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Não é o caso de falar mal só por falar mal, mas a Sociedade Torre de Vigia usa e abusa de hipocrisia e falsidade, não é possível ficar calado.

Ela acusa outras igrejas de fazer coletas e tomar dinheiro de seus súditos, o que não é mentira. É verdade que a Igreja Universal vende vergonhosamente bem-estar e progresso social em detrimento do bem-estar espiritual, é também verdade que quase todas as religiões ditas evangélicas, pentecostais e outras, submetem seus membros ao dízimo e que a maior delas, a Igreja Católica, usa de diversos meios para arrebanhar fortunas. Sendo que todas entendem a ordem de Jesus, de apascentar, por tosquiar as ovelhas. Porém, a Sociedade Torre de Vigia não é nem de longe a "santinha" que tenta mostrar ser, a conversa que ela utiliza para conseguir o "vil metal" é pura malandragem e poderia ser enquadrada tranqüilamente no artigo 171 do código penal brasileiro.

A Sociedade ensina como suas ovelhinhas podem contribuir com a "obra do reino", por doações, contribuições especiais (empréstimos), seguro (beneficiando a Sociedade), testamentos, etc., quer dizer, como diria aquele judeu do programa televisivo: "fazemos qualquer negócio". O importante é que o dinheiro flua em grande quantidade e ininterruptamente para o caixa sedento de recursos em Brooklyn.

Na maior cara-de-pau, usa-se a Bíblia para justificar a apropriação dos meios de vida alheios, sim a Bíblia, sempre ela, a muleta preferida de todos aqueles que enfiam a mão no bolso dos crentes em busca do seu suado dinheiro. Geralmente a Sociedade vem com o texto de 2 Coríntios 8:14, onde o apóstolo Paulo diz:

"O vosso excedente, por meio duma reciprocidade, contrabalance agora mesmo a deficiência deles, a fim de que o excedente deles também venha a contrabalançar a vossa deficiência, para que haja reciprocidade."

Não é possível, nunca ouvi falar ou li, nesta mesma Bíblia, que os cristãos do primeiro século providenciavam doações para alguma "obra do reino", ou que construíssem prédios para reuniões, ou imensos salões para assembléias, ou mesmo que em Jerusalém os apóstolos ficassem refestelados esperando as contribuições vindas das congregações para sustentá-los. O apóstolo Paulo, ele mesmo, o responsável pela mais extensiva obra de pregação da qual se tem notícia trabalhava, isso mesmo, Paulo tinha uma profissão que lhe ajudava no seu sustento, é certo que muitas vezes recebeu ajuda material, mas deixou bem claro que não queria ser nenhum fardo adicional para seus co-irmãos, ou seja, não vivia somente em função da ajuda que recebia. Aliás, Paulo também escreveu que "aquele que não trabalhar tampouco coma" e acho que o "trabalhar" aqui não indica trabalho de pregação, mas o sentido de obter sustento para si mesmo.

No texto acima, é obvio que o escritor estava orientando a aplicação da segunda lei áurea de Jesus: "Ama o próximo como a ti mesmo." Aqueles que tinham mais recursos financeiros deveriam dividir com os necessitados e em contrapartida receber outros tipos de riquezas, espirituais.

A malandragem principal porém, é a Sociedade Torre de Vigia comparar as contribuições de hoje, com as contribuições dos israelitas à época da construção do tabernáculo. Associar duas coisas tão distintas não tem o menor fundamento e é a manobra mais simples e eficiente desde o golpe do "bilhete premiado" . Primeiro porque aquela ocasião era singular, pois tornou-se necessária a edificação de um templo visível devido a promiscuidade espiritual daquele povo recém saído do Egito. Segundo porque os israelitas sempre tiveram uma estrutura de adoração baseada no templo, existia a ordem de Deus para que a classe sacerdotal, que vivia exclusivamente em função do serviço sagrado, recebesse dos demais as condições de subsistência, o que não é o caso nos dias atuais e nem com respeito aos cristãos do primeiro século, afinal Jesus aboliu a adoração em "templos feitos por mãos", que por sinal é o que a Sociedade mais tem construído, vide o gigantesco "Centro Educacional" erigido em Patterson, EUA (A Sentinela 15/11/99, pág. 8 à 12).

E não é que o Sr. Joseph Rutherford tinha razão, ao dizer: "Religião é laço e extorsão"?




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