Testemunhas de Jeová - Poucos Clérigos e Muitos Leigos 

Por   Maât


 

Um raciocínio sempre reiterado pelas Testemunhas de Jeová, como prova irrefutável de diferenciação em relação às demais religiões ditas cristãs,  é aquele que afirma não haver uma divisão de clérigos e leigos entre elas. Enquanto nas demais religiões existem Padres, Pastores, Bispos, Cardeais e outros títulos, ocupando posições de “homens com conhecimento”, clérigos, que lideram multidões de leigos, com variável, porém sempre limitado, grau de conhecimento bíblico. Entre as Testemunhas de Jeová não haveria tal discrepância de instrução teológica, sendo todos aquinhoados com a mesma quantidade de instrução e de informação bíblica. De tal forma que, apenas poucos meses de associação e estudo da Bíblia com as Testemunhas, torna o estudante não apenas qualificado para se tornar uma delas, mas também preparado para participar na obra de pregação.

Ainda segundo os líderes das Testemunhas de Jeová, um cuidadoso plano de instrução bíblica, por meio de reuniões, literaturas e estudo pessoal permite que, após poucos anos de associação, uma Testemunha adquira todo o “conhecimento exato” por eles disponibilizado. Sendo assim, apesar de haver homens que tomam a dianteira na congregação, os anciãos, além de homens que supervisionam circuitos e distritos e outros que coordenam a obra em níveis mais elevados, inclusive na sede mundial em Brooklyn, não existe uma hierarquia eclesiástica entre as Testemunhas de Jeová.

Em tese, isto significa que qualquer membro da religião, por mais humilde que seja, possui conhecimento e capacidade para defender a sua fé, conforme o texto da primeira carta de Pedro, citado com constância para apoiar esta afirmação:

1 Pedro 3:15:  “Mas, santificai o Cristo como Senhor nos vossos corações, sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que reclamar de vós uma razão para esperança [que há] em vós, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito.”

Entretanto, algumas informações publicadas recentemente pelos líderes das Testemunhas de Jeová, trazem nas entrelinhas algumas dúvidas sobre a homogeneidade de conhecimento e de capacidade de “defender a própria fé” por parte da maioria das Testemunhas, ou em última análise, percebe-se pelo menos o receio aparentemente fundamentado, de que a maioria delas, incluindo-se grande parte dos anciãos, possua hoje conhecimento apenas limitado das doutrinas e ensinamentos providos pela Sociedade Torre de Vigia, além de pouco ou nenhum conhecimento sobre o atual funcionamento mecânico da estrutura da organização. Motivado é claro, pelas inúmeras e profundas mudança doutrinais, mal explicadas e igualmente mal compreendidas pela vasta maioria das Testemunhas. Somando-se a isso as mudanças no comando da organização, tem-se como resultado uma “massa de gente” desprovida de respostas, ou com respostas desatualizadas. Em vista disso é razoável perguntar:

Até onde a Sociedade Torre de Vigia teme que algo que seja dito por um membro das Testemunhas de Jeová no mundo todo não esteja de acordo com o que ela ensina?  Até onde vai a liberdade de expressão de cada ser humano garantido pelos direitos universais?

Recentemente no exemplar do Nosso Ministério do Reino de Janeiro/2002, publicado pela Sociedade Torre de Vigia, na seção Anúncios, foi colocado o fato de irmãos de diversas congregações estarem sendo contatados por pesquisadores no intuito de obterem maiores informações sobre tal crença religiosa.  Em alguns casos, segundo a Sociedade, pesquisadores solicitam o preenchimento de formulários de pesquisa com perguntas pertinentes as crenças e ensinos religiosos das Testemunhas de Jeová.  O que é sugerido aos irmãos?  Que cada publicador abordado forneça o nome do superintendente presidente de sua congregação local, o qual, segundo a Sociedade, estaria devidamente qualificado para fornecer as respostas solicitadas dentro do contexto que a Sociedade Torre de Vigia quer que eles respondam (mais especificamente baseados em cartas fornecidas pela sede mundial das Testemunhas de Jeová, padronizando assim as respostas).

Na carta mencionada no Ministério de Reino e dirigida aos anciãos de todas as congregações no mundo inteiro, com data de 4 de julho de 2001 (*), os líderes das Testemunhas de Jeová fornecem com exclusividade aos anciãos, algumas orientações sobre como responder as questões que porventura fossem apresentadas. Porém há uma frase muito significativa na introdução, revelando que nem todos, mesmo entre os anciãos, estariam preparados, ou estariam “qualificados” para respondê-las, como está citado:

“Visto que precisamos ser cuidadosos quanto à natureza de tais pesquisas e de como serão usadas as informações dadas, apresentamos as instruções que deve seguir o ancião qualificado que irá representar a congregação, no caso de pedir-se a sua congregação a participação em tal pesquisa.”

(*) Data da carta da filial Cesário Lange/Brasil. Nos EUA, a mesma carta teve a data de 25 de abril de 2001. Veja uma cópia da carta na língua espanhola.

Vê-se nestas instruções, que os líderes das Testemunhas de Jeová não consideram todos os anciãos como sendo qualificados para responder perguntas sobre as doutrinas ou a estrutura da organização. Ora, neste caso, até mesmo os anciãos supostamente considerados “qualificados” não podem fornecer, segundo seu próprio conhecimento, as respostas das enquetes propostas, em vez disso, precisam seguir o que a Sociedade orienta, seguindo a sua “cartilha”. Na carta citada acima e endereçada a todos os corpos de anciãos, eles, entre outras coisas, mencionam que os anciãos devem ser cuidadosos quanto às informações prestadas e apresentam então as  “instruções“  que o “ancião qualificado” deve seguir:

- O ancião deve tratar bondosamente os pesquisadores quando abordado pelos mesmos e “pode escutar” o que eles têm a dizer. (não soa estranho tal colocação?)

- Seria interessante verificar a empresa ou universidade que representam.

- Caso os pesquisadores contestem alguma resposta dada, o ancião pode de forma bondosa, mostrar que as Testemunhas de Jeová possuem publicações que respondem mais especificamente sobre o assunto questionado.

- O ancião poderá entregar o tratado  Testemunhas de Jeová – no que crêem? onde estão alistadas as crenças básicas das Testemunhas de Jeová e os motivos bíblicos para tais.

Ainda durante a pesquisa, a carta acima mencionada diz que, caso seja questionado sobre uma possível classe clerical das Testemunhas de Jeová, com designações e títulos honoríficos, a resposta seria  de que tais denominações são impróprias entre as Testemunhas de Jeová. Então o que dizer dos títulos de Ancião, Superintendente Presidente, Secretário, Superintendente de Distrito, de Circuito, de Zona, etc? Não seriam também denominações? Por que todos não são reconhecidos simplesmente como “irmãos”? O que seriam então os homens do Corpo Governante? Ou eles não sabem explicar o que significa a palavra  “título especial“?

(segundo o Dicionário Aurélio – 4ª edição – título: designação, nome, denominação honorífica – entre outros).

A carta continua dando sugestões sobre utilização do livro Raciocínios para fornecer mais respostas, bem como sugere publicações, vídeos e o site oficial da Watchtower.
Um outro ponto chama a atenção na carta dirigida aos anciãos:

“certamente queremos evitar que os publicadores expressem opiniões pessoais que talvez não estejam em harmonia com os princípios bíblicos que na realidade governam a conduta de cada cristão e os esforços unidos da irmandade em fazer a vontade de Jeová“

 

O parágrafo acima é bem sucinto, pois expressa o grande medo que a Sociedade Torre de Vigia tem de que algum irmão deixe passar, inocentemente, alguma informação que possa vir a comprometer o funcionamento desta religião. E mais, mesmo os anciãos passam por este crivo de medo, tendo que se submeter a respostas pré-fabricadas e pré-impostas. Até onde vai a liberdade de cada um poder se expressar?  Tal atitude da Sociedade coíbe cada indivíduo de ser, antes de tudo, um ser humano que herdou no nascimento o livre arbítrio, que foi dado generosamente por Deus .

Indo mais além, no Ministério do Reino do mês de Dezembro/2001 já havia dois outros artigos direcionados para produzir respostas e condutas pré-fabricadas.  São eles: “O que dizer a um mulçumano?” e “O que dizer a um judeu?”. Os artigos contêm imposturas e regras disfarçadas de sugestões, como forma de desencorajar a espontaneidade e padronizar a maneira de uma Testemunha de Jeová se comportar e falar no serviço de campo, mais especificamente no contato com tais grupos distintos. Vejamos:

 

1.      Mulçumanos

O Ministério do Reino explica algumas  crenças e  costumes dos mulçumanos. Interessante  notar como há o estímulo de evitar que as Testemunhas de Jeová sejam associadas com a cristandade.  Aqui paramos para mais uma vez recorrer ao nosso bom dicionário, onde a tradução para a palavra cristandade é: conjunto de povos ou países cristãos. Assim pergunta-se: não são as Testemunhas de Jeová um conjunto de pessoas (povos) cristãos que acreditam e pregam sobre Jesus?  Ou será que seu vocabulário próprio já lhes outorgou o direito de criarem suas próprias denominações como fazem com a palavra “apóstata”?

Deve-se ainda não mencionar a palavra Bíblia já que os mulçumanos acreditam que ela foi adulterada com o passar dos anos, mas sim usar Livro de Deus:  não suar o termo Filho de Deus mas sim  falar sobre Jesus como sendo ele um profeta ou mensageiro. Ao citar por exemplo o livro de Isaías dizer: posso ler para o senhor as palavras do profeta?  Claro que sabemos que Isaías foi um profeta de Deus mas porque tanto medo? Não estaria aqui sendo aplicada a palavra mentira em seu pleno sentido? Ou vão dizer que devido às circunstâncias deve-se utilizar sinônimos?

 

Conduta – sugerem falar com apenas uma pessoa não com um grupo (claro, as Testemunhas de Jeová temem se envolver em discussões acaloradas...); aconselham que mulher fale somente com mulher e homem com homem por causa dos costumes no entanto não é assim quando falam com as demais pessoas nas portas, crianças e jovens testemunhas muitas vezes desrespeitam idosos, deficientes físicos, gritam em interfones. Anciãos insistem em entrar em casas de irmãs quando, e principalmente se, elas estão sozinhas sem seus maridos ou outra pessoa que lhes possam fazer companhia; falam também sobre roupa e maneira de se arrumar mas porque será que isso não ocorre normalmente? Não deveriam as irmãs e os irmãos ser sempre modestos no vestir e se arrumar? O que observamos hoje? Irmãs vestindo saias curtas, acima do joelho, decotes extravagantes, blusas de alças por causa da alta temperatura, rapazes com camisas de cores berrantes e  algumas vezes estampadas – seria isto vestir-se com modéstia?   Por que falar com um mulçumano vestido de forma correta e ir ao salão do reino, o templo religioso das Testemunhas, vestido de outra forma? Incoerência? Ou teriam duas caras?

 

2. Judeus

Também no Ministério do Reino explicam algumas crenças e costumes e mais uma vez usam “sinônimos” para a Bíblia (usar os termos As Escrituras Hebraicas, a Tora, As Escrituras). Não falar sobre a identidade do Messias logo de início mas enfatizar o papel de Moisés para a nação de Israel.

Esses dois exemplos citados de como dar testemunho a mulçumanos e judeus faz parte de uma série de artigos que vêem sendo apresentados no ministério do reino sobre pregação de porta em porta ou como abordar pessoas de tais crenças e costumes religiosos. No que eles se assemelham às respostas a serem dados aos pesquisadores? Por  que vemos hoje na televisão quando uma matéria sobre a proibição do uso do sangue vem à tona e um membro da COLIH (Comissão de Ligação com Hospitais) vem a público expor as idéias não dos pais ou do cristão envolvido mas a da religião em si?   A forma como a Sociedade Torre de Vigia  faz a lavagem cerebral na mente das pessoas que participam de tal religião, impondo-lhes não o livre pensamento, a liberdade de expressão, mas sim as respostas padronizadas, típicas de uma multinacional que teme palavras sinceras de pessoas que dedicaram anos e muitas vezes toda sua vida em ouvir e ler o que tinham a oferecer, é uma prova cabal que as Testemunhas de Jeová, assim como as outras religiões ditas cristãs, possui uma clara e inequívoca hierarquia eclesiástica, sendo igualmente dividida entre clérigos que produzem doutrinas e dogmas e leigos que as aceitam. Por este motivo, em vez de estarem preparadas para defender suas crenças de forma genuína, com “aquilo que transborda o coração”, as Testemunhas são programadas, similarmente a robôs, pior, agora nem a isso tem mais direito, apenas os “anciãos qualificados” tem direito de defendê-las.

Após ler este artigo, que o leitor use de seu próprio discernimento e pergunte: quantos clérigos e leigos realmente existem entre as Testemunhas de Jeová?  Encontrou a resposta?  Está em dúvida?  Bem se respondeu afirmativamente a esta última pergunta, por favor não consulte os anciãos da congregação local pois  muito provavelmente já terão a resposta pré-fabricada pela Sociedade Torre de Vigia....


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