A jornada para a fertilização

As informações contidas nesta página, foram retiradas do livro:

O guia dos amantes ( Editora nova cultura - uma divisão do Círculo do Livro Ltda. )

 

Jornada do óvulo.

 

 

Jornada do espermatozóide.


A jornada do óvulo

A cada mês, no meio do ciclo menstrual, um óvulo é liberado pelo ovário e faz uma incrível viagem pelo corpo da mulher. Ele se prepara para ser fertilizado por um só espermatozóide e, assim, dar origem à vida de um novo ser humano.

A imagem que registra o momento da fecundação, em que acontece o encontro entre um óvulo e um espermatozóide maduro na trompa e Falópio, é um dos acontecimentos mais importante da nossa era, resultado de pesquisas biológicas aliadas a recursos da tecnologia de ponta.

No instante mágico em que o espermatozóide penetra no óvulo, ativa-se um sistema de defesa que impede a penetração de qualquer outro gameta e começa a existência de um novo ser humano, que irá se desenvolver durante nove meses no útero materno.

O desenvolvimento do óvulo e a preparação necessária para a fertilização são muito mais complexos do que a produção do esperma. O importante não é a quantidade de óvulos e, sim, o amadurecimento completo de cada um deles.


Células gigante

Mesmo sendo considerado um verdadeiro gigante em relação a outras células do corpo da mulher, o óvulo é invisível a olho nu (cerca e 0,13 mm). Esse minúsculo pontinho é formado de protoplasma. Ele pesa pouco mais que um milionésimo de grama no momento da fertilização, porém seu peso será multiplicado mais de dois bilhões de vezes com o desenvolvimento do feto, durante os nove meses de gravidez.

Enquanto o espermatozóide não tem mais do que três meses de vida, o óvulo já se encontra presente no ovário da futura mulher aproximadamente quatro meses antes dela nascer, juntamente com milhares de outros óvulos ainda rudimentares. Uma menina recém-nascida conta com aproximadamente 300.000 células de óvulos imaturos já formados em seus minúsculos ovários.

A degeneração dessas células prossegue durante toda infância, de modo que quando chega a puberdade elas se encontram reduzidas a mais ou menos 40.000. Destas, apenas cerca de 400 irão se tornar óvulos maduros, que depois serão expulsos dos ovários, no momento da ovulação.

Quando mais tempo o óvulo permanece no ovário antes de amadurecer e ser fertilizado, maior o perigo de que ele se deteriore e desenvolva fetos anormais. Por isso, as mulheres que ficam grávidas depois dos 35 anos, em geral correm mais riscos de terem problemas durante a gravidez ou de gerarem bebês com deficiência físicas ou mentais.


A estrutura do óvulo

O óvulo maduro é composto de um minúsculo núcleo, o ponto germinal, contido em um núcleo pouco mais volumoso, a vesícula germinal. Esses núcleos são envoltos interiormente pela membrana vitelina e na parte exterior pela zona radiada. Esta camada exterior, mais grossa, protege o óvulo nos vários estágios de desenvolvimento e desempenha papel importante nas mudanças químicas que ocorrem durante o ciclo da ovulação. Em volta da zona radiada está a coroa radiada, uma camada de células foliculares, muitas das quais soltam-se durante o processo.

No interior do ovário, o mesmo óvulo é contido pelo folículo de Graaf. A cada mês, um desses folículos amadurece, absorve fluido e incha. Quando a mulher ovula, o folículo rompe-se e solta o óvulo que, então, inicia a viagem para a trompa da Falópio, local onde poderá ser fertilizado pelo espermatozóide.


A concepção

O homem pode ejacular milhões de espermatozóides, mas apenas um irá fertilizar o óvulo. Quando o esperma chega às trompa de Falópio restam poucas centenas deles vivos e eles não sobrevivem por mais de 72 horas. Mesmo sendo necessário apenas 1 espermatozóide para a fecundação, os demais precisam estar presentes a fim de produzir a enzima que vai amolecer a camada exterior do óvulo, para que o "espermatozóide escolhido" consiga penetrá-lo. Assim que ele entra no óvulo inicia-se a fertilização. Nesse momento, o óvulo passa a chamar-se célula-ovo ou ovo, e sua camada exterior endurece de tal maneira que nenhum outro espermatozóide consegue penetrá-la.

Quando o espermatozóide chega no óvulo os núcleos feminino e masculino, que contém os cromossomos responsáveis pelas características hereditárias do bebê, fundem-se numa só célula. Daí surge o embrião, que vai desenvolver todos os sistemas orgânicos de um corpo humano.


A célula-ovo

Logo após a fecundação, a célula-ovo começa a se dividir, primeiro em duas partes, depois em quatro, em seguida em oito e assim por diante até que haja 64 células-ovos. Depois de quatro dias, esta quantidade de células recebe o nome de mórula e começa a preparar-se para chegar ao útero. As células da mórula encontram-se num espaço repleto de líquido. A camada mais exterior delas achata-se formando uma parede celular - o trofoblasto - e as demais células, os blastócitos, movimentam-se para um dos lados.

As células ao redor dos blastócitos multiplicam-se e, no sétimo dia depois da fecundação, o trofoblasto cria várias "esponjinhas", as vilosidades coriônicas, que são responsáveis pelo implante do embrião no endométrio, isto é na "forração" da parede interna do útero - que a esta altura encontra-se muito ativada.

O folículo que abrigava o óvulo originalmente agora produz o hormônio feminino, o estrógeno, e depois da ovulação começa a produzir também a progesterona, o hormônio masculino. A partir daí, o folículo passa a chamar-se corpo-lúteo.

A progesterona induz à preparação da camada interior do útero para o implante do embrião, que então se torna grossa e nutritiva para alimentar a célula-ovo.

O que acontece se o óvulo não for fertilizado? Ele naturalmente morre, rompe-se e é absorvido pelas células da trompa de Falópio. O corpo-lúteo encolhe, o endométrio (o forro do útero) deixa de se preparar para a fecundação e o volume diminui.

O endométrio se desintegra sem os hormônios que o sustentam e desce a menstruação. As placas de sangue escuro que aparecem no fluxo menstrual são os resíduos do endométrio.


As primeiras 12 semanas

As diferenças entre células vão sendo determinadas a cada divisão celular. A massa de células do centro do blastócito começa a crescer e desenvolve um espaço que irá se transformar na bolsa amniótica, que ainda não é visível a olho nu. O embrião recebe alimento do trofoblasto, que o envolve e vai se encolhendo à medida que se forma a placenta. Após 18 dias, acontecem as mais notáveis e rápidas mudanças: o embrião já começa a tomar forma humana.

Nesta fase, o sistema nervoso se forma e, no final do primeiro mês, um coração primitivo já pulsa. A esta altura o embrião tem 4 mm e milhões de células, mas é só na sexta semana que aparece um bebê com cabeça, peito, cavidade abdominal e coluna vertebral rudimentar. Por volta da oitava semana, o sexo começa a ser determinado e, a partir daí, o embrião passa a chamar-se feto.

O corpo-lúteo continua a produzir hormônio ao longo das primeiras 12 semanas de gestação, até que a placenta esteja completamente formada.


A jornada do espermatozóide

A cada ejaculação o homem libera cerca de 240 milhões de espermatozóides, mas apenas um vai ser "eleito" para fecundar o óvulo dentro do corpo da mulher. Conheça todo o processo de produção e o tumultuado caminho que eles percorrem até a fertilização.

Desde a adolescência até a velhice, o homem tem a capacidade de produzir uma quantidade imensa de espermatozóide. É necessário uma produtividade em escala tão intensa porque apenas cerca 500 deles têm a capacidade de realizar a fertilização do óvulo feminino.


Forma aerodinâmica

Invisível a olho nu, cada espermatozóide mede 0,05mm de comprimento, com uma pequena ponta, em formato semelhante ao da cabeça de uma cobra.

A extremidade abriga o núcleo inteiro e encerra 23 cromossomas, que vão determinar as características genéticas das crianças que vai ser gerada. Na ponta dos espermatozóides há uma membrana grossa, que parece um capuz, denominada acromossomo, que contém enzimas capazes de "amaciar" a parede do óvulo, para que o espermatozóide possa entrar.

A parte do meio é a "casa de força" do espermatozóide, onde se encontram minúsculas estruturas celulares, que geram a energia necessária para que a porção final, denominada cauda ou flagelo, possa fazer rápidas ondulações. Com um movimento rotatório, o espermatozóide se desloca em espiral para fazer a viagem a partir da vagina, através da cérvix e do útero, até chegar às trompas de Falópio, onde ele se encontra com o óvulo para a fecundação. Com formas aerodinâmicas, ele consegue "nadar" em alta velocidade. Em condições desfavoráveis, tais como fluidos espessos ou a presença de acidez na vagina, sua velocidade torna-se lenta. A habilidade do espermatozóide em se movimentar pode ser alterada por elevações de temperatura e pela ação de calmantes, anti-histamínicos e anestésicos locais.

Cerca de 50.000 espermatozóides por minuto, ou 72 milhões por dia, são produzidos, em média, pelos canais de sêmen. Pequenas contrações rítmicas das paredes tubulares desses canais empurram essa vasta e contínua população de espermatozóides para o epidídimo, um canal todo retorcido, que liga cada um dos testículos ao canal deferente, através do qual os espermatozóides já maduros atingem a vesícula seminal.


Na fila de espera

Quando chega à extremidade inferior do epidídimo, o espermatozóide maduro é incapaz de controlar os próprios movimentos - agita a cauda descoordenadamente, sem sair do lugar. Nesta fase, pouquíssimos têm capacidade de atingir o óvulo e realizar a fertilização.


Começa a viagem

O espermatozóide fica trinta dias no epidídimo até amadurecer. Então, com seus próprios movimentos, "nada" até a chamada ampola do canal deferente. Lá existe a vesícula seminal, que elabora o sêmen que se mistura ao esperma e também à secreção da próstata. Nessa vesícula os espermatozóides estocados podem ficar por, no máximo, dez semanas.

A ejaculação é o resultado da contração espasmódica da ampola, da vesícula seminal e da próstata. Ela é provocada por uma substância chamada neostigmine, produzida pelas células de Sertoli, que ficam nos testículos. Sob pressão, o esperma é empurrado para a uretra e, por causa da contração dos músculos da pelve, chega à "cabeça" do pênis. Se não houver a ejaculação, os espermatozóides serão reabsorvidos, lentamente, pelo organismo.

A ejaculação, porém, não é apenas um processo mecânico. É acompanhada de sensações eróticas na região genital e também no resto do corpo. Entre 100 e 500 milhões de espermatozóides são ejaculados pelo pênis e, se houver penetração vaginal, seguem em direção da cérvix. Muitos deles morrem por causa da acidez da vagina, da ação de germes ou de secreções nocivas produzidas no colo do útero.

Quando chega à cérvix, o esperma ejaculado encontra o muco cervical e a ele se mistura em cerca de 60 segundos. O esperma fica retido na vagina até que as enzimas secretadas pela próstata "ataquem" a mistura e a tornem líquida. Isto leva aproximadamente dez minutos. Então, os espermatozóides prosseguem a viagem através da cérvix. O canal constitui, de certa maneira, um obstáculo para os espermatozóides. No entanto, durante a ovulação, no meio do ciclo menstrual, o muco cervical torna-se bem aquoso, viscoso e transparente. Apenas 1 em cada 300 espermatozóides consegue chegar até este ponto em sua jornada.


Dentro do útero

Minutos depois da ejaculação, o útero e as trompas de Falópio são alterados sobre a iminente aproximação do esperma. Poderosos estimulantes musculares, denominados prostaglandinas (que se originam nas vesículas seminais), são absorvidas pelas paredes vaginais e liberados na corrente sangüínea, provocando contrações musculares que ajudam os espermatozóides a entrar e se deslocar no útero.

Entretanto, as membranas que rodeiam cada espermatozóide correm o risco de serem atingidos pelos fluidos uterinos que têm efeito corrosivo. Por isso, vários "agentes protetores", que são substâncias químicas liberadas em grandes quantidades pelas visículas seminais, protegem os espermatozóides envolvendo-os em camadas de proteínas.


A fertilização

Antes que a fecundação aconteça, os espermatozóides precisam se preparar. Eles passam por um processo onde as camadas protetoras protéicas do capuz são removidas - isso ativa a produção de enzimas que vão ajudar o "espermatozóide campeão" a chegar até o óvulo.

Assim que ele entra em contato com o óvulo, perde o flagelo (ou cauda), as peças intermediárias e o pró-núcleo masculino se une ao pró-núcleo feminino, dando origem ao núcleo da célula-ovo, com 46 cromossomos - 23 dos espermatozóide e 23 do óvulo. Este processo é a fertilização, onde já existem os registros das características físicas hereditárias do futuro bebê. E é o espermatozóide fertilizante que carrega o cromossomo responsável pelo sexo do novo ser.


Linha de produção

A produção do espermatozóide acontece em quatro ciclos contínuos:

- O sinal para começar o processo é dado pela Hipófise, que fica na base do cérebro - nem os cientistas sabem o que desencadeia essa ordem.

- Na adolescência, essa glândula libera na corrente sangüínea uma substância química chamada hormônio estimulante do folículo (FSH) - o mesmo hormônio que desencadeia o ciclo de amadurecimento do óvulo na mulher. O FSH aciona a espermatogonia, um complexo e sensível processo que desenvolve os espermatozóides.

- A produção do esperma, denominada espermatogênese, inicia-se no começo da puberdade, prossegue durante toda a vida adulta e diminui na velhice. Pode ser afetada por doenças como sarampo, pneumonia viral, caxumba, alteração hormonal, variação de temperatura corporal e pelo uso de drogas.

- Na base dos canais seminíferos, a produção de esperma é governada pelas células de Sertoli. Elas entram em ação pelo estímulo exercido pelo FSH sobre a glândula hipófise, que precisa do hormônio masculino e de vitamina E para garantir que a produção de esperma seja normal.


Espermatozóide e esterilidade

- O sêmen humano é o único, entre os mamíferos, a ter alta porcentagem - cerca de 20% - de espermatozóide anormais em cada ejaculação.

- De 75 a 80% dos espermatozóides ejaculados têm tamanho, forma, aparência e mobilidade perfeitos. O restante pode apresentar má formação: a cabeça pode ser grande ou pequena, alongada, achatada e até mesmo dupla. As caudas podem ser longas, curtas, simples, ou duplas. Os espermatozóides anormais não completam sua viagem e não têm a força suficiente para a fertilização.

- A produção de espermatozóides anormais pode ser causada por infecções, problemas hormonais ou desequilíbrios no sistema térmico do corpo.


Menino ou menina

- É o espermatozóide fertilizante que determina, no momento da concepção, o sexo da criança que irá nascer.

- Geneticamente, os espermatozóides são de dois tipos - espermatozóides X e Y. Dos 23 cromossomos existentes no núcleo, um é o cromossomo sexual, que pode ser X ou Y.

- Se um espermatozóide X fecundar um óvulo, irá nascer uma menina, porque todos os óvulos têm apenas o cromossomo sexual X. Então, quando o cromossomo sexual X do espermatozóide fizer par com um cromossomo sexual X do óvulo, o resultado será um cromossomo XX, que irá produzir um embrião feminino. Se o espermatozóide tiver cromossomo sexual Y, o resultado será XY e nascerá um menino.


Você sabia?

=> Que a temperatura constitui-se num fator importante para que haja a produção do esperma. Mesmo podendo ser congelado em câmaras frigoríficas especiais, a temperatura inferior a 96 C por mais de 10 anos, sem perder a validade, basta uma variação de apenas 2 a 3 C nos testículos para inibir todo o processo de produção. Os espermatozóides são sensíveis até mesmo à temperatura normal do corpo (37 C). Por isso, as bolsas escrotais que acomodam os testículos pendem para fora, onde a temperatura é 2 C mais baixa do que no resto do corpo.

=> A cada doze ejaculação são liberados mais de 3 bilhões de espermatozóides. Na maioria das relações sexuais apenas um deles estará apto a fertilizar o óvulo e iniciar uma nova vida humana.