O Real Significado de "Simplificar o Arranjo"


 

Existem expressões que ao serem usadas ou colocadas de forma incorreta conferem um caráter dúbio ao que se quer dizer. Muitos usam estas expressões propositadamente, porque desejam que a falta de objetividade delas possa encobrir a realidade por trás da ação a ser tomada, diminuindo o impacto que possa causar no ouvinte.

Por exemplo, quando alguém pronuncia a frase "realinhamento de preços", poderia significar que alguns preços iriam diminuir enquanto outros aumentariam. Ou então que todos os preços sofreriam diminuição. Mas nós, aqui no Brasil, sabemos muito bem que a frase, em 99,9% das vezes, significa basicamente que os preços dos produtos citados pelo autor da frase serão reajustados para cima, todos eles. Há muitos outros exemplos de expressões que seguem esta mesma linha: "Redimensionamento da produção" e "Adequação do estoque" significam simplesmente que o volume de produção será cortado e com ele um bom número de postos de trabalho. "Crescimento negativo" nada mais é do que uma recessão e o manjado "amanhã sem falta" quer dizer que aquilo que você precisa com urgência atrasará mais alguns dias.

Encobrir o real significado com expressões dúbias e não objetivas é uma maneira comum da Sociedade Torre de Vigia evitar o seu comprometimento com idéias ou fatos. São várias, mas nos limitaremos a uma delas, muito usada nos últimos tempos, que é a famigerada "simplificar o arranjo". A língua portuguesa é riquíssima, mas aqui não existe muito o que inventar. Arranjo é arranjo mesmo, um sistema, uma estrutura, um formato. Simplificar é tornar simples, facilitar, eliminar dificuldades. Portanto, simplificar o arranjo seria algo como reduzir os eventos de um trabalho, diminuir o número de pessoas necessário para executar o mesmo procedimento, facilitar a execução de tarefas para torná-las breves. Diminuir distâncias percorridas, documentos, burocracia, papelada, quantidades, custos, etc.

A primeira vez que ouvi a expressão "simplificar o arranjo", foi quando a Sociedade modificou o cardápio nos congressos e assembléias. Os mais antigos devem lembrar-se que era servido almoço nestas ocasiões, sim, comida de verdade, arroz, feijão, carne, legumes. No início da década de 80 houve a simplificação do arranjo, alterou-se o cardápio para fast-food, entraram os hambúrgueres, mistos e pizzas. Numa primeira análise a decisão pode parece acertada, mas na realidade fritar hambúrgueres para milhares de pessoas num curto espaço de tempo é algo complicado, nem mesmo o McDonald's conseguiria, o resultado da "simplificação" foi um exército de voluntários em volta de dezenas de chapas quentes, fritando, montando lanches e atendendo as pessoas em quiosques improvisados e tumultuados, na base do "quem berra mais leva". O que a Sociedade queria dizer na época com "simplificar o arranjo", não é que o alimento seria preparado mais facilmente, que seria usado um número menor de voluntários ou que as pessoas seriam atendidas mais rapidamente. Eram objetivos secundários, o importante, os motivos reais escondidos nas entrelinhas são:

- Que muitos dos circuitos e distritos receberiam os novos itens resfriados da própria Sociedade e contribuiriam por eles, a maior é claro. 

- Que por tratar-se de itens resfriados, podiam ser estocados por mais tempo, e podiam ser comprados por ela em grandes quantidades e a preços bem mais baixos. 

- Que após o final dos congressos e assembléias e o fechamentos das contas, os distritos e circuitos separariam o valor a ser enviado para pagamento dos alimentos à Sociedade, descontariam as demais despesas, e ainda lhe enviariam grande parte da "sobra" de caixa, evidentemente como contribuição. 

O raciocínio é lógico, se o interesse fosse mesmo o de simplificar, deveriam ter feito naquele tempo o que foi feito agora: Deixar que as pessoas levem o lanche de casa. Entretanto, mesmo agora quando "simplificaram o arranjo" na verdadeira acepção da expressão, a mudança não foi efetuada pelo motivo virtuoso, mas para evitar a configuração de compra e venda de alimentos, em mais uma etapa da desvinculação da Sociedade Torre de Vigia, ou de qualquer outra sociedade ou associação jurídica ligada a ela, de atividades que possam ser consideradas transações comerciais e enquadradas pelos fiscais dos órgãos governamentais de arrecadação de impostos como tal, acarretando o pagamento de tributos.

O "Simplificar o arranjo" retornou no episódio da mudança no sistema de distribuição de literaturas. Mais uma vez o objetivo não era exatamente facilitar as coisas, senão vejamos. Antes a Sociedade imprimia as publicações, as enviava numa espécie de consignação às congregações, que desta forma passavam a ser as devedoras responsáveis pelos itens em estoque, recebendo mensalmente um extrato de valores devidos. Cada vez que um publicador retirava uma literatura, pagava de imediato pela mesma no balcão e só receberia o valor empregado quando, e se, a "colocasse" com um morador no serviço de campo ou de outra forma. A congregação por sua vez depositava o dinheiro recebido no balcão de literaturas na conta bancária da Sociedade e no final do mês confrontava a soma do dinheiro enviado mais os itens ainda no estoque, com o valor devedor no extrato de valores devidos, o resultado tinha de ser equivalente. Deixando de lado os detalhes contábeis, é correto dizer que a Sociedade nunca dependeu do dinheiro do morador, do estudante, ou de quem quer que seja que pagasse para a Testemunha o valor da publicação. Ela sempre recebeu o dinheiro que era pago no balcão de literaturas, independendo se a publicação chegasse ao público ou não, ou seja, a Sociedade Torre de Vigia nunca vendeu diretamente ao público.

Mais simples que isso impossível, porém a Sociedade "simplificou o arranjo". O que mudou? Bem, as Testemunhas não mais pedem a contribuição para "pagar papel e tinta", agora, apenas deixam a publicação gratuitamente caso "haja interesse". E ao retirá-las no balcão, depositam o valor referente numa caixa de contribuição estrategicamente colocada nas proximidades. A Sociedade perde dinheiro com isso? Não deve perder, pois o sistema primário permanece o mesmo, ou seja, é a congregação quem continua como devedora responsável, em outras palavras, se houver déficit as próprias Testemunhas é que vão cobrir com suas contribuições. Então o que foi "simplificado"? Nada, a não ser o risco de a Sociedade perder o benefício da isenção e ser obrigada a pagar impostos ao governo por venda de publicações, visto que havia listas de preços, pagamento de dinheiro no balcão e solicitação de determinado valor de contribuição ao morador. No sistema atual a venda está bem dissimulada sob o manto da contribuição e é muito difícil de ser comprovada. Os motivos da mudança estão bem explicados no texto de Raymond Franz em Literaturas "Grátis".

Mais uma etapa vencida na luta da Sociedade Torre de Vigia no sentido de não ser obrigada a prestar contas com o Fisco.

Na próxima parte deste tema, o "simplificar o arranjo" adquire proporções nunca vistas na história das Testemunhas de Jeová:

Conclusão: Simplificando a Sociedade Torre de Vigia.


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