pedaços de papelão grosso, cartolina ou revistas dobradas. Eles devem ser colocados em cada um dos lados do membro fraturado e amarrados com tiras de pano, faixas ou lenços, acima e abaixo da fratura, e sem apertar demais para não bloquear a circulação do sangue. Quando não puder improvisar talas, imobiliza o membro fraturado amarrando-o ao próprio corpo: se for o braço, amarre-o contra o peito da criança; se for a perna, contra a outra a perna.

Como entalar pernas e pés => Nas fraturas da coxa (fêmur) coloque a perna entre duas talas laterais. A tala externa deve ser mais comprida, indo do pé à axila. A outra deve ir só até a virilha. Com faixas largas, amarre as talas em pelo menos quatro pontos: na altura do tornozelo, joelho, virilha e cintura. Se a fratura ocorrer na parte inferior da perna (tíbia e perônio) não é preciso que a tala externa chegue até a axila - até à virilha já é suficiente.

Nas fraturas do pé e tornozelo, acolchoe a perna com toalhas para que a tala fique mais firme. Ela deve ir até o joelho, no máximo.

Talas para braços, mãos e dedos => Para imobilizar o braço ou o antebraço, prenda-os às talas e mantenha-os junto ao tórax. O braço deve ficar parcialmente dobrado e sustentado por uma tipóia. Se a fratura for na mão, o melhor é imobilizá-la em concha: faça a criança apoiar a mão numa bola de papel, sobre a tala, a depois enfaixe tudo junto. Para imobilizar dedos, use talas de madeira ou papelão até a palma da mão.

Joelhos e cotovelos => Se suspeitar que estão fraturados evite dobrá-los. São articulações extremamente delicadas e devem ser imobilizadas na posição em que estiverem.

Mandíbulas e costelas => Não podem ser imobilizadas com talas, mas sim com faixas de pano passados em volta da região afetada. Um lençol dobrado dá bons resultados no enfaixamento do tronco. Para imobilizar o queixo, pode-se usar um lenço grande ou uma fralda.

Bacia e espinha => Se suspeitar que a pancada ou tombo provocou um impacto muito violento nessa região, a ponto de fraturar algum osso, não tente colocar a criança em pé. Com a ajuda de outra pessoa, coloque a criança deitada cuidadosamente numa padiola improvisada para transportá-la ao pronto-socorro. Faça isso de maneira que haja mínimo esforço e movimentação da parte afetada. A coluna vertebral abriga no seu canal interno a medula nervosa. No caso de uma fratura, um movimento brusco poderá lesar a medula e provocar uma paralisia. Se não encontrar nenhuma folha de compensado, tampo de mesa removível, porta ou outra superfície dura que possa funcionar como padiola, arruma dois cabos de vassoura e dois paletós do mesmo tamanho: passe os cabos pelas mangas dos paletós e abotoe-os.

Em lesões do pescoço, coloque dois rolos de pano junto às orelhas da criança para impedir que a cabeça balance lateralmente ou saia da posição.

Se você perceber que a fratura foi muito violenta, chame o pronto-socorro, pedindo pessoal especializado em remoção.


Hemorragias

As hemorragias mais intensas podem ser causadas pelo rompimento de uma veia ou uma artéria. A diferença é relativamente simples de identificar. O sangue venoso é vermelho-escuro e escorre do ferimento vagarosamente. O arterial é vermelho-vivo e sai abundantemente, em esguichos, no ritmo das pulsações do coração.

As hemorragias de sangue venoso => São bem menos intensas que as de sangue arterial. Podem ser estancadas comprimindo-se o local durante 2 minutos com uma gaze embebida em água oxigenada. Repita a operação algumas vezes se o sangue não estancar de início. Se o sangramento persistir, é sinal de que os tecidos foram afetados mais seriamente. Leve então a criança para o pronto-socorro - e continue a comprimir o local durante o trajeto.

As hemorragias de sangue arterial => São mais perigosas. O sangue jorra e abundância e nem sempre pode ser estancado apenas com compressão sobre o local. Procure deitar a criança e manter a parte afetada um pouco mais alta que o resto do corpo, com o uso de almofadas. Como o sangue arterial corre do coração para as extremidades, a posição elevada do membro afetada ajuda a diminuir o fluxo. Pressione o local com um pano ou lenço limpo. Se isso não resolver, tente localizar a artéria danificada - comprimindo a área próxima ao ferimento até notar que o sangue diminui. Lembre-se de que as artérias geralmente não afloram até a superfície da pele, mas ficam "protegidas" entre os músculos. Por isso você terá de tatear a região até encontrar o ponto mais acessível e pressioná-lo com alguma força, de preferência contra algum osso vizinho. Ao encontrar o ponto, mantenha a pressão sobre ele por alguns minutos. Solte-o. Se o sangramento estancou ou diminuiu sensivelmente, apenas comprima o local do ferimento com uma gaze embebida em água oxigenada. Se não parou, comprima novamente a artéria. Repita essa operação até o socorro chegar. Lembre sempre que a compressão da artéria só deve ser feita quando o sangramento não pára com a compressão local.

Artérias do

Rosto e pescoço => Pressione a carótida direita ou esquerda, conforme o ferimento for de um lado ou do outro. A carótida fica entre a saliência da traquéia e o músculo lateral do pescoço. Faça a pressão com um movimento descendente.

Na parte alta do braço ou no ombro => Pressione a artéria subclávia, na axila.

No braço ou na mão => Faça a criança dobrar o braço, de forma a prender uma toalha na altura do cotovelo. Isso ajudará a comprimir a artéria umeral.

Na parte da coxa => Pressione a artéria femural, na virilha - entre os genitais e a coxa.

Do joelho para baixo => Ponha uma toalha na dobra da perna, na altura do joelho da criança, e faça-a flexionar a perna. Solte após uns minutos. Se o sangue parar de jorrar, mantenha apenas a compressão do local com a toalha.

Hemorragias na boca => Podem ser causadas quando o dente se desprende do alvéolo sob efeito de uma forte pancada, ou quando o impacto ocasiona ferimentos na mucosa ou na língua. É difícil estancar a hemorragia por compressão direta sobre o local. Dê gelo para a criança chupar: a baixa temperatura contrai os vasos e ajuda a estancar o sangue. Se isso não resolver, tente a compressão da carótida, como foi indicado para sangramento no rosto e no pescoço.

Hemorragias no nariz => Coloque na narina da criança um tampão de algodão embebido em água oxigenada, ou aperte a narina afetada com o dedo, mantendo a cabeça levemente inclinada para a frente.


Inconsciência

Estado de choque menor => Em geral é provocado por um impacto emocional muito violento ou pela visão do sangue, quando a criança é especialmente suscetível a esse respeito. Além de perder os sentidos, a criança fica pálida e sua frio. O estado de choque menor tem praticamente as mesmas características de um desmaio e pode ser tratado da mesma maneira. Dura no máximo 5 minutos. Mais que isso, é caso de levar a criança imediatamente ao pronto-socorro.

Estado de choque grave => Acompanha acidentes sérios ou doenças agudas, quando estes provocam diminuição geral da quantidade de sangue em circulação no organismo. O melhor é levar a criança imediatamente ao pronto-socorro. Nos casos em que for mais conveniente aguardar a chegada da remoção, além de tomar as providências para tratar do acidente ou doença em questão, faça o seguinte:

=> Mantenha a criança deitada de bruços, com a cabeça virada de lado e um pouco mais baixa que o resto do corpo;

=> Afrouxe roupas apertadas;

=> Controle a respiração da criança. Se houver parada respiratória, faça respiração boca a boca;

=> Coloque um cobertor sobre a criança para manter o corpo aquecido.


Insolação

Geralmente a insolação é provocada pela exposição prolongada aos raios solares. Após o contato com o sol, a criança fica abatida, com dor de cabeça, e sensação de cansaço e angústia. Nos casos mais graves, a transpiração cessa, há vômitos, distúrbios circulatórios, e podem ocorrer também desmaios.

Remova a criança para local bem arejado e fresco. Coloque toalhas molhadas no corpo e na cabeça por alguns minutos para diminuir a temperatura do corpo. Um copo de água com um pouquinho de sal também ajuda. Não lhe dê líquidos estimulantes para tentar reanimá-la.

Se a intensidade dos sintomas for maior e eles não cessarem, procure o pronto-socorro após as primeiras providências.


Intoxicações

As intoxicações geralmente vêm acompanhadas de dores de barriga, náuseas e vômitos, boca e lábios queimados ou cheiro característico do, produto na boca da criança. A primeira medida é identificar a substância causadora da intoxicação, para saber que tipo de providência você deve tomar - dar vomitórios ou não, por exemplo - e para que o médico possa aplicar as medidas e os medicamentos adequados. Se possível, quando for ao médico, leve com você o vidro de remédio ou a bula, a lata do produto ou pedaços da planta ingerida.

Se tiver dúvidas quando à causa da intoxicação, verifique o hálito da criança, faça uma rápida vistoria pela casa ou converse com a criança para tentar obter as informações necessárias. Faça isso com calma para que ela não se assuste e conte tudo o que aconteceu.

Se a criança está inconsciente => Verifique se a respiração está normal ou se a criança apresenta sinais de asfixia (algumas substâncias tóxicas inibem os reflexos respiratórios). Limpe bem a boca da criança e aplique respiração artificial, se for o caso. Se ela estiver inconsciente mas sem asfixia, deite-a de bruços, com a cabeça virada de lado para evitar a ingestão de eventuais vômitos, e chame socorro médico imediatamente. Não dê vomitórios à criança.

Se você identificar a causa => Os sintomas dos principais casos de intoxicação e as providências para combate-los estão a seguir. Depois de prestar o socorro de emergência, encaminhe a criança rapidamente a um hospital, onde será feita a lavagem do estômago e serão tratadas as conseqüências da intoxicação.

Como você verá, em muitos casos recomenda-se provocar vômito na criança. Mais adiante encontra o procedimento para provocar vômito, juntamente com as instruções do preparo do antídoto universal.

Remédios => Intoxicações por barbitúricos, antialérgicos, tranqüilizantes, anticonvulsivos, analgésicos, aspirinas e remédios contra enjôo geralmente provocam sonolência, náuseas, prostração, vômitos, dor de cabeça e distúrbios gerais, como febre, prostração e confusão mental. Provoque vômito na criança. Ao encaminhá-lo ao pronto-socorro, leve a bula do remédio.

Plantas =>

Saia-branca, figueira-do-inferno, dama-da-noite e outros vegetais beladonados => A ingestão das folhas, flores ou frutos dessas plantas provoca sede, redução da urina, vista nublada, febre e taquicardia. Nos casos mais agudos, ocorrem delírios e coma. Provoque vômito na criança e leve-o ao pronto-socorro.

Comigo-ninguém-pode => A seiva dessa planta é extremamente corrosiva. Ataca as mucosas da boca e da faringe e causa irritação e inchaço nos lábios. Não provoque o vômito. Dê leite com clara de ovo, ou água, ou óleo de cozinha, ou ainda antídoto universal, para proteger a mucosa do efeito corrosivo. Leve a criança ao pronto-socorro.

Mamona => Mesmo a ingestão de pequenas quantidade dessa planta extremamente tóxica pode levar à morte. Os sintomas iniciais são náuseas, vômitos, cólicas, irritação das mucosas. Provoque vômito várias vezes seguidas e leve a criança ao pronto-socorro.

Mandioca brava => A intoxicação por mandioca brava acarreta palidez, arroxeamento, olhos saltados e espuma nos cantos da boca. Podem ocorrer também vômitos, diarréia e convulsões. Provoque o vômito enquanto aguarda a chegada de socorro médico.

Produtos químicos =>

Ácidos sulfúrico e muriático, soda cáustica, amoníaco, cal, creolina, desinfetantes e inseticidas à base de fenol => São todos produtos altamente corrosivos, que provocam danos à mucosa bucal e ao tubo digestivo. Não provoque o vômito, pois isso aumentaria a extensão do dano. No caso de ácidos e desinfetantes à base de fenol, dê leite de magnésia, óleo de cozinha ou clara de ovo misturada com leite. No caso da soda e da cal, além de óleo e das claras com leite, são também bons neutralizantes o limão ou outra fruta cítrica e o vinagre.

Água sanitária => Sua ingestão provoca irritação da mucosa, dores e queimação na boca, faringe e estômago. Aplique um vomitório e dê em seguida neutralizantes - clara de ovo dissolvida em leite, azeite de oliva, vinagre ou suco de limão.

Detergentes => Em geral sua ingestão provoca vômito, cólicas e diarréias. Provoque o vômito e dê bastante leite com clara de ovo dissolvida.

Inseticida à base de cloro (BHC, DDT, Aldrin) => A intoxicação pode ocorrer devido à ingestão, inalação ou absorção pela pele. Os sintomas são aumento da irritabilidade, tremores, confusão mental, dores de cabeça. Provoque o vômito. Depois dê leite com clara de ovo ou antídoto universal. No caso de intoxicação por absorção pela pele, lave o local com água corrente e dê também neutralizantes à criança. Leve o mais rápido possível ao pronto-socorro.

Querosene e derivados de petróleo => Logo após a ingestão, ocorrem tosse, asfixia e vômitos. Depois, febre e dificuldades de respiração. Não provoque o vômito. Vá imediatamente ao pronto-socorro.

Formicida e naftalina => Geralmente provocam náuseas e dificuldades respiratórias. As medidas são as que foram recomendadas para inseticidas à base de cloro.

Fósforo branco => Substância presente em alguns raticidas, em fogos de artifício e também, em menor porcentagem, nos fósforos de segurança. Ingerido, provoca cólicas, dores na boca, náuseas, vômitos, e diarréias com fezes fosforescentes. Após alguns dias podem sobreviver também distúrbios do fígado. Dê um vomitório e faça a criança tomar bastante leite com clara de ovo ou antídoto universal. Leve-a ao pronto-socorro.

Se você não identificar a causa => Se você não conseguir identificar com segurança a causa da intoxicação, tente pelo menos descobrir se ela se encaixa num dos dois grupos seguintes :

Intoxicação por ácidos, soda, amoníaco, cal, querosene, creolina => Deixam queimaduras nos lábios ou então um hálito característico. Faça a criança tomar clara de ovo com leite e uma colher de sopa de óleo de cozinha. Importantíssimo: jamais provoque o vômito nesses casos. Leve a criança ao pronto-socorro.

Intoxicação por rmédios, plantas e outros produtos => Em todas elas, se a ingestão ocorreu há menos de 2 horas e a criança estiver consciente, aplique um vomitório. Depois faça-a tomar um neutralizante, como leite com clara de ovo ou antídoto universal, conforme explicado mais adiante, e leve-a ao pronto-socorro.

Como provocar o vômito => O vômito só deve ser provocado em alguns casos - e desde que a criança não esteja inconsciente. Além disso, provocar o vômito só é uma medida eficaz quando aplicada logo após a ingestão da substância tóxica (no máximo, até 2 horas depois). Para provocar o vômito, misture duas colheres de chá de sal ou mostarda em um copo de água morna e faça a criança tomar. Não a force a tomar tudo de uma vez. Espere uns dois minutos; se ela não vomitar espontaneamente, tente provocar o reflexo do vômito colocando o dedo em sua garganta. Ampare a criança enquanto ela vomita, segurando sua testa e transmitindo-lhe calma.

Preparo do antídoto universal => Trata-se de um preparado caseiro que ajuda bastante a neutralizar os efeitos da intoxicação. Em meio litro de água, de preferência morna, coloque 4 colheres de leite de magnésia, meio copo de chá bem forte, e um copo de farinha de pão bem tostado. Dissolva bem. O antídoto universal absorve parte da substância tóxica ingerida, diminuindo assim o contato dela com a mucosa dos órgãos internos.


Luxação

Quando os ligamentos das articulações são submetidos a um esforço muito grande, o seu estiramento excessivo ou rompimento pode fazer com que o osso se desloque da cavidade da articulação. Quando há luxação, a criança sente dor muito intensa ao fazer o menor movimento com o membro. A articulação fica inchada, arroxeada . Nos casos de luxação mais grave, o deslocamento do osso torna-se visível.

A luxação tem gravidade semelhante à de uma fratura e deve ser tratada o mais rápido possível, em pronto-socorro ou hospital - jamais por massagistas.

Nunca tente colocar o membro atingido no lugar, pois isso poderá trazer complicações para a articulação. Imobilize a região afetada, e se estiver aguardando a chegada da remoção dê um analgésico à criança e aplique compressas de água fria, que aliviam a dor e o inchaço.


Manchas roxas

Pancadas fortes costumam deixar pelo corpo apenas marcas arroxeados (hematomas) que desaparecem totalmente em 1 ou 2 semanas. Faça compressas de água fria logo após a pancada para aliviar a dor e o inchaço.

No caso de pancadas na cabeça, formam-se elevações - os galos - que devem também ser tratados com compressas de água fria. (O costume popular de colocar a lâmina da faca sobre a teste também atende a esses dois requisitos - a compressão e a temperatura baixa - e portanto não é prejudicial).

Pancadas mais fortes na cabeça podem originar também vômitos, dificuldades para falar e para manter o equilíbrio, dores de cabeça muito intensas e desmaios. Mantenha a criança em observação durante alguns dias e procure o médico se esses sintomas se manifestarem. Em caso de desmaio, deite a criança com a cabeça de lado para que não engasgue se vomitar.

As pancadas nos dedos => As pancadas nas unhas e dedos prensados em portas são muito comuns. Se o resultado for apenas um hematoma, compressas de água fria resolvem. Mas se a unha quebrar, leve a criança ao pronto-socorro.


Picadas e mordidas

Cobras => Os primeiros socorros devem ser prestados até no máximo 15 minutos após a mordida. Mantenha a criança o mais quieta possível pois a movimentação faz espalhar o veneno pelo corpo. Se o local da picada estiver sangrando, sugue com força o material e cuspa fora imediatamente. Só não faça isso se tiver alguma ferida na boca. Se o local não estiver sangrando, pegue uma agulha ou espinho - mesmo sem desinfetar, para não perder tempo -, e faça bastantes furos em torno da picada. Depois, sugue e cuspe. Os furos na pele vão fazer o sangue escapar para fora, de forma que parte do veneno será eliminada com ele. Encaminhe a criança urgentemente a um hospital. O veneno de certas cobras é fatal. Se o animal foi morto, leve-o junto com você. Se não, tente obter pelo menos uma descrição dele.

Abelhas e vespas => Normalmente, a picada desses bichinhos traz dor, vermelhidão e inchaço. As vespas deixam apenas o veneno no local da picada. As abelhas deixam junto também o ferrão. Para removê-lo, passe pomada anestésica no local, comprima a região em torno da picada com os dedos e puxe o ferrão com uma pinça (com cuidado, para não enterra-lo ainda mais). Para reduzir o inchaço, aplique compressas de água gelada.

Se a criança foi atacada por um enxame, mesmo que pequeno, leve-a ao hospital: a dose de veneno inoculado em seu organismo nesses casos é bem maior que numa picada isolada e a criança deve receber cuidados especiais.

Em casos mais raros, a picada da abelha produz reações alérgicas relativamente graves, como o choque anafilático. A criança incha e começa a sofrer asfixia. Esse tipo de reação só ocorre em crianças que já foram picadas anteriormente, e adquiriram com isso maior sensibilidade ao veneno. Aos primeiros sinais - alterações na respiração, aumento do pulso, rubor nas faces - encaminhe a criança imediatamente ao pronto-socorro.

Formigas, mosquitos e borrachudos => Só preocupam quando o ataque é em massa ou quando a criança é acometida por um choque anafilático. Deve-se recomendar à criança que não coce o local, para evitar inflamação. No caso das picadas de borrachudo, compressas frias aliviam o inchaço e a coceira.

Cachorros e gatos => O risco principal é de que o animal seja portador de raiva - uma doença incurável. Se for possível, mantenha o animal em observação por uma semana. Se ficar constatado que ele é portador da doença, deverá ser sacrificado, e a criança deverá receber aplicações de vacina anti-rábica imediatamente. A aplicação da vacina também deverá ser feita como medida de precaução quando não for possível efetuar a observação do animal.

Mordidas da cães e gatos podem também provocar infecções no local. Lave bem a ferida com água oxigenada, aplique mercúrio-cromo e cubra com gaze e esparadrapo. Observe o local por 2 a 3 dias. Se ficar vermelho em torno da ferida é sinal de infecção. Nesse caso, procure o médico.


Queimaduras

Podem ser provocadas por água fervente, fogo, choques elétricos e produtos químicos. A classificação em queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus refere-se principalmente à intensidade da lesão, que pode ser respectivamente superficial, um pouco mais profundo (acompanhada de bolhas) e efetuar até as camadas de tecido e os vasos sangüíneos que ficam sob a pele.

A gravidade das queimaduras não se mede apenas pela sua profundidade, mas também pela extensão da área atingida. Uma queimadura superficial mas que atingiu mais de 5% da superfície total da pele (todo o antebraço, por exemplo) deve ser tratada em pronto-socorro. Ao atingirem uma área mais extensa, as queimaduras, independentemente de sua profundidade, podem trazer sérias conseqüências para o organismo, principalmente complicações respiratórias e renais.

Água fervente => Cubra as partes atingidas com gaza esterilizado e leve a criança imediatamente ao pronto-socorro. Se a extensão da queimadura for muito grande, enrole a criança num lençol limpo e úmido e leve-a a um pronto-socorro especializado em queimaduras.

Fogo => Se o fogo ainda estiver nas roupas da criança, enrole-a com um cobertor para apagá-la. Cubra os ferimentos apenas com gaze umedecida em água e encaminhe a criança ao pronto-socorro. Se a queimadura atingir uma extensão maior, coloque a criança debaixo do chuveiro por cinco minutos (água fria). Enrole-a num lençol frio e úmido para levá-la ao hospital.

Choque elétrico => Os danos que as queimaduras por choque elétrico provocam nos tecidos geralmente não são aparentes (às vezes, deixam apenas um ponto preto na pele). No entanto, são penetrantes e podem danificar as camadas mais profundas de tecidos, deixando o local bastante dolorida por vários dias. Queimaduras desse tipo devem ser tratadas pelo médico.

Produtos químicos => Lave o local queimado com água corrente. Faça isso com bastante cuidado pois, dependendo da posição que você colocar a criança debaixo da torneira ou do chuveiro, a água acabará transportando o produto corrosivo para partes que ainda não haviam sido atingidas. Cubra o ferimento com gaze e encaminhe a criança ao pronto-socorro. Leve junto com você a embalagem do produto químico.


Ruptura do tendão

Os tendões são longos feixes de fibras que unem os músculos aos ossos e são responsáveis pelos movimentos. O mais conhecido deles é o tendão de Aquiles, situado na parte posterior do tornozelo. Um corte profundo ou uma pancada forte podem provocar o seu rompimento. Nesse caso, a criança não consegue firmar a planta do pé contra o solo e sentirá grande dificuldade e muita dor se tentar andar.

Trata-se de problema grave, que exige intervenção cirúrgica. Ao remover a criança para o hospital procure estancar a hemorragia (no caso de ruptura por corte) e imobilize a articulação afetada usando uma tala de papelão, amarrada com faixa ou barbante. A dor é muito intensa, portanto um analgésico é também aconselhável.


Técnicas especiais

Os acidentes mais graves podem ocasionar a cessação temporária da respiração ou dos batimentos do coração. São situações de emergência em que está em jogo a vida da criança e não há tempo para esperar a chegada de socorro médico ou ir até ele. A pessoa que chegar primeiro ao local ou que tiver algum conhecimento de como se comportar nessas emergências é que deverá prestar, na hora, o primeiro atendimento. As duas técnicas necessárias para enfrentar situações desse tipo - respiração artificial e massagem cardíaca - são descritas a seguir com detalhes.

A técnica de respiração artificial => É relativamente simples. Com a leitura atenta do texto você já ficará bem mais familiarizada com ela e em condições de aplicá-la mais tarde.

A massagem cardíaca => É um pouco mais difícil de ser aplicada com bons resultados por um leigo. Se a pessoa não fez antes um curso de treinamento para primeiros socorros e se não praticou nenhuma vez sob a orientação de um monitor especializado, dificilmente terá condições de aplicá-la corretamente, ou mesmo de avaliar até que ponto está fazendo as coisas como devem ser feitas. Por isso, você só deve empregá-la se já tiver alguma experiência ou então não houver alternativa melhor do que tentar aplicá-la você mesmo.

Respiração artificial => A técnica consiste basicamente em introduzir nos pulmões da criança o ar que ela não consegue obter sozinha - devido à diminuição da respiração por asfixia ou a parada respiratória. São as seguintes as etapas da aplicação da técnica:

=> Deite a criança de costas;

=> Coloque um travesseiro ou toalha enrolada sob a nuca, para manter a cabeça bem inclinada para trás (com a extremidade do queixo apontado para cima);

=> Com o polegar e o indicador de uma das mãos, tampe as narinas da criança; com outra, segure o seu queixo;

=> Encha bem os pulmões, acomode sua boca na boca da criança, e assopre até notar que o tórax dela se distende;

=> Afaste sua boca e tire os dedos das narinas para que o ar saia normalmente dos pulmões da criança;

=> Repita essa operação 20 vezes por minuto, até que a criança volte a respirar sozinha;

Variações da técnica => Em crianças pequenas, você pode envolver com seus lábios o nariz e a boca da criança - o que torna o método mais eficiente. Se houver corte na boca, ou algum outro fator que dificulte o método boca a boca, siga as mesmas instruções, mas acomode sua boca no nariz da criança e tampe a boca com a mão (ou sustente o queixo da criança, de maneira que a boca fique fechada).

Massagem cardíaca => Em geral, a parada cardíaca é provocada por acidentes graves e vem normalmente associada a parada respiratória. Deve ser tentada mesmo quando o quadro é desanimador (uma criança nessas condições é muitas vezes dada como morta por antecipação).

Em bebês => Coloque o bebê deitado de costas. Sustente o seu tórax por baixo passando a mão por trás de suas costas. Com o dedo indicador da outra mão, pressione 100 vezes por minuto a metade inferior do esterno - osso achatado que fica no meio do peito, sustentando as costelas. É importante saber dosar a pressão: muito leve é ineficiente; muito forte, pode até fraturar o esterno.

Em crianças => Proceda da maneira descrita acima, mas faça a pressão com a parte inferior da palma da mão, 80 vezes por minuto.

Nos casos em que ocorre também parada respiratória, enquanto você faz a massagem outra pessoa poderá fazer a respiração artificial. Se não houver ninguém disponível, tente você mesmo aplicar as duas técnicas alternadamente: faça 15 massagens cardíacas, 2 respirações, e assim sucessivamente. Passe de uma técnica a outra sem perder tempo.