EXPLOSIVOS - PARTE TEÓRICA


INTRODUÇÃO

CONCEITO:
            Explosivos são substâncias que, através de reação química muito rápida (na maioria das vezes com violência), liberam grande quantidade de calor e gases, gerando pressões elevadíssimas e de grande poder destruidor. Essa reação denomina-se explosão e gera no ar uma onda destruídora denominada efeito de sopro (nos liquidos e sólidos esta onda destruídora  recebe o nome de efeito ou onda de choque).
            A velocidade com que a reação química se propaga  no explosivo (velocidade de queima) permite classificar os diferentes tipos de explosivos como :

                ALTO EXPLOSIVO : Velocidades maiores que 2000 m/s

                BAIXO EXPLOSIVO : Velocidades menores que 2000 m/s

                Dizemos que  um  alto explosivo detona ,enquanto um baixo explosivo deflagra.

            A capacidade de um explosivo em produzir destruição e/ou fragmentação à sua volta é chamada de brizância. Quanto maior a velocidade da reaçãoquímica explosiva (também chamada ordem de detonação), maior será a brizância.
            O calor ou o choque podem iniciar uma reação explosiva. Dizemos que um explosivo tem alta sensibilidade quando   um pequeno choque  pode fazê-lo explodir, muitos explosivos sensíveis podem tambem explodir mediante uma centelha elétrica, misturas gasosas (material combustivel com ar ou oxigênio) embora normalmente não sejam explosivos, quando  confinadas em recipiente fechado explodem facilmente mediante uma centelha elétrica.
            Naturalmente, os explosivos de trabalho não tem uma sensibilidade muito alta, pois se tornariam difíceis de manusear e transportar. Assim, são  necessários os iniciadores, que consistem em pequenas cargas de explosivos sensíveis, que, ao detonar, provocam o choque o choque  necessário  para arrastar a carga de  trabalho. Os iniciadores mais comuns são as espoletas, que podem ser elétricas, contendo um filamento atravessando a carga explosiva, ou mecânicos, acionadas pelo calor da queima de um estopim ou choque mecânico.
            Alguns explosivos são tão insensíveis, que se tornam necessários cargas de escorva entre o iniciador e a carga  principal. O conjunto iniciador, carga de escorva e carga principal é conhecido como trem de explosão. Como exemplo de   um alto explosivo extremamente insensível, normalmente utilizado com uma carga de escorva é o nitrato de amônio, um exemplode explosivo usado como espoleta é o acetileto de prata e o fulminato de mercúrio .


TIPOS DE EXPLOSIVOS


                1 - Classificação:


            Os explosivos podem ser classificados quanto a sua ordem de detonação, quanto a sua finalidade, quanto ao teor de oxigênio, estado físico, estabilidade térmica etc.
            Aqui será considerado duas classificações mais comuns e conhecidas :

                1.1 - Quanto à ordem de detonação :

                1.1.1 - Alto Explosivo ou roturantes - Velocidade de explosão maior que 2000 m/s.

                1.1.2 - Baixo Explosivo ou  propelentes - Velocidade de explosão menor que 2000 m/s.

                1.2 - Quanto à finalidade :

                1.2.1 - MILITARES - Baixa sensibilidade (até o tiro), alta brizância por unidade de pêso, estabilidade química para facilitar armazenamento em condições ruins, uso subaquático.

                1.2.2 - COMERCIAIS - Baixo custo (demais características bem  menos apuradas, suficiente apenas para manuseio e armazenagem segura).


                2  - USO DE INICIADORES:


            Para detonar uma carga, lança-se mão de iniciadores. Conforme o tipo  usado, podemos ter uma das seguintes modalidades :

                2.1 - Disparo com espoletas mecânicas => Caracteriza-se pelo uso de espoletas mecânicas e do estopim. O momento exato da explosão só pode ser determinado aproximadamente.

MÉTODO:
            Corta-se a extremidade do estopim cerca de 15 cm a partir da extremidade, isto deve ser feito porque a extremidade  do estopim armazenado pode estar com o núcleo de pólvora umidecido.Usa-se um alicate de estriar para cortar o estopim.
            Corta-se, em seguida, um pedaço de 60 cm e mede-se seu tempo de queima. Com isto, podemos calcular o comprimento necessário em função do tempo de queima, que  não deve ser inferior a 60 cm por motivos de segurança.
            Toma-se uma espoleta e agitar-se levemente para cair a serragem ou corpos estranhos do seu interior. Em seguida introduzir o estopim sem forçar.
            Mantendo-se firmemente a espoleta de encontro ao estopim, aplica-se o estriador do alicate na extremidade inerte: antes de apertar coloque a espoleta em uma direção safa e tenha muito cuidado porque essa operação muito próximo da  carga da espoleta pode detona-la.
            É sempre desejavel impermeabilizar a ligação espoleta-estopim.
            Se a carga explosiva for em bloco, introduzir a espoleta no orifício de escorva. Caso possua orifício rosqueado e  adaptadores, usa-los, caso contrário,  fixar a espoleta em posição com cordão ou fita.
            Quando o explosivo é plástico ou gelatinoso, pode-se abrir um orifício com a ponta de furar do alicate ou moldar o explosivo ao redor da espoleta.
            Com blocos armados dessa maneira, pode-se escorva cargas maiores.
            Para  acender  o estopím faz-se um pequeno corte longitudinal no estopim e se introduz aí a cabeça de um palito de fósforos, que é então riscado. Também podem ser usados os acendedores à prova d'água para uso submerso.
            Para uso submerso usa-se também impermeabilizar os acendedores comuns com um preservativo (camisinha) ou pode-se revesti-lo com resina.
            A distância safa de um explosivo é calculada pela equação abaixo, onde C = peso do explosivo e D = distância safa (em metros):

            Para o disparo devemos tomar todas as precauções, um só homem deve fazer as verificações e acionar o dispositivo,  este deve estar em um abrigo situado à  uma distância safa em relação a carga.
            Na área de explosão devemos colocar marcações de aviso ou vigilantes para impedir o acesso de pessoas desavisadas na área de perigo (onde ocorrerá a explosão, que pode ter finalidade de testes militares, demolições de construções, minas, pedreiras etc.).

              2.2 - Disparo com espoletas elétricas => Com este método, o disparo é feito no momento desejado, o que dá  maior segurança  e precisão, podemos utilizar circuitos temporizadores, detonadores fotosensíveis e controle remoto.

              2.2.1  -  Algumas regras para segurança :

            As espoletas elétricas possuem terminais com diferentes cores e comprimentos .
            Devemos colocar a espoleta em local safo de modo a não ferir-se caso detonem de modo inesperado.
            Ligar os fios aos bornes depois de limpos e desengordurados, mantenha lixado e livre de impurezas todos os terminais de ligação.
            Antes de usar uma espoleta devemos testar a condutividade de seu filamento com um multímetro (escala de esistências), caso não haja condutividade ou apresente uma resistência elevada, a espoleta não funcionará (indicando defeito), devendo ser substituída.

            2.2.2 - Método e dados de importância:

            Em explosivos comerciais, a corrente elétrica para acionar a espoleta é normalmente obtida dos explosores, que são pequenos magnetos acionaveis manualmente, sendo o sistema tipo alavanca (acionamento por pressão) omais conhecido. Os  fabricantes indicam o número de espoletas que cada tipo pode ativar quando ligadas em série.
            A escorva das cargas é semelhante aquela vista para as espoletas mecânicas.
            Alguns artefatos não utilizam a escorva, mas somente a espoleta e o explosivo primário, no entanto os explosivos mais potêntes e seguros necessitam da escorva, isto é muito comum em artefatos de uso militar.
            Artefatos pirotécnicos podem ser utilizados para muitas finalidades militares, bem como para iniciar um explosivo maior.
            Os explosores podem ser testados colocando-se uma lampada entre os bornes e acionando o manete, também podemos encostar os dedos nos bornes (pequeno choque elétrico) ou usar um multímetro.
            Para conduzir a energia dos explosores até a espoleta usa-se o cabo condutor que nada mais é que um fio paralelo com bitola mínima 18.
            Circuitos temporizadores, fotodetonadores e rádio controles podem ser testados com uma pequena lâmpada de lanterna ligada diretamente nos terminais de saída, que entram no relé, fazendo-se o teste com o circuito desligado da espoleta. Desta forma pode-se testar previamente a temporização de um circuitos timer, o funcionamento de fotodetonadores e rádio controle, de modo bem seguro.
            Uma carga já espoletada deverá ter os terminais de sua espoleta bem limpos, unidos e torcidos para evitar explosão acidental por correntes estáticas. Nunca escorve cargas sob tempestades ou nas proximidades da rede de alta tensão ou próximo a aparelhos centelhadores.
            Esse curto-circuito só será desfeito, quando se for executar a ligação com o cabo, que pela mesma razão, tem seus terminais unidos e torcidos. As emendas de fio devem ser torcidas e isoladas com fita isolante preta.
            Quando várias cargas espoletadas eletricamentte devem ser acionadas juntas, pode-se liga-las em série, em paralelo ou em série-paralelo. Os dois últimos métodos são normalmente usados quando não se dispõe de explosor e exigem um bom conhecimento de circuitos para evitar falhas. O conjunto funciona basicamento como uma associação simples de pequenos resistores.
            Após uma inspeção geral de todo o dispositivo e da área, o encarregado aciona o explosor energicamente por 3  ou mais vezes, desfaz ocurto circuito dos terminais do cabo (do explosivo) e os liga aos bornes do explosor, faz então uma observação final da área, informa o tempo para o disparo, faz a contagem regressiva e abre fogo.
            Alguns explosivos experimentais podem ser detonados por meio de uma pequena bateria ligada a um interruptor e vários metros de fio duplo encapado.
            O multimetro (ou outro medidor tipo galvanômetro ou digital) para testar as cargas espoletadas, deve utilizar baterias de cloreto de prata, para maior segurança contra cargas residuais.

                2.3 - Disparo com cordel detonante.

            Na verdade, o disparo com cordel é apenas um caso particular dos disparos elétricos ou mecânico já vistos. Sua grande vantagem decorre de se espoletar o cordel, que se encarregará de escovar as outras cargas, reduzindo o número de espoletas e consequentemente a possibilidade de falhar.
            A espoleta elétrica ou mecânica é fixada junto ao cordel com fita isolante, abaixo vemos um método simples para espoletar o cordel .

            Para a explosão, enrrola-se o cordel no bloco de explosivo (2 voltas no bloco mantendo uma extremidade com no mínimo 15 cm), para explosivos plásticos molda-se o explosivo em volta do cordel ou faz-se uma "bola" do explosivo com o cordel dobrado (pode-se dar um nó) em seu interior. O cordel neste caso serve para escovar cargas explosivas, no caso de explosivos em capsulas ou recipientes de aço fechados o cordel pode ser inserido no orifício para a escorva,  podendo ainda levar mais de uma espoleta e podemos usar várias cargas explosivas adaptadas a um mesmo cordel detonante,  dependendo das finalidades de uso. Existem vários adaptadores para estas ligações.


 
 

                2.4 - Disparo com Retardo :

            Existem tipos especiais de espoletas e de cordel detonante que são capazes de retardar a explosão. São utilizados, normalmente, quando se deseja evitar o choque causado pela explosão simultânea de muitas cargas ou quando se deseja aumentar a fragmentação e a remoção de restos de uma derrocagem.
            Os retardos de espoletas elétricas são da ordem dos micro segundos e os de cordel da ordem de mili segundos. A maneira de manuzea-los em nada difere da já vista para os artefatos comuns.


                3 - Cálculo de cargas


            O cálculo das quantidades de explosivos necessárias a uma dada demolição é muito importante. Uma carga   insuficiente pode causar uma avaria parcial que venha a dificultar ou tornar inexequivel o prosseguimento dos trabalhos .
            Abaixo podemos observar as quantidades de TNT necessárias para os cortes indicados. Se o explosivo for outro, devemos dividir o resultado obtido pelo seu poder em relação ao TNT.
            OBS: O TNT é um típico explosivo militar e comercial, é muito usado, apresentando boa estabilidade e segurança de manuseio, aqui é utilizado também como explosivo de referência.. 


TIPOS  DE  CORTE   EQUAÇÃO   ESQUEMA
Cortes em aço - Vigas de seção reta  C =  0,027 A 
Cortes em aço - vigas de seção circular  C = 0,055 D²
Cortes em madeira - Cargas externas C = 0,0018 D²
Cortes em madeira - Cargas internas C = 0,0003 D²
Cortes em estruturas típicas de pedreiros (construção civil)  C = 16 R³ K E Obs: Para  C<20 Kg adicionar 10 %  Ver abaixo

 
            Onde temos:

            C = Peso de TNT em Kg
            D = Diâmetro (ou dimensão) em cm
            A = Área da seção reta da viga em cm²
            R = Raio de Ruptura (em metros)
            K = Coeficiente de material (depende do material de construção => Tabelado)
            E =  Coeficiente de enchimento (Varia com a posição da carga => tabelas e/ou cálculo)

            O numero de cargas em função do raio de ruptura e da largura requerida é dado por:
            N =  0,152439 ( W / R )

           Onde:
            W = Largura requerida (em metros)
            R = raio de ruptura (em metros)
            Para o corte de cabos de aço, temos a equação abaixo que nos fornece o peso de TNT (C), em Kg, em relação a   espessura (X) do cabo, em metros. Outros explosivos são calculados em função da quantidade padrão de TNT.
            C = 0,001422 ( X )²

            Veja abaixo a variação do valor de E com a posição da carga e com a presença ou não de enchimento.






















Alguns valores de K em função do material de construção  


TIPO DE MATERIAL R (em metros) VALOR DE K
Terra comum. Todos os valores         0,05
Alvenaria fraca, arenito, rocha branca, madeira dura, construções em terra. Todos os valores         0,23 
 Alvenaria boa, concreto comum e rocha natural. Menos de 0,90m

Entre 0,90 e 1,50m

Entre 1,50 e 2,10m

Mais de 2,10 m

       0,35

       0,28

       0,25

       0,23

Concreto denso e alvenaria de 1ª classe. Menos de 0,90m

Entre 0,90 e 1,50m

Entre 1,50 e 2,10m

Mais de 2,10 m

 0,45

      0,38

      0,33

      0,28

Concreto armado (somente o concreto; os vergalhões não serão cortados) Menos de 0,90m

Entre 0,90 e 1,50m

Entre 1,50 e 2,10m

Mais de 2,10m

     0,70

     0,55

     0,50

     0,43


 


CARGAS DE RUPTURA  


  EXPLOSIVO  PODER   EM   RELAÇÃO  AO   TNT
 AMATOL                          1,20
 Nitrato de amôneo                          0,42
 Composição  A                          1,35
 Composição C-3                          1,26
 Composição C-4                           1,34
 HBX-1 (ar)                          1,48
 HBX-3 (água)  (*)                          1,68
 Pentolite                          1,26
 PETN                          1,45
 TETRYL                          1,28
 TETRITOL                          1,22
 TROTIL                          1,00
 PLASTEX                          1,80
 M-1 (dinamite militar)                          0,92

                     (*) 10 a 15 % a mais que o HBX-1, Diamante => 50 % 1.00 (com imprecisão)






 


                4  - CUIDADOS NO USO DE EXPLOSIVOS


                4.1 - mentalizar todas as precausões antes de iniciar o trabalho com explosivos
                4.2 - Não empregar ferramentas inadequadas ao trabalho.
                4.3 -Não fumar e não portar chamas ou equipamentos centelhadores nas proximidades do explosivo.
                4.4 - Inspecionar a área após a explosão, certificando-se de que não exista explosivos não detonados ou materiais de alto risco.
                4.5 - Não armazenar espoletas, pirotécnicos ou escorva junto com explosivos considerados cargas principais.
                4.6 - Não deixar explosivos fora do local reservado a seu armazenamento (paiol com guarda, armários especiais etc.).
                4.7 - Não armazenar grandes quantidades de explosivos nas proximidades de áreas habitadas.
                4.8 - Efetuar rodízios entre os explosivos quanto as suas funções para evitar que ele "sue".
                4.10 - Evitar os raios do sol (muitos explosivos são potencialmente fotosensíveis).
                4.11 - Ao transportar explosivos, cobrir a parte da carga com lona e colocar placas de aviso  "EXPLOSIVOS " à  frente e na retaguarda do veículo (terrestre ou marítimo), ou colocar uma bandeira quadrada vermelha com "PERIGO" de 60 cm de lado.
                4.12 - Espoletas e explosivos são armazenados em separado e em caixas especiais.


                   5 -  COMPOSIÇÃO  E  CARACTERÍSTICAS  DE ALGUNS  EXPLOSIVOS


                5.1 - AMATOL:

            Cor: Amarelo para marron escuro
            Composição Básica: TNT.................................. 20 %
                                            Nitrato de amôneo............. 80 %

            Ponto de fusão: Não funde
            Efeito: 1,20
            Velocidade: 14.800 a 21.300 ft/s (4440 a 6390 m/s)
            Sensibilidade: Menos sensivel que o TNT mas pode ser detonado prontamente por outros altos explosivos. A adição de NH4NO3 diminui a sensibilidade do TNT, tornando-o mais seguro e estavel, contudo é necessário cuidados adicionais com a possibilidade de absorção da água atmosférica.
            Estabilidade: Altamente higroscópico. É protegido por uma fina camada de TNT, deve ser armazenado em boas condições, evitando-se influência de altas temperaturas, luz intensa, inperfeições do filme de TNT e absorção de água.
            Toxicidade: Apenas o TNT é tóxico.
            Estado: Cristalino
            Emprego: Blocos e torpedos bangalore.

                5.2 - TROTIL:

            Cor: Amarelo ou amarelo-marron.
            Composição: Tri nitro tolueno (TNT)
            Temperatura de detonação: 465ºC (869ºF)
            Carregamento: Normalmente fundido, pode ser moldado e  prensado.
            Efeito relativo: 1,00
            Velocidade de reação: 22.200 ft/s (6660 m/s) e uma densidade de 1,6g/cm
            Sensibilidade: Pouco sensivel, sensibilidade bem aumentada quando em decomposição pela luz.
            Estabilidade: Bom para armazenamento nas temperaturas  adequadas. No entanto, em temperaturas elevadas, desprende um líquido oleoso que, insensível sozinho, forma um baixo explosivo se misturado a madeira ou algodão, incendiando-se facilmente.
            Estado: Material cristalino, granulado.
            Toxicidade: Muito  tóxico,  facilmente absorvido pela pele,  poeira e fumaça, inalados são muito venenosos bem como sua ingestão, potencialmente cancerígeno (dependendo da dose absorvida).
            Emprego: Blocos, cargas de bomba de profundidade, minas e foquetes. Amplo uso militar e industrial. Necessita de escorva e espoleta.

                5.3 - NITRATO DE AMÔNEO:

           Cor: branca
            Composição: Nitrato de amôneo. Fabricação pela neutralização da amônea com o ácido nítrico seguida de posterior cristalização e purificação,  geralmente leva um filme protetor de cera, composto orgânico inerte ou magnésio metálico (menos comum) devido a ser extremamente higroscópico.
            Temperatura de detonação: Requer escorva ou espoleta especial.
            Efeito: 0,42
            Velocidade: 3600 - 9000 ft/s (1080 a 2700 m/s)
            Sensibilidade: Insensivel ao impacto. Pode ser detonado por uma carga explosiva. A sensibilidade é aumentada com a presença de carvão, açucar, enxofre e óleo. Deve ser armazenado isolado da umidade atmosférica.
            Estabilidade: muito boa.
            Estado: Pó cristalino, muito soluvel em água, extremamente higroscópico.
            Toxicidade: Nenhuma
            Emprego: Utilizado como carga craterante e como ingrediente e misturas explosivas de bombas, também usado como   adubo químico (excelente fonte de nitrogênio). Encontrado facilmente à venda como adubo nitrogênado, normalmente com revestimento de grão para facilitar armazenagem, muitas vezes em mistura com outros ingrediêntes em adubos comerciais de formulações variadas. O NH4NO3 contido em adubos químicos já foi muito usado como explosivo, devido a ser de fácil  obtenção no comércio e baixo custo.

                5.4  - COMPOSIÇÃO B e B-2:

           Cor: Amarelo fraco para amarelo ou marron
           Composição do "COMPOSIÇAO B": RDX...............................52,2 %
                                                                       TNT...............................40,0%
                                                                       Cera de abelhas..............4,8 %

            Composição do "COMPOSIÇÃO B-2": RDX ...........................60 %
                                                                           TNT.............................40 %

            Temperatura de detonação: 255 ºC
            Efeito: 1,35
            Velocidade: 25.400 ft/s (7620 m/s)
            Sensibilidade: Menor que a do Tetril, maior que a do TNT. O compósito B-2 é mais sensivel que o compósito B, o RDX aumenta a sensibilidade da composição, logo maior quantidade de RDX fará que o compósito seja mais sensível.
            Estabilidade: Não higroscópico. Queima a céu aberto.
            Estado: Sólido não Plástico
            Toxicidade: Altamente tóxico (principalmente quando ingerido).
            Emprego: Cargas Moldadas, minas, torpedos e projeteis de grosso calibre. Uso principalmente militar.

                5.5 - COMPOSIÇÃO C-3:

           Cor : Amarelo para marron
           Composição: RDX.................................77 %
                                TETRIL.............................3 %
                                TNT..................................4 %
                                PLASTIFICANTE...........16%

            Temperatura de detonação : 172ºC
            Ponto de fusão: Indefinido (funde em uma faixa de temperatura)
            Efeito: 1,34
            Velocidade: 25.000 ft/s (7500 m/s)
            Sensibilidade: Menor que a do TNT puro.
            Estabilidade: Pode "suar" armazenado, sem no entanto perder a sensibilidade. Moderada higroscopicidade. Queima com facilidade e grande intensidade de chama, dificil de ser extinguida. O calor gerado pode detona-lo.
            Estado: Plástico
            Toxicidade: Irritante para a pele, fumaça é tóxica.
            Emprego: Uso militar e em demolições.

                5.6 - COMPOSIÇÃO C-4:

           Cor : Branca
            Composição: RDX ................................. 91 %
                                 Poli-isobutileno .................. 2,1 %
                                 Dietilhexil ........................... 5,3 %
                                 Óleo de motor ................... 1,6 %

            Temperatura de detonação: 197 ºC
            Ponto de fusão : indefinido ( fusão em larga faixa de temperaturas )
            Efeito: 1,34
            Velocidade: 26.500 ft/s (7950 m/s)
            Sensibilidade: Semelhante ao TNT
            Estabilidade: Boa
            Estado: Massa Plástica
            Toxicidade: Pequena
            Emprego: Uso principalmente militar.

                5.7 - RDX (CICLONITE):

            Cor: Branca
            Composição: Ciclo trimetileno trinitramina obtida atravez da nitração da Hexa metileno tetramina .
            Temperatura de detonação: 235 ºC
            Ponto de Fusão: 202ºC
            Fórmula molecular: (NO2)3(CH2)3N3
            Efeito: 1,60
            Velocidade: 27.000 ft/s (8100 m/s)
            Sensibilidade: Entre a do Tetril e a do PETN. É bastante reduzida com a presença de cera.
            Estabilidade: Muito boa
            Estado: Sólido cristalino
            Toxicidade: Pouca toxicidade, não irrita a pele. No entanto se for ingerido pode afetar o sistema nervoso central.
            Emprego: É o mais poderoso dos explosivos militares. É usado como componente de muitas misturas explosivas e sua síntese é bem simples, o que facilita sua obtenção em época de guerra.

                5.8 - TETRIL (2,4,6 Trinitro fenil metil nitramina):

            Cor: Incolor quando puro. Torna-se amarelo quando exposto a luz solar. Torna-se de cor cinza quando carregado porque usa-se misturado com grafite que age como lubrificante.
            Composição: Derivado da Metilanilina por nitração.
            Sinônimos: Tetralite, Pironite, tetrilite, tetryl.
            Temperatura de detonação: 234ºC
            Ponto de fusão: 130ºC  (segurança - 100ºC)
            Efeito: 1,28
            Velocidade: 24.600 ft/s (7380 m/s)
            Sensibilidade: Entre TNT e PETN
            Estabilidade: Razoável quando aquecido, funde, se decompõe e explode.
            Estado: Pó cristalino fino
            Toxicidade: Dermatite, descoloração da pele e cabelos, irritação das vias aéreas superiores e possível envenenamento sistêmico.
            Emprego: Uso principalmente militar. Carga principal em espoletas e algumas vezes como escorva.

                5.9 - HBX-1 e HBX-3:

            Cor: Acinzentado
            Composição do HBX-1: RDX ..................................39,6 %
                                                   TNT ..................................37,8%
                                                   Alumínio em pó...................17,1%
                                                   Desensibilizante...................1%

            Composição do HBX-3: RDX....................................31 %
                                                   TNT....................................29 %
                                                   Pó de alumínio.....................35 %
                                                   Desensibilizante....................3,5 %
            Temperatura de detonação: 185ºC a 260 ºC
            Ponto de fusão: 81ºC
            Efeito: 1,48 no ar e 1,68 quando submerso. O  HBX-3 é 10 % a 15 % mais efetivo embaixo d'água.
            Velocidade: 24.300 ft/s (7290 m/s)
            Sensibilidade: Pouco mais que o TNT, comparavel à composição B
            Estabilidade: Boa. No entanto à temperaturas maiores que 65ºC pode "suar" perdendo a cera (desensibilizante).
            Estado: Sólido, tipo massa úmida.
            Toxicidade: O TNT da composição é o ingrediente tóxico .
            Emprego: Torpedos, minas, bombas, cargas de profundidade e cargas de demolições.

                5.10 - PETN:

            Cor: Branca quando pura, cinza claro quando com cera.
            Composição: Pentaeritritol tetranitrato (PETRIN)
            Temperatura de detonação: 175 ºC
            Ponto de fusão: 141ºC
            Efeito: 1,45
            Velocidade: 26.000 ft /s (7800 m/s)
            Sensibilidade: O mais sensivel dos explosivos militares. No entanto no cordel detonante torna-se insensível ao calor, choque, fricção e deve ser detonado por meio de espoletas (tipo fulminato de mercúrio, acetileto de prata, azida de humbo, etc).
            Estabilidade: Armazenada em boas condições é estavel
            Toxicidade: Pequenas doses absorvidas pela pele ou pela respiração podem provocar queda da pressão sanguínea.
            Emprego: Cordel detonante, espoletas e escorva.

                5.11 - EXPLOSIVO D:

            Cor: Amarelo claro ou vermelho (quando na forma metaestável)
            Composição: Picrato de amôneo
            Sinônimo: 2,4,6 trinitrofenato de amôneo
            Classificação: Alto explosivo com alta brizância
            Fórmula molecular: H4NOC6H2(NO2)3
            Estado: Sólido cristalino
            Estabilidade: Muito estável
            Densidade: 1,72 g/ml
            Velocidade de detonação: 7050 m/s (23.124 ft/s)
            Emprego: Uso militar. Serve como escorva para detonar cargas de nitrato de amôneo, potencialmente sensível ao choque (desde que seja de alta intensidade), devido a sua alta brizancia é usado como rompedor e perfurador de blindagens em óbus, projeteis e granadas.

                5.12 - ANFO:

            Cor: Branco ou cinza claro
            Composição: nitrato de amôneo anidro .......................94 %
                                 óleo combustível ....................................6 %
            Classificação: Alto explosivo
            Estabilidade: Muito estável
            Calor de combustão: 3,76 KJ/g
            Densidade: 0,93g/c3
            Pressão de detonação: 6,0 GPa
            Velocidade de detonação: 4560 m/s
            Características: Alta liberação de gases por unidade de massa. Os grãos de nitrato de amôneo anidro são revestidos por um fino filme protetor de óleo combustível, o que torna a mistura resistente a úmidade e a água, minimizando a higroscópicidade do nitrato de amôneo e aumentando sua sensibilidade. É usado em composições especiais misturado com TNT e/ou RDX.

                5.13 -Epsilon CL- 20:

            Sinônimo: Hexanitrohexazaisowurtzitano, HNIW
            Classificação: Alto explosivo
            Fórmula molecular: C6H6N6(NO2)6
            Estabilidade: Muito estável, necessita de uma capsula explosiva (usa-se escorva espoletada)
            Característica: Altíssima brizância e alta densidade
            Densidade: 1,96 g/c3
            Calor de combustão (DH det): 6,28 KJ/g
            Energia de detonação (E det): 12,3 KJ/g
            Produtos da explosão: 6CO2 + 6N2 + 3H2
            Observação: A nitramina ciclica CL-20 foi sintetizada pela 1a vez pelo Dr. Arnold Nielson em 1987. Possui alta performance e baixo risco de manuseio com alta estabilidade e segurança.


                6 - TABELA DE CARACTERISTICAS PARA O ALUMÍNIO EM PÓ ATOMIZADO

                    * NORMA IRAM 1501

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            Os explosivos industriais são substâncias ou misturas que ao ser excitadas por um agente externo podem decompor-se de  forma muito rápida gerando enorme volume de gases e altas temperaturas (reação exotérmica). A reação explosiva pode ser iniciada por agentes mecânicos (pressão, atrito, impacto, vibração), pela ação do calor (aquecimento, faísca, chama etc.)  ou pela ação de outros explosivos (espoletas, boosters etc.).
            A fabricação de explosivos modernos inclui classificação granulométrica e alta performance com relação a eficiência e segurança. Normalmente são usados componentes que isolados são reagem explosivamente o que garante a segurança no  interior da indústria, mas uma vez misturados tornam-se explosivos poderosos e eficiêntes. É o caso da slurry ( lama, pasta)   explosiva que é obtida  no local de uso por mistura de seus componentes e injetada no interior dos furos na rocha, após algum tempo o material torna-se explosivo e então os orifícios já foram lacrados e o pessoal já encontra-se a uma distância segura, o que o torna um produto seguro e moldavel.


ARMADILHAS EXPLOSIVAS


            Podemos fazer armadilhas eficientes e perigosas utilizando material simples e barato. No exemplo abaixo  vemos uma ratoeira usada como interruptor de contato, no momento em que a porta é aberta o circuito é fechado, passa então corrente para a espoleta (capsula detonante,  usa-se normalmente acetileto de prata, nitrorresorsinato de chumbo, fulminato ou azida de chumbo), que explode detonando o explosivo. O material não condutor pode ser uma tira grossa de borracha flexivel ou mesmo um pedaço de madeira. Tambem usando-se material comum é possível fazer armadilhas de pressão (tipo mina terrestre), como é mostrado no segundo desenho a seguir.
            Os desenhos abaixo já são auto explicativos: