Uma pequena homenagem ao meu compadre
Dino 7 Cordas.


Conheci Dino em 1974, dando aulas de violão na Casa Oliveira, na rua da Carioca, centro do Rio de Janeiro.

Nas aulas ele usava um modesto violão de 6 cordas, como qualquer mortal... Mas o que ele fazia com aquele instrumento, não dá prá acreditar! O violão parecia ter 12, 24 ou sei lá quantas cordas...

Eu ia para aquelas preciosas aulas empunhando um gravador onde eu registrava os acompanhamentos, as mil estórias que ele contava de episódios que já vivera com outros grandes artistas: Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Benedito Lacerda, etc. etc....

Dino cantarolava e se acompanhava nos choros que eu queria aprender.

Chegando em casa eu tentava colocar nas pautas uma versão simplificada de toda aquela criatividade. Até escrever em partituras o Dino me ensinou. Muitos anos depois encontrei cópia da cópia da cópia da cópia de algumas daquelas minhas velhas partituras nas mãos de rapazes tocando choro no Mandrake(restaurante em Botafogo, já fechado), que abria as portas às terças à noite para os chorões.

Lá pros idos de 1977, Dino começou a frequentar amigos em Niterói - Geraldo, com sua voz de Nelson Gonçalves, Ademar que solava e improvisava maravilhosamente, o velho Fidélis, seresteiro de mão cheia que sabia todas as letras.

Dino sempre levava para lá o Jorginho do pandeiro, seu irmão, o Jonas do cavaco, Ronaldo que até hoje toca no Época de Ouro, Carlinhos, violão de "centro", Dona Rosa, sua esposa e companheira, e muitos outros. O que saía alí era uma coisa que não dá para descrever!...
E me chamava tambem. E lá ia eu, com um gravador de rolo Revox A77, coisa muito fina naquela época, e registrava tudo.
Uma vez levou o Raphael Rabello, que suponho tivesse nessa época uns 15 ou 16 anos (corrijam-me se estiver errado) e os dois juntos tocaram de tudo!... Desse material recolhi pequenos fragmentos que coloco aqui, em formato .wav, para quem quiser se deliciar com essa amostra.

A qualidade da digitalização não ficou das melhores porque os arquivos ficariam muito grandes.
Outra coisa é que ouve-se no fundo as vozes das pessoas conversando, mas isso não compromete a qualidade. ;)


Aqui vão algumas amostras:

O início do "Choro da Casa", do Ademar Nunes, em solo do próprio Ademar e o Dino acompanhando.

Dino acompanhando outro solo do Ademar Nunes no "Naquela Mesa", do Sergio Bitencourt.

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