Quem é a Imagem da Fera?

 

Quem é, para a Sociedade Torre de Vigia, a ONU, Organização das Nações Unidas? A resposta parece óbvia para qualquer Testemunha de Jeová: a ONU é a imagem da fera. O livro “Clímax de Revelação”, uma releitura com pinceladas vivas – literalmente falando inclusive – de livros mais antigos, no caso “Caiu Babilônia a Grande” e “Reino de Deus de Mil Anos”, descreve uma poderosa fera com dois chifres de cordeiro, que é identificada como a potência mundial combinada Anglo-Americana; esta fera provê o sopro de vida e os recursos para que uma representação física da fera de sete cabeças e dez chifres – os governos políticos humanos – venha à existência. O livro indica esta organização como sendo a ONU, com sua sede fincada na margem do rio Hudson, Nova Iorque, e que na realidade é a sucessora da Liga das Nações, criada em Genebra logo após o final da primeira guerra mundial e desintegrada com a eclosão do segundo conflito mundial.

O Livro “Revelação” descreve o acima nas páginas 194 e 195, parágrafos 28 ao 31, na íntegra:

A Imagem da Fera

28 É esta fera de dois chifres tão inocente como seus chifres de cordeiro dariam a entender? João prossegue, dizendo: “E desencaminha os que moram na terra, por causa dos sinais que lhe foi concedido realizar à vista da fera, ao passo que diz aos que moram na terra que façam uma imagem da fera que sofrera o golpe de espada e ainda assim reviveu. E foi-lhe concedido dar fôlego à imagem da fera, de modo que a imagem da fera falasse e fizesse matar a todos os que de modo algum adorassem a imagem da fera.” - Revelação 13:14, 15.

29 O que é esta “imagem da fera”, e qual é seu objetivo? O objetivo é promover a adoração da fera de sete cabeças, de que é imagem, e assim, na realidade, perpetuar a existência da fera. Esta imagem é construída depois de a fera de sete cabeças se recuperar do golpe de espada que recebeu, quer dizer, depois do fim da Primeira Guerra Mundial. Não se trata duma estátua sem vida, tal como a erigida por Nabucodonosor na planície de Dura. (Daniel 3:1) A fera de dois chifres sopra vida nesta imagem, para que a imagem possa viver e desempenhar um papel na história mundial.

30 O desenrolar da história identifica esta imagem como a organização proposta, promovida e apoiada pela Grã-Bretanha e pelos Estados Unidos, e inicialmente conhecida como Liga das Nações. Mais tarde, em Revelação, capítulo 17, aparecerá na forma dum símbolo diferente, o duma fera cor de escarlate, viva e respirante, com existência independente. Este organismo internacional ‘fala’ por fazer afirmações jactanciosas no sentido de ser o único organismo capaz de trazer paz e segurança à humanidade. Mas, na realidade, tem-se tornado um foro de debates, para as nações-membros trocarem invectivas e insultos verbais. Tem ameaçado com ostracismo, ou morte em vida, qualquer nação ou povo que não se curve diante da sua autoridade. Tem realmente expulsado nações que deixam de acatar suas ideologias. No início da grande tribulação, “chifres” militaristas desta imagem da fera desempenharão um papel devastador. - Revelação 7:14; 17:8, 16.

31 Desde a Segunda Guerra Mundial, a imagem da fera - agora manifesta como a organização das Nações Unidas - já matou em sentido literal. Por exemplo, em 1950, uma força da ONU atuou na guerra entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul. A força da ONU, junto com os sul-coreanos, matou calculadamente 1.420.000 norte-coreanos e chineses. De modo similar, de 1960 a 1964, exércitos das Nações Unidas estiveram ativos no Congo (agora Zaire). Além disso, líderes mundiais, inclusive os papas Paulo VI e João Paulo II, têm continuado a afirmar que esta imagem é a última e a melhor esperança de paz para o homem. Se a humanidade deixar de servi-la, insistem eles em dizer, a raça humana se destruirá. Assim, eles figurativamente fazem que sejam mortos todos os humanos que se negam a cooperar com a imagem e a adorá-la. - Veja Deuteronômio 5:8, 9.

Os quatro parágrafos do livro deixam claro que, no entender da Sociedade Torre de Vigia, a ONU é a imagem da fera de sete cabeças e dez chifres e o organismo mundial que recebe dos governos políticos o poder total, inclusive para intervir militarmente em regiões conflituosas, como o parágrafo 31 descreve.

Não somente nesta publicação, mas também em diversas outras, a Torre de Vigia expõe a ONU como a imagem da fera do livro bíblico de Revelação e procura mostrar o poder praticamente ilimitado daquela organização. Em um ano recente, 1995, a revista A Sentinela de 1º/outubro, nas páginas 5 a 6, discorria sobre este tema e trazia entre seus parágrafos as seguintes afirmações:

A CARTA das Nações Unidas entrou em vigor em 24 de outubro de 1945. Trata-se da mais abrangente estratégia pela paz mundial já elaborada pelo homem. Com os 51 Estados que as integravam originalmente, as Nações Unidas tornaram-se a maior organização internacional na história do mundo. E, pela primeira vez, uma organização internacional teria acesso a um exército para impor paz e segurança e estabelecer um mundo sem guerra.

Hoje, com 185 Estados-Membros, as Nações Unidas estão mais fortes do que nunca. Então, por que a organização internacional mais poderosa da História não alcançou plenamente seus nobres objetivos?

Tais afirmações da Sociedade Torre de Vigia visam única e exclusivamente superdimensionar o poder e a posição da ONU, para que ela possa ser ajustada ao enfoque de "imagem da fera", ou representação única dos governos políticos, organismo que recebe deles e da potência dupla Anglo-Americana uma condição de governo central do mundo. No entanto, será que este enfoque corresponde a verdade? Será que a ONU, hoje, pode ser considerada como estando na posição que a coloca a Sociedade?

Um artigo recente do jornal O Estado de São Paulo alerta para o estado de abandono em que se encontra as Nações Unidas, afundada em dívidas desde que os EUA fecharam seus cofres para ela, desmoralizada como foro comunitário das nações e inútil como mecanismo mediador de negociações entre seus países membros. Enquanto isso, destaca o artigo, o grupo dos chamados mais ricos do planeta, o G7+1, que congrega os sete países mais ricos do mundo, EUA, Grã-Bretanha, França, Japão, Alemanha, Canadá e Itália; com a adição da Rússia, um país pobre porém munido de ogivas nucleares herdadas no espólio da antiga União Soviética, é quem tem tomado aos poucos as rédeas do poder e prepara-se para assumir o comando dos lances futuros no destino da humanidade. A ONU já não tem grande influência - se é que algum dia o teve - e sujeita-se servilmente ao G7+1 nas decisões que envolvem litígios político-militares entre os países, assunto dominado inteiramente pelos compadres do G7 apoiados relutantemente pela esfacelada potência Russa, tendo como braço militar a OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte. Por esta razão as decisões não levam em conta a justiça ou os direitos humanos e sim, os interesses comerciais, militares e políticos do G7+1. Ao contrário das afirmações contidas nas publicações da Sociedade Torre de Vigia citadas acima, a ONU está mais fraca do que nunca.
Em paralelo, a OMC, Organização Mundial do Comércio, é quem tomou as rédeas do comando no comércio internacional e se tornou o verdadeiro foro de julgamento e solução de litígios comerciais entre os países do mundo. Quando em breve for aceita a única potência mundial que ainda não pertence ao seu rol de membros, a China, estas duas organizações mundiais - G7+1 e OMC - ditarão as normas da política e do comércio mundial em detrimento da falida ONU.

 

A Sociedade Torre de Vigia precisa urgentemente de mudanças para se adequar a esta nova realidade, falar mal da ONU colocando-a na posição de imagem da fera política de Revelação na realidade atual é absolutamente inadequado. É evidente que a ONU não detêm mais o poder a ela atribuído e a  Sociedade corre o risco de ficar novamente em situação difícil, como ficou há alguns anos no caso da União Soviética. Naquela oportunidade, enquanto as rotativas off-set da Sociedade Torre de Vigia no mundo todo cuspiam publicações e a tinta ainda estava fresca no papel, o "Rei do Norte" elegido por ela - a União Soviética - se desmantelava no meio do furacão provocado pela "glasnost" e pela "perestroika" do líder soviético Mikhail Gorbachev. Por tudo isso, a Sociedade levou anos para assimilar o nocaute e reagir, tendo que apelar para um inacreditável malabarismo de interpretação para reinventar o tal Rei do Norte no livro "Profecias de Daniel".

Parafraseando a Sociedade Torre de Vigia, "parece" que ela - escaldada por tombos e falhas anteriores - já está atenta ao problema e começa a preparar uma "nova luz", que permita justificar um novo tratamento para com a ONU e talvez até uma nova aplicação ao texto de Revelação ou um novo personagem para vestir a fantasia de imagem da fera. Pelo menos é o que nos é possível entender da abordagem da revista Despertai!, de 22/julho/2001, como mostra a reprodução de uma de suas páginas:

A Sociedade trata de uma forma amistosa, até elogiosa pode-se dizer, uma iniciativa da ONU, no caso a declaração do ano de 2001 como o ano internacional dos voluntários, algo inédito e inimaginável há alguns anos, quando qualquer iniciativa que partisse da ONU era tratada com ironia e ridicularizada. As evidências são claras ao indicar que mudanças estão a caminho e a questão suscitada pelo título deste artigo - Quem é a imagem da fera? - está hoje sem uma resposta categórica por parte da Sociedade Torre de Vigia.