Mulheres Testemunhas de Jeová - Quão Depressivas São?

Autor: Maât


 

Não é bom que o homem viva sozinho. Vou fazer para ele alguém que o ajude como se fosse a sua outra metade“.  – Gênesis 2:18

 
A baixa-estima é um sério problema que precisa ser resolvido. Vivemos num século  perverso, onde a pessoas estão se tornando cada vez mais isoladas e ignoradas. Por esse motivo, muitos desenvolvem o sentimento de baixa-estima pensando: “Ninguém gosta de mim ou eu não valho nada”. Às vezes, isto é produto de uma mente esmagada por determinado problema  emocional e/ou social, fazendo com que a pessoa caia num fosso difícil de sair e, como conseqüência, a depressão se instala de mansinho mas galga a passos largos já que a pessoa vítima deste mal, sente-se , via de regra, isolada, não amada e muitas vezes impotente para superar suas próprias deficiências.

Embora seja um problema mundial, abordaremos neste artigo, o universo de mulheres (jovens e/ou idosas) que fazem parte das Testemunhas de Jeová, cujo número de pessoas deprimidas do sexo feminino aumenta assustadoramente. O que ocorre  entre elas que as faz sentirem-se assim? Seria a religião uma válvula de escape para solucionar tal problema? Quão grave é?

 

Tristeza, desânimo, falta de motivação, choros freqüentes e descontrolados, sentimentos de incapacidade... ufa!  As mulheres são presas fáceis da depressão. Educadas de forma a prestar atenção muito mais no outro e atendê-lo prioritariamente, deixando suas próprias coisas de lado para colocar o outro (marido, filhos, mãe, religião, etc) em primeiro lugar. Quantas vezes ao acordar a mulher priorizou o café para ela ou parou para ler um jornal ou fez algo sem se sentir culpada? Ou pior, que a culpassem por isso?

 

Salvo raríssimas exceções, a maioria das  mulheres Testemunhas de Jeová  vivem debaixo de um jugo religioso muito severo onde são constantemente consideradas como um ser inferior. No entanto, enquanto se discutiu por muito tempo se a mulher era ou não inferior ao homem, vemos que Deus, curiosamente, nunca se preocupou com isto pelo contrário, um exame mais  atento das Escrituras nos revela que Ele próprio se atribuiu características tanto masculinas quanto femininas, como algumas destacadas abaixo:

  

Características masculinas:

ü      Forte e protetor ( 2 Sam. 7:145)

ü      Guerreiro ( Is.42:13)

ü      Líder (2 Sam.17:45)

 

Características femininas:

ü      Capacidade de gerar vida (Dt 32:18)

ü      Sentir dores de parto (Is.42:14)

ü      Levar no ventre uma nação (Is. 46:3,4)

ü      Amor (Os. 11:1-4)

 

Assim, guardada a especificidade de cada gênero (masculino e feminino), não se vê nos textos citados nenhuma menção de que as qualidades de um são superiores as do outro. São diferentes – sim – mas igualmente importantes !

O homem foi criado após todas as coisas e, contudo, foi a coroa da criação. O que se vê nas Escrituras, pelo contrário, só faz lembrar o lugar digno e importante que Deus deu à mulher na sua criação para isto, basta conferirmos o relato de Gênesis quando Deus disse: “não é bom que o homem esteja só“.  O Criador também afirma : “Vou fazer para Adão uma auxiliadora adequada às suas necessidades“. O que define para a mulher uma forma de ajuda igual ou mesmo correspondente ao homem. Mesmo no tempo de Jesus, a sociedade desvalorizava a mulher. Havia restrições sociais e religiosas, a mulher era segregada, relegada a um lugar absolutamente desqualificado, contudo, Jesus rompeu as barreiras das tradições religiosas e dos costumes sociais e chegou até a mulher, como a mulher samaritana, a mulher com um fluxo de sangue e considerada impura, a mulher adúltera, Maria Madalena, etc. Cristo as incluiu em suas parábolas, seus ensinos eram tanto para homens quanto para mulheres, as mulheres estiveram presentes em ocasiões importantes no ministério de Jesus. Por que então desprezá-las ?

 

O problema da submissão definida por Deus é muito diferente da hierarquia estabelecida entre homem e mulher pela humanidade no decorrer da história; ao invés de usar a noção de superioridade e inferioridade que insinua uma idéia de dominação  ou mesmo de opressão, Ele usa o exemplo de seu próprio relacionamento com o Filho onde ele é a cabeça de Jesus e depois onde Jesus é a cabeça da Congregação, para que possamos entender o verdadeiro sentido da submissão. Ser cabeça, como a Bíblia diz em I Cor. 11:3, significa ser fonte, ser origem, assim, o que  se vê na autoridade de Cristo em relação à Congregação é vida compartilhada onde Ele, Cristo, é a fonte de vida (Efe. 1:22,23).

 

Agora, paremos para meditar um pouco na situação das mulheres nas congregações das Testemunhas de Jeová. Umas são moças jovens, desejosas de conseguir um bom casamento no sentido de que este “bom casamento“ esteja relacionado não só com a questão financeira, que para a maioria não é tão necessária assim, mas com a espiritualidade do futuro cônjuge, desejando que ele almeje uma carreira dentro da organização das Testemunhas de Jeová, como um servo ministerial e futuramente um ancião e, caso a jovem tenha família seguidora da mesma religião, seus pais a orientarão da importância de namorar somente um rapaz  que busque tais “qualidades de crescimento espiritual“, passando a ignorar os sentimentos e o amor, sem contar que o sexo masculino é um espécime raro na organização daí... depressão! No caso de mulheres casadas, estas também agirão em prol do crescimento de seus maridos dentro da congregação – como? Por participarem exaustivamente na pregação de casa em casa mesmo que a saúde em algumas situações seja comprometedora; relegar um pouco os afazeres domésticos que consomem demasiado tempo, que poderá ser gasto também na pregação e participação nas reuniões; ignorar parentes, inclusive pais idosos e/ou filhos, que possam vir a necessitar de ajuda, baseando-se na mesma perspectiva de maior número de horas dedicados à pregação; evitar empregos que possam gerar um afastamento dos objetivos primários de crescimento religioso de seus maridos e... a lista é enorme... mais uma vez todo este estresse emocional gera depressão.

 

Essa abstinência de vida/lazer/carinho/amor em troca de status familiar acaba gerando medo, angústia, pânico, depressão. E estes sintomas são graves, se não cuidados por médicos capacitados ou mesmo se ignorados, podem gerar mortes prematuras por doenças coronárias, degenerativas e suicídio. Relatos diversos mostram o aumento de suicídios decorrentes de tais fatores e mesmo entre as mulheres Testemunhas de Jeová isto é verdadeiro, apesar de a maioria dos casos ficarem encobertos, pois a Sociedade Torre de Vigia incute na mente das pessoas que um cristão deve em primeiro lugar procurar conforto e consolo para seus problemas por participarem nas reuniões cristãs (quem não lembra da missionária betelita que se suicidou em São Paulo, após sérios problemas depressivos cujo motivo aparente poderia ter sido o estranho comportamento de seu marido, bem como por ela ter lido o livro de Raymond Franz e descoberto as falcatruas por detrás da sociedade religiosa que ela tanto cultuava?). Há muito tempo os médicos afirmam que a fé e a religiosidade são passos importantes para a cura de diversas doenças, mas não é tudo. O acompanhamento médico e o carinho da família são fundamentais.

 

Há vários tipos de ansiedade e ela pode até se transformar numa doença chamada síndrome do pânico, que ataca 7% da população mundial; há também fatores genéticos, perda de entes queridos, menopausa, divórcio, casamento e/ou afastamento de filhos, etc, são alguns fatores que também contribuem para que as mulheres se sintam assim de um modo geral. E ansiedade gera depressão, angústia... O conceito na teologia calvinista que a Sociedade Torre de Vigia segue com relação às mulheres na organização, segundo o qual o ministério feminino é tratado como assunto de menor importância, também interfere na felicidade delas. Dentro das congregações pode-se observar muitas situações onde a mulher é relegada a um papel secundário, o que será abordado num outro artigo futuro. O pior porém, em alguns casos, está dentro de seu próprio lar, onde ela, após ser obrigada a fingir uma situação normal perante as pessoas na congregação, está sujeita a algumas situações onde é vítima de maus tratos, de estupro, espancamentos e humilhações. Em alguns outros casos, precisa ficar calada mesmo que seu marido esteja ligado a tendências homossexuais, bestiais, adúlteras ou mesmo lhe dê total desprezo... A mulher Testemunha de Jeová sabe que seu marido, no caso das casadas com anciãos, deve obrigatoriamente dedicar todo seu tempo aos problemas congregacionais, reuniões marcadas a cada semana, horas de serviço de campo, revisitas, estudos bíblicos, verificação de contas, comissões judiciais... ufa  - de novo! E a mulher/esposa onde fica neste contexto? O que é mais importante, os problemas da congregação ou a conciliação entre os deveres do lar e os religiosos? Certamente um marido Testemunha de Jeová que deseja manter seu cargo dentro da congregação responderá afirmativamente a primeira opção.

 

Agora, entenda que como cristã, por sentir depressão, a mulher não deve pensar que isto é errado. A grande saída da depressão é o caminho de volta para si. As mulheres Testemunhas de Jeová deveriam aprender a aproveitar momentos de crise para crescerem, olharem  para si mesmas, descobrirem que ler, passear, conversar com outra pessoa, ver televisão ou até mesmo buscar um terapeuta não tem nada de errado, não é pecado.  Recorrer a ajuda de uma comissão composta de anciãos que, em muitos casos, não conseguem evitar que em seus próprios lares tal problema exista, e ouvir deles que o melhor remédio é pregar, pregar e pregar para afastar a depressão não é a cura para seus problemas. Aliás este é o conselho que muitas mulheres jovens ou idosas recebem, quando os procuram deprimidas porque seus maridos, Testemunhas ou não, com cargos congregacionais na maioria das vezes deixam de lhes dar atenção ou por não conseguirem dominar situações com filhos, finanças, doenças. Recebem o simples e humilhante  conselho de que precisam confiar em Deus e para se distraírem devem ser pioneiras, porque ao fazerem isto manterão suas mentes ocupadas e não terão tempo para pensar nas “bobagens“ que assolam suas mentes e as deixam preocupadas. Quantas esposas que após seus maridos abandonarem seus cargos ministeriais e saírem do casulo religioso, passaram a ver que existe vida aqui fora, que existe felicidade, que existe também depressão em alguns casos sim, mas que ela pode e deve ser tratada e curada.

Como mulher ou homem cristão, que reflexão você faz deste quadro?  Há alguma coisa que pode ser feita para mudar esta situação? Mais uma vez, use o seu discernimento.

 


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